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Congresso promulga fim da escala 6x1; duas folgas semanais começam em dezembro

Emenda corta a jornada máxima de 44 para 40 horas sem redução de salário; a escala 5x2 passa a valer em 15 de dezembro.

Autoridades à mesa do Plenário do Senado assinam o texto da emenda constitucional durante sessão solene
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e demais membros da Mesa assinam a Emenda Constitucional 141 em sessão solene no Senado, em Brasília, na sexta-feira (16).Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Na sexta-feira (16), o Congresso Nacional promulgou a Emenda Constitucional 141, que acaba com a escala 6x1, em que se trabalha seis dias para folgar um. A partir de 15 de dezembro, quem tem carteira assinada passa a ter direito a duas folgas pagas por semana, sem corte de salário.

A emenda também reduz o limite de trabalho semanal de 44 para 40 horas, em duas etapas. Segundo o Ministério do Trabalho, citado pela Agência Senado, cerca de 14,9 milhões de pessoas trabalham hoje nessa escala. É um em cada três empregados com jornada registrada.

O texto nasceu como uma PEC, sigla de Proposta de Emenda à Constituição. Por mudar a Constituição, ela exige três quintos dos votos em cada Casa, em dois turnos. Aprovada, a emenda não depende do presidente da República: é promulgada, ou seja, oficializada pelas Mesas da Câmara e do Senado.

O que muda e quando

Segundo a Agência Senado, a transição tem dois passos. Sessenta dias após a publicação, valem as duas folgas semanais, uma delas de preferência no domingo, e o teto cai para 42 horas. Um ano depois, cerca de 14 meses após a promulgação, o limite chega a 40 horas, com no máximo oito horas por dia.

Na fase de 42 horas, acordos coletivos podem esticar o dia de trabalho além de oito horas. Divididas por igual, seriam cerca de 8h24 por dia, segundo a Agência Brasil. Acordos e convenções coletivas também podem manter outras escalas, até a 6x1, desde que a média do mês seja de duas folgas por semana.

Há exceções. A emenda não muda a jornada de servidores públicos. Terceirizados que prestam serviço ao governo terão 12 meses para a troca, e não 60 dias. Quem tem diploma superior e ganha a partir de R$ 21,2 mil por mês fica fora do limite de horas, mas mantém o descanso semanal.

Votação e reações

A Câmara aprovou a proposta em 27 de maio, por 472 votos a 22 no primeiro turno e 461 a 19 no segundo, segundo a Agência Câmara. O Senado votou na quarta-feira (14), com placar de 75 a 1 nos dois turnos. O único voto contrário foi do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS).

O PL criticou a proposta no debate, mas liberou seus senadores na votação, segundo a Agência Brasil. Carlos Portinho (PL-RJ) votou a favor, mas alertou que “não há trabalhador sem empregador”, relatou a Agência Senado. A oposição não compareceu à sessão de promulgação.

Na cerimônia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que “a Constituição ficou mais cidadã”. O fim da 6x1 é uma das bandeiras de Lula na campanha à reeleição. Ele disputa o segundo turno com Flávio Bolsonaro (PL) no domingo (25).

As centrais sindicais comemoraram. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) falou em vitória “maiúscula da luta, do suor e da organização da classe trabalhadora brasileira”. Para Miguel Torres, presidente da Força Sindical, a medida “beneficiará milhões de pessoas pelo país”.

As contas sobre o custo da mudança divergem. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) projeta alta de até R$ 267 bilhões nos custos de produção e inflação média de 6,2%. Já o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima alta de 1% no custo total de empresas do comércio e da indústria.

O que dizem as confederações empresariais: A CNI chamou a emenda de “retrocesso”, e seu presidente, Ricardo Alban, afirmou à Agência Brasil: “Acreditamos que o Congresso Nacional possa abrir espaço para revisitar o tema”. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) lamentou a discussão “em pleno período eleitoral” e defendeu “aprofundamento técnico, diálogo” sobre os efeitos no emprego.

As empresas têm menos de dois meses para reorganizar turnos e escalas. A própria emenda abre espaço para uma lei complementar com regras de adaptação para microempreendedores e pequenas empresas, desde que mantenham os empregos. Com previsões tão distantes entre si, só a prática vai mostrar o efeito real nos preços e no emprego.

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