Congresso

Flávio faltou a 43% das votações do Senado em 2026

Até 22 de junho, Flávio Bolsonaro faltou a 43% das votações nominais do Senado, contra média de 20%; só duas de suas propostas passaram.

Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa, com painel de votação eletrônico ao fundo
Plenário do Senado durante sessão deliberativa, com o painel de votação ao fundo; foto de 15 de abril de 2026.Foto: Carlos Moura / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Até 22 de junho de 2026, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não registrou voto em 43% das 49 votações nominais do Senado. Votação nominal é a que fica registrada com o nome e o voto de cada senador. A média dos 81 senadores foi de 20%, segundo levantamento da Folha, publicado pelo Estado de Minas.

Ou seja, ele ficou fora de cerca de 21 das 49 votações, mais que o dobro da média. A presença é só parte do histórico. Desde 2019, ele apresentou ou coassinou 433 propostas, segundo o Terra.

Em sete anos, só duas propostas de sua autoria passaram pelo Senado. Uma trata de recursos de loterias, e a outra, da reciclagem de baterias de carros elétricos. As duas estão paradas na Câmara dos Deputados.

Presença nas votações

Pelos percentuais, 43% de 49 dá cerca de 21 votações. Com a média de 20%, o número seria perto de 10. Essas contas são nossas e estão explicadas em “Como fizemos”.

A diferença entre ele e a média é de 23 pontos percentuais. Na prática, são cerca de 11 votações a mais do que a média dos senadores deixou de registrar.

O levantamento vai só até 22 de junho. Ele não mostra o motivo de cada falta. Mesmo assim, o padrão aparece com clareza no período analisado.

Como votou nos temas que dividiram o país

A tabela reúne votos de Flávio em proposta de emenda à Constituição (PEC), que muda o texto constitucional, e em projetos de lei, que criam ou mudam regras.

Em votações-chave, Flávio apoiou a reforma da Previdência e rejeitou o arcabouço fiscal Voto de Flávio em plenário, em votações selecionadas, de 2019 a 2026

Data Votação Voto de Flávio Resultado
18 jun 2019 Projeto para derrubar decretos de Jair Bolsonaro sobre armas Não (queria manter os decretos) Derrubado, 47 a 28
22 out 2019 Reforma da Previdência (PEC 6/2019, 2º turno) Sim Aprovada, 60 a 19
21 jun 2023 Arcabouço fiscal do governo Lula Não Aprovado, 57 a 17
8 nov 2023 Reforma tributária (PEC 45/2023) Não Aprovada, 53 a 24
Set 2025 PEC da Blindagem, que protegia parlamentares de processos Defendeu como “sobrevivência” Rejeitada na CCJ, por unanimidade
17 dez 2025 Projeto da dosimetria, que reduz penas pelo 8 de janeiro Sim Aprovado, 48 a 25
30 abr 2026 Derrubada do veto de Lula à dosimetria A favor de derrubar o veto Veto derrubado, 49 a 24
14 out 2026 Fim da escala 6x1 (PEC 221/2019) Sim, nos dois turnos, à distância Aprovada, 75 a 1

Fonte: Agência Senado, Congresso em Foco, Jornal de Brasília, Agência Brasil e Exame. Elaboração: redação.

Nas questões econômicas, Flávio votou a favor da reforma da Previdência de 2019. Votou contra o arcabouço fiscal, o conjunto de regras que limita os gastos do governo, e contra a reforma tributária. Na área de armas, votou para manter os decretos de armas do pai.

Em 2025 e 2026, votou a favor da dosimetria, projeto que reduz penas pelos atos de 8 de janeiro. Também votou pela derrubada do veto de Lula a esse projeto. Em setembro de 2025, a PEC da Blindagem, que protegia parlamentares de processos, foi rejeitada por unanimidade pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), com 26 votos. Flávio a defendeu como “sobrevivência”.

O voto mais recente é a favor do fim da escala 6x1, de seis dias de trabalho para um de descanso. Ele foi dado à distância, em 14 de outubro, nos dois turnos. Esse voto existe no registro oficial e foi dado depois do período analisado pela Folha.

O que diz Flávio Bolsonaro: O gabinete dele não respondeu aos contatos da imprensa sobre o levantamento de faltas, segundo o Estado de Minas. Sobre a PEC da Blindagem, ele afirmou que a proposta é uma questão de “sobrevivência”, segundo o Jornal de Brasília.

O que isso significa

Os dados mostram um senador que ficou fora de quase metade das votações até junho. Em sete anos, só duas de suas propostas passaram pelo Senado, e as duas estão paradas na Câmara.

O voto a favor do fim da escala 6x1 deve ser lido junto com esse histórico de presença. O segundo turno é no domingo, 25 de outubro. Até lá, o registro de votações é a referência mais direta para avaliar o trabalho dele no Senado.

Como fizemos: Os percentuais de faltas (43%, até 22 de junho de 2026) e a média do Senado (20%) vêm do levantamento da Folha publicado pelo Estado de Minas em 28 de junho de 2026, conferido em 21 de outubro de 2026. As contagens de propostas e os votos da tabela vêm de reportagens e documentos citados no dossiê de pesquisa da redação, de 19 de outubro de 2026. Nossos cálculos: 43% de 49 votações dá cerca de 21, e 20% de 49 dá cerca de 10, com arredondamento; a diferença de 23 pontos percentuais equivale a cerca de 11 votações. Os dados não mostram os motivos das faltas nem o período após 22 de junho.

Fontes