Congresso

PL terá a maior bancada da Câmara e do Senado a partir de 2027

O partido elegeu 121 deputados e 19 senadores em 4 de outubro; analistas esperam uma agenda mais conservadora no Congresso.

Fachada do Palácio do Congresso Nacional, em Brasília, com as duas cúpulas e as duas torres do prédio
Palácio do Congresso Nacional, sede da Câmara dos Deputados e do Senado, em Brasília (foto de arquivo de fevereiro de 2023).Foto: Jefferson Rudy / Agência Senado, via Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O Partido Liberal (PL) elegeu 121 dos 513 deputados federais no domingo (4) e terá a maior bancada da Câmara a partir de 2027. É quase um em cada quatro deputados da Casa. No Senado, o partido conquistou 19 das 54 vagas em disputa, segundo levantamento da CNN Brasil.

Os números foram calculados com 99,99% das urnas apuradas e ainda podem ter pequenos ajustes, informou a CNN Brasil. Nesta eleição, os eleitores renovaram todas as cadeiras da Câmara e dois terços do Senado. Os eleitos tomam posse em 1º de fevereiro de 2027.

Quem cresceu e quem encolheu na Câmara

Em 2022, o PL tinha eleito 99 deputados, segundo a CNN Brasil. Agora, ganhou cerca de 20 cadeiras. Em segundo lugar ficou a federação do Partido dos Trabalhadores (PT) com PCdoB e PV, com 88 deputados, sendo 70 do PT. Federação é uma união de partidos que atuam como se fossem um só por pelo menos quatro anos.

Logo atrás vem a federação de União Brasil e PP, com 87 cadeiras. Segundo o site Congresso em Foco, as duas siglas perderam juntas cerca de 18 vagas em relação a 2022. Depois aparecem o Partido Social Democrático (PSD), com 43, o Republicanos, com 41, o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), com 36, e o Podemos, com 27. O Novo subiu de 3 para 10 deputados, e o PDT caiu para 6.

Nenhum partido terá sozinho a maioria de 257 votos na Câmara. Segundo a Rádio Câmara, 301 deputados conseguiram se reeleger.

Os campeões de voto também são do PL. Nikolas Ferreira (MG) teve cerca de 3,1 milhões de votos, quase um quarto dos mineiros que votaram. Lucas Pavanato (SP) somou 3 milhões, segundo a Agência Brasil. Segundo o Estadão, os dois são os deputados mais votados da história e superaram os 1,84 milhão de votos de Eduardo Bolsonaro em 2018.

Em seguida vieram Érika Hilton, do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) de São Paulo, com 1,6 milhão, André Fernandes (PL-CE) e Sâmia Bomfim (PSOL-SP). Assim, PL e PSOL ocuparam os cinco primeiros lugares do país.

Senado e agenda mais conservadora

No Senado, o MDB elegeu sete senadores e o PT, seis. Somados os 27 senadores eleitos em 2022, o PL terá 28 cadeiras, contra 9 do PT e 8 do MDB, segundo a CNN Brasil. Para a Rádio Câmara, é a maior bancada de um só partido no Senado desde 1988. Nomes do PT como Benedita da Silva (RJ) e Gleisi Hoffmann (PR) ficaram de fora.

O professor Jeferson Ramos dos Santos, da Universidade de Brasília (UnB), falou à Agência Brasil. Para ele, o novo Congresso deve dar mais espaço à segurança pública e a temas de valores e família. “A agenda, se mais conservadora, pode caminhar menos para temas trabalhistas”, afirmou. Ele avalia que o segundo turno pode “reequilibrar um pouco essas pautas legislativas” ou “empurrá-las ainda mais à direita”.

A consultora legislativa da Câmara Manuella Nonô lembrou, na Rádio Câmara, que os partidos de centro seguem importantes nas negociações. Pelas contas dela, PL, Novo, Republicanos e PP somarão 42 senadores. É menos que os 54 votos necessários para condenar um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) em processo de impeachment.

O que diz o PL: Segundo mais votado do país, Lucas Pavanato (PL-SP) disse ao Estadão que o resultado mostra a insatisfação do eleitor com o STF e com o PT. “Tivemos ampliação significativa da bancada de direita, de políticos que enfrentam o Supremo”, afirmou. “O futuro brasileiro é de hegemonia conservadora.”

O novo Congresso terá mais peso da direita nas duas Casas, mas nenhum partido governa sozinho. Quem vencer o segundo turno, em 25 de outubro, vai precisar de siglas de centro, como PSD, MDB e Republicanos, para aprovar seus projetos. A partir de fevereiro, o eleitor poderá conferir nas votações se a mudança de agenda prevista pelos analistas se confirma.

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