Sem Orçamento de 2027, investimentos ficariam presos a 1/12 por mês
Se o Congresso não aprovar a LDO e a LOA de 2027, o governo paga só gastos essenciais e obras já em andamento, em parcelas mensais.

Em 31 de agosto, o governo enviou ao Congresso o projeto do Orçamento de 2027. A lei que deveria vir antes dele, a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), ainda não foi votada. Se as duas leis não forem aprovadas até o fim do ano, o governo passa a gastar por regras provisórias.
Vale entender o processo. A LDO define metas e prioridades para o ano seguinte. A Lei Orçamentária Anual (LOA) detalha quanto cada área pode gastar. As duas passam pela Comissão Mista de Orçamento (CMO), formada por deputados e senadores, antes da votação em sessão conjunta do Congresso.
A LDO deveria ter sido aprovada até 17 de julho. Segundo o Congresso em Foco, a aprovação dela é condição para o início do recesso parlamentar. O projeto da LDO de 2027 (PLN 2/2026, nome do projeto no Congresso) segue sem votação. A Agência Senado informou que ela deve ser analisada praticamente ao mesmo tempo que a LOA.
O que o governo pode pagar
Quando a LOA não é sancionada a tempo, os gastos seguem regras provisórias. Em 2025, a Agência Senado descreveu essas regras. Pelo texto, o governo só pode pagar despesas essenciais ou obrigatórias. Entre elas estão a alimentação escolar, os benefícios da Previdência e os repasses ao Fundeb, fundo que financia a educação básica.
Os juros da dívida pública também entram na lista. Os investimentos seguem outra regra. Só obras e projetos já em andamento podem continuar, e só se a paralisação causar prejuízo ou aumento de custos. Mesmo assim, o desembolso fica limitado a 1/12 do valor previsto por mês de atraso.
O que fica travado
O projeto de 2027 prevê R$ 133,8 bilhões em investimentos. O valor é mais de 20% acima dos R$ 110,8 bilhões de 2026, sem correção pela inflação, segundo o Brasil de Fato. Dividido por 12, o teto mensal seria de cerca de R$ 11,2 bilhões. Esse número é nosso cálculo e ignora a restrição a projetos já em andamento.
O texto também reserva R$ 44,8 bilhões para emendas individuais e de bancada, segundo A Crítica. A reportagem da Agência Senado sobre as regras de 2025 não cita emendas entre os gastos autorizados.
O que já aconteceu antes
Em 2021, o Congresso aprovou a LOA em março, mas ela ainda não estava sancionada em 15 de abril. Nesse intervalo, o governo quis liberar gastos com conservação de rodovias e até 1/24 do previsto para despesas de capital, segundo a Gazeta do Povo.
Em 2022, o Congresso aprovou a LOA em 21 de dezembro de 2021. A lei só foi sancionada em 21 de janeiro de 2022, e as primeiras semanas do ano passaram sem orçamento sancionado. Em 2025, o Congresso aprovou a LOA de 2026 em 19 de dezembro, segundo o SBT News.
O que diz o Congresso Nacional: Não encontramos declaração pública da Mesa ou da CMO sobre o atraso da LDO. O portal de tramitação mostra a votação da LDO 2027 em Plenário como “não iniciada”. A reportagem não enviou perguntas à comissão antes da publicação.
O que isso significa
Sem a LDO votada, o governo prepara a LOA com as regras do próprio projeto da LDO. Segundo a Agência Câmara, quando a LDO não é aprovada antes da LOA, o Executivo elabora a proposta com essas regras, ainda não validadas pelos parlamentares.
O que está em aberto é a data da votação. Pelo portal do Congresso, a última movimentação registrada na LDO é de 1º de setembro. Se as duas leis não forem votadas até o fim do ano, a execução do Orçamento de 2027 começa com as regras provisórias descritas acima.
Como fizemos: Usamos o portal de tramitação do Congresso Nacional, consultado em 22 de outubro de 2026, para a LDO 2027 e a LOA 2027, além das reportagens citadas no texto. O cálculo de R$ 11,2 bilhões por mês é nosso (R$ 133,8 bilhões divididos por 12). Não tivemos acesso ao texto da Constituição no Planalto, por isso o prazo de 17 de julho vem de reportagens. Os dados não mostram quando a LDO será votada nem o valor final da LOA.
Fontes
- Diretrizes Orçamentárias 2027 (PLN 2/2026) — Congresso Nacional (acesso em 22/10/2026)
- Orçamento da União 2027 (PLN 24/2026) — Congresso Nacional (acesso em 22/10/2026)
- Orçamento da União 2022 (PLN 19/2021) — Congresso Nacional (acesso em 22/10/2026)
- Com votação adiada, Orçamento de 2025 terá execução provisória — Agência Senado, 27/12/2024
- LDO de 2027 será analisada junto com Lei Orçamentária — Agência Senado, 31/07/2026
- Congresso vai votar a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027 e, em seguida, o Orçamento — Agência Câmara, 03/08/2026
- Retorno do Congresso: saiba como funcionam os recessos parlamentares — Congresso em Foco, 02/08/2025
- Orçamento de 2027 prevê R$ 133,8 bilhões em investimentos — Brasil de Fato, 01/09/2026
- Orçamento de 2027 reserva R$ 44,8 bilhões para emendas parlamentares — A Crítica, 31/08/2026
- Governo privilegia gastos com conservação de rodovias enquanto orçamento não é aprovado — Gazeta do Povo, 15/04/2021
- Congresso aprova Orçamento de 2026; texto vai à sanção presidencial — SBT News, 19/12/2025



