Congresso

Sem Orçamento de 2027, investimentos ficariam presos a 1/12 por mês

Se o Congresso não aprovar a LDO e a LOA de 2027, o governo paga só gastos essenciais e obras já em andamento, em parcelas mensais.

Torres de concreto do Palácio do Congresso Nacional sob céu azul, com palmeiras em primeiro plano
Torres do Palácio do Congresso Nacional, em Brasília, onde a LDO e a LOA de 2027 são analisadas.Foto: Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Em 31 de agosto, o governo enviou ao Congresso o projeto do Orçamento de 2027. A lei que deveria vir antes dele, a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), ainda não foi votada. Se as duas leis não forem aprovadas até o fim do ano, o governo passa a gastar por regras provisórias.

Vale entender o processo. A LDO define metas e prioridades para o ano seguinte. A Lei Orçamentária Anual (LOA) detalha quanto cada área pode gastar. As duas passam pela Comissão Mista de Orçamento (CMO), formada por deputados e senadores, antes da votação em sessão conjunta do Congresso.

A LDO deveria ter sido aprovada até 17 de julho. Segundo o Congresso em Foco, a aprovação dela é condição para o início do recesso parlamentar. O projeto da LDO de 2027 (PLN 2/2026, nome do projeto no Congresso) segue sem votação. A Agência Senado informou que ela deve ser analisada praticamente ao mesmo tempo que a LOA.

O que o governo pode pagar

Quando a LOA não é sancionada a tempo, os gastos seguem regras provisórias. Em 2025, a Agência Senado descreveu essas regras. Pelo texto, o governo só pode pagar despesas essenciais ou obrigatórias. Entre elas estão a alimentação escolar, os benefícios da Previdência e os repasses ao Fundeb, fundo que financia a educação básica.

Os juros da dívida pública também entram na lista. Os investimentos seguem outra regra. Só obras e projetos já em andamento podem continuar, e só se a paralisação causar prejuízo ou aumento de custos. Mesmo assim, o desembolso fica limitado a 1/12 do valor previsto por mês de atraso.

O que fica travado

O projeto de 2027 prevê R$ 133,8 bilhões em investimentos. O valor é mais de 20% acima dos R$ 110,8 bilhões de 2026, sem correção pela inflação, segundo o Brasil de Fato. Dividido por 12, o teto mensal seria de cerca de R$ 11,2 bilhões. Esse número é nosso cálculo e ignora a restrição a projetos já em andamento.

O texto também reserva R$ 44,8 bilhões para emendas individuais e de bancada, segundo A Crítica. A reportagem da Agência Senado sobre as regras de 2025 não cita emendas entre os gastos autorizados.

O que já aconteceu antes

Em 2021, o Congresso aprovou a LOA em março, mas ela ainda não estava sancionada em 15 de abril. Nesse intervalo, o governo quis liberar gastos com conservação de rodovias e até 1/24 do previsto para despesas de capital, segundo a Gazeta do Povo.

Em 2022, o Congresso aprovou a LOA em 21 de dezembro de 2021. A lei só foi sancionada em 21 de janeiro de 2022, e as primeiras semanas do ano passaram sem orçamento sancionado. Em 2025, o Congresso aprovou a LOA de 2026 em 19 de dezembro, segundo o SBT News.

O que diz o Congresso Nacional: Não encontramos declaração pública da Mesa ou da CMO sobre o atraso da LDO. O portal de tramitação mostra a votação da LDO 2027 em Plenário como “não iniciada”. A reportagem não enviou perguntas à comissão antes da publicação.

O que isso significa

Sem a LDO votada, o governo prepara a LOA com as regras do próprio projeto da LDO. Segundo a Agência Câmara, quando a LDO não é aprovada antes da LOA, o Executivo elabora a proposta com essas regras, ainda não validadas pelos parlamentares.

O que está em aberto é a data da votação. Pelo portal do Congresso, a última movimentação registrada na LDO é de 1º de setembro. Se as duas leis não forem votadas até o fim do ano, a execução do Orçamento de 2027 começa com as regras provisórias descritas acima.

Como fizemos: Usamos o portal de tramitação do Congresso Nacional, consultado em 22 de outubro de 2026, para a LDO 2027 e a LOA 2027, além das reportagens citadas no texto. O cálculo de R$ 11,2 bilhões por mês é nosso (R$ 133,8 bilhões divididos por 12). Não tivemos acesso ao texto da Constituição no Planalto, por isso o prazo de 17 de julho vem de reportagens. Os dados não mostram quando a LDO será votada nem o valor final da LOA.

Fontes