Economia

Emprego formal abre 25% menos vagas de janeiro a agosto

O saldo de agosto foi de 165.827 vagas, mas o acumulado de 2026 é 25% menor que o de 2025 e o menor para o período desde 2020.

Prédio azul com a placa do Ministério do Trabalho e Emprego, em uma rua de Araripina, Pernambuco
Unidade regional do Ministério do Trabalho e Emprego em Araripina (PE), a pasta que divulga o Novo Caged.Foto: Aquila Leite / Wikimedia Commons (domínio público)

Na terça-feira (29 de setembro), o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou o saldo de agosto do Novo Caged. O país abriu 165.827 vagas com carteira assinada no mês. O número é positivo, mas o ano como um todo anda mais devagar.

Até agosto, o saldo acumulado chega a 1.134.033 vagas. É 25% menos que no mesmo período de 2025. O mercado formal segue contratando, mas com menos força do que no ano passado.

O que é o Caged

O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) registra, todo mês, as contratações e as demissões com carteira assinada. O saldo é a diferença entre as admissões e os desligamentos. Quando o saldo é positivo, o emprego formal cresceu no mês.

Quem tem carteira assinada recebe direitos como 13º salário, férias remuneradas e o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). O trabalhador também contribui para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que dá acesso à aposentadoria.

Agosto superou as projeções, mas ficou atrás de 2024

O resultado ficou acima da mediana das projeções de mercado, que era de 93.486 vagas. A mediana é o valor do meio entre as previsões. O dado vem do levantamento Projeções Broadcast, citado pelo Diário do Grande ABC. Em julho, o saldo foi de 55.915 vagas.

Na comparação anual, agosto ainda fica atrás de 2024. A tabela mostra os três anos.

Saldo de vagas formais em agosto, em três anos Número de vagas com carteira assinada no mês, de 2024 a 2026

Ano Saldo de vagas
2024 239.069
2026 165.827
2025 154.683

Fonte: Novo Caged, por meio da Agência Gov (2026), do Diário do Grande ABC (2026) e do Poder360 (2024 e 2025). Valores de 2025 são os revisados. Elaboração: redação.

Frente a agosto de 2025, o saldo subiu 7,2%. Frente a agosto de 2024, caiu 30,6%. Essas contas são nossas, feitas com os números da tabela.

Vale notar a revisão. Na primeira divulgação, agosto de 2025 tinha saldo de 147.358 vagas. Na divulgação de agosto de 2026, o mesmo mês aparece com 154.683 vagas.

O acumulado do ano e os setores

De janeiro a agosto de 2025, o saldo foi de 1.516.881 vagas, segundo a série revisada. Em 2026, foram 1.134.033, uma queda de 25,2%. Por mês, a média caiu de cerca de 190 mil para cerca de 142 mil vagas. Este cálculo é nosso.

Os serviços lideram, com 697.859 vagas no ano, ou 61,5% do total. Dentro desse setor, o grupo que reúne administração pública, educação, saúde e assistência social somou 208.737 vagas no primeiro semestre, segundo a Agência Gov.

O comércio é o ponto mais fraco. Teve 9.300 vagas no ano, alta de 0,09%, e perdeu 3.514 vagas no primeiro semestre. A construção somou 200.431 vagas, e a indústria, 170.442. Os dados são da Agência Gov.

Entre os estados, São Paulo soma 306.883 vagas no ano. Alagoas, por outro lado, acumula saldo negativo de 3.216 vagas, segundo o Diário do Grande ABC.

Salário de entrada quase parado

O salário médio de admissão, em valores reais (já descontada a inflação), foi de R$ 2.410,74 em agosto de 2026. Em agosto de 2025, era de R$ 2.386,43. A alta é de 1,02%, ou R$ 24,31, segundo a Agência Gov.

Esse número mede quem entra no emprego agora, e não a renda de quem já trabalha. Para quem procura vaga, o salário inicial mudou pouco em um ano.

O que diz o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE): A pasta informou, na divulgação de 29 de setembro, saldo de 165.827 vagas em agosto e acumulado de 1.134.033 no ano. A nota não traz declaração de autoridades sobre o resultado.

O que isso significa

Os números mostram um mercado formal que ainda cria vagas, mas em ritmo menor que em 2025. O comércio quase parou no ano, e o salário de entrada subiu pouco em termos reais.

O Caged de setembro ainda não foi divulgado. As fontes consultadas não informam a data da próxima publicação. Os meses anteriores também podem ser revisados, como aconteceu com agosto de 2025.

Como fizemos: Usamos as reportagens da Agência Gov (29/09/2026 e 29/07/2026), do Diário do Grande ABC (29/09/2026), do Jornal do Comércio (29/09/2026) e do Poder360 (29/09/2025), acessadas em 23/10/2026. Não consultamos a base de dados do MTE diretamente. Os valores de agosto de 2024 vêm da divulgação de 2025 e podem ter sido revisados. Calculamos as variações percentuais, a média mensal (total dividido por oito meses) e a participação dos serviços no total. Não aplicamos correção de inflação própria: os salários são os valores reais informados pela Agência Gov. O Caged não mede a renda de quem já tem emprego nem o trabalho informal.

Fontes