IPCA cobre rendas até oito vezes maiores que o teto do INPC
Com o salário mínimo de R$ 1.621, a faixa do IPCA vai a cerca de R$ 64,8 mil por mês; a do INPC, a R$ 8,1 mil.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é a medida oficial da inflação no Brasil. Calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ele acompanha famílias com renda de até cerca de R$ 64,8 mil por mês em 2026.
O IPCA não mede a inflação de todas as famílias. O teto de renda do IPCA é oito vezes maior que o do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), o outro índice de inflação do IBGE. Esta reportagem mostra como a faixa de renda, as áreas e o prazo de coleta mudam o que o número representa.
O IPCA mede a variação média dos preços em 16 áreas urbanas, divididas em nove grupos de gastos, como alimentação, habitação e transportes. Os pesquisadores coletam preços em lojas, prestadores de serviço e concessionárias, e consultam domicílios alugados para medir aluguel. O Banco Central (BC) usa o índice para checar a meta de inflação. A Lei Complementar 200, de 2023, também corrige pelo IPCA o limite de gastos federais.
Quem entra na conta
Segundo o IBGE, a faixa foi definida para manter a cobertura em cerca de 90% das famílias urbanas. O IPCA considera famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos. O INPC, que entra na correção do salário mínimo, vai só de 1 a 5.
Multiplicando pelo mínimo de R$ 1.621, a faixa do IPCA chega a R$ 64.840 por mês, e a do INPC vai até R$ 8.105. Ou seja, o teto do IPCA é oito vezes o do INPC. Uma família com renda de R$ 8.000 por mês entra nos dois índices, mas uma com R$ 30.000 entra só no IPCA. A tabela abaixo mostra as duas faixas; os valores em reais são nossa conta.
Teto de renda do IPCA é oito vezes o do INPC Faixa de renda mensal das famílias pesquisadas, em salários mínimos (SM) e em reais, com mínimo de R$ 1.621 (2026)
| Índice | Faixa em SM | Faixa em reais |
|---|---|---|
| IPCA | 1 a 40 | R$ 1.621 a R$ 64.840 |
| INPC | 1 a 5 | R$ 1.621 a R$ 8.105 |
Fonte: IBGE (notas explicativas do IPCA e do INPC); mínimo de 2026 segundo a Agência Brasil. Valores em reais calculados pela redação. Elaboração: redação.
Áreas e prazos mudam o número
O IPCA coleta preços em 16 áreas: dez regiões metropolitanas, o Distrito Federal e cinco municípios. A prévia do IPCA, o IPCA-15, usa 11 dessas áreas. Vitória, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju ficam de fora: 5 de 16, ou 31%.
O prazo também muda. O IPCA coleta preços, em geral, do dia 1 ao dia 30 do mês de referência. O IPCA-15 vai do dia 16 do mês anterior ao dia 15 do mês de referência. Por isso, a prévia não traz o mesmo recorte de áreas e de datas do índice cheio.
A meta de inflação depende do IPCA
A meta é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima e para baixo. Desde janeiro de 2025 vale a meta contínua, criada pelo Decreto 12.079, de 2024. Por ela, a inflação acumulada em 12 meses é conferida todo mês.
A meta só é descumprida se a inflação ficar fora da faixa de 1,5% a 4,5% por seis meses seguidos. Nesse caso, o Banco Central publica uma carta aberta ao ministro da Fazenda, com as causas, as medidas e o prazo de correção.
O que diz o IBGE: Na nota explicativa do IPCA, o instituto afirma que a população-alvo são famílias “com rendimentos mensais compreendidos entre 1 (um) e 40 (quarenta) salários-mínimos”, residentes em áreas urbanas. Segundo o IBGE, a coleta “estende-se, em geral, do dia 01 ao dia 30 do mês de referência”. Fonte: nota explicativa do IPCA, no site do IBGE.
O que isso significa
O IPCA é uma média nacional. Ele não mostra a inflação de cada família, que depende do que cada uma consome. Ao ler um índice, vale checar qual deles está em jogo: IPCA, IPCA-15 ou INPC.
O próximo IPCA sai no mês seguinte, conforme o calendário do IBGE. Os resultados por grupo e por área estão no site do IBGE e no Sidra, o banco de tabelas do instituto.
Como fizemos: Usamos a nota explicativa do IPCA, no site do IBGE, a reportagem da Band sobre as 11 áreas do IPCA-15 e a reportagem da Agência Brasil sobre o mínimo de R$ 1.621 em 2026, acessados em 20 de outubro de 2026. As faixas em reais são nossa conta, feita com 1, 5 e 40 salários mínimos; não corrigimos valores pela inflação, porque todas são do mesmo ano. As regras da meta vêm do Decreto 12.079 e de documentos do Banco Central, e a cobertura de 90% é informada pelo IBGE. Os dados não mostram quanto cada família gasta nem a inflação de cada grupo de produtos.
Fontes
- Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) — IBGE (acesso em 20/10/2026)
- IPCA: nota explicativa (Leia-me) — IBGE (acesso em 20/10/2026)
- Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) — IBGE (acesso em 20/10/2026)
- Nota técnica do SNIPC sobre a inclusão de Rio Branco, São Luís e Aracaju — IBGE (acesso em 20/10/2026)
- Entenda a diferença entre os índices IPCA-15 e IPCA — Band (acesso em 20/10/2026)
- Orçamento de 2027 prevê salário mínimo de R$ 1.741 — Agência Brasil (acesso em 20/10/2026)
- Decreto nº 12.079/2024 (meta contínua de inflação) — Planalto
- Metas para a inflação — Banco Central do Brasil
- Carta aberta do Banco Central ao ministro da Fazenda (2025) — Banco Central do Brasil (acesso em 20/10/2026)
- Lei Complementar nº 200/2023 (correção do limite de gastos pelo IPCA) — Planalto
- Lei Complementar nº 200/2023 — Câmara dos Deputados (acesso em 20/10/2026)
- Artigo sobre a coleta de preços do IPCA — Centro de Economia Política (acesso em 20/10/2026)



