Isenção do IR até R$ 5 mil já vale; desconto some em R$ 7.350
Quem ganha R$ 6 mil tem redução de cerca de R$ 180 no IR, e o imposto mínimo para rendas acima de R$ 600 mil por ano começa em 2027.

Desde janeiro de 2026, quem recebe até R$ 5.000 por mês não tem mais Imposto de Renda (IR) descontado do salário. O valor é pouco mais de três salários mínimos, que valem R$ 1.621 em 2026. A mudança veio com a Lei 15.270, sancionada em 26 de novembro de 2025.
A isenção não conta a história toda. Entre R$ 5.000 e R$ 7.350, um desconto diminui a cada real a mais de renda. Fizemos a conta com a fórmula da Receita Federal para mostrar quanto desconto sobra em cada faixa.
O governo estima que cerca de 15 milhões de brasileiros ganham até R$ 5 mil por mês, informou a Agência Brasil. A lei não mexeu na tabela do imposto. Ela criou uma redução, um desconto aplicado depois do cálculo normal, que também vale para o 13º salário.
Quanto desconto sobra em cada faixa
Até R$ 5.000, a redução chega a R$ 312,89 e zera o imposto do mês. Acima desse valor, ela cai em linha reta. A fórmula da Receita é R$ 978,62 menos 0,133145 vezes o rendimento tributável do mês. A tabela abaixo mostra o valor para algumas faixas de renda.
A redução cai cerca de R$ 133 a cada R$ 1.000 a mais de renda
Redução mensal do IR, em R$, por faixa de renda mensal, valores de 2026
| Renda mensal (R$) | Redução mensal (R$) |
|---|---|
| Até 5.000 | 312,89 |
| 5.500 | 246 |
| 6.000 | 180 |
| 6.500 | 113 |
| 7.000 | 47 |
| 7.350 | 0 |
Fonte: Receita Federal, tabela de redução mensal de 2026. Cálculo da redação pela fórmula, sem descontos previdenciários e de dependentes. Valores arredondados. Elaboração: redação.
Quem ganha R$ 6.000 tem redução de cerca de R$ 180. Em porcentagem da renda, isso é 3%, contra 6,3% em R$ 5.000. Em R$ 7.000, sobram cerca de R$ 47. A queda é gradual, então quem ganha um pouco mais perde um pouco do desconto, sem corte brusco.
Declaração de 2027 usa valores anuais
A declaração entregue em 2026 tratou da renda de 2025 e não teve a isenção. A de 2027, sobre os ganhos de 2026, será a primeira com as novas regras. Nela, a redução zera o imposto até R$ 60 mil de renda tributável no ano, e é parcial entre R$ 60 mil e R$ 88.200. Esses limites são os valores mensais multiplicados por 12.
Quem tem mais de uma fonte de renda deve ficar atento. Duas fontes pagando R$ 4.000 cada não geram retenção mensal, mas a declaração anual pode cobrar a diferença, segundo a Receita. A lei também obriga o governo a enviar ao Congresso, em até um ano, um projeto com uma política de atualização dos valores do IR. Ser isento não dispensa, por si só, a entrega da declaração.
Imposto mínimo e dividendos: quem paga mais
Para compensar a perda de arrecadação, a lei criou um imposto mínimo para quem ganha mais de R$ 600 mil por ano. A taxa do imposto chega a 10% a partir de R$ 1,2 milhão, e a base soma quase todos os rendimentos, inclusive os isentos. Ficam fora da conta a poupança, as indenizações e títulos como as Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e do Agronegócio (LCA). Segundo o governo, cerca de 141 mil pessoas devem pagar mais, informou a Agência Brasil.
Os dividendos, a parte do lucro distribuída aos sócios, também mudaram. Quando uma empresa paga mais de R$ 50 mil por mês a uma mesma pessoa, há retenção de 10% na fonte sobre o valor total. Lucros apurados até 2025, com distribuição aprovada até 31 de dezembro de 2025, ficam fora da regra, desde que pagos nos termos aprovados. Dividendos enviados ao exterior pagam 10%, sem limite de valor.
O que diz a Receita Federal: Na página “Tributação de 2026”, o órgão publica as tabelas da Lei 15.270. Segundo a Receita, a redução mensal vale a partir de janeiro de 2026 para rendimentos de até R$ 7.350. A redução anual vale “a partir do exercício 2027 (ano-calendário 2026)”, para rendimentos de até R$ 88.200.
O que isso significa
Para quem ganha até R$ 5.000, a isenção vale no salário desde janeiro. Para quem ganha até R$ 7.350, o desconto encolhe a cada real a mais, e o resultado final depende de cada fonte de renda e da declaração anual.
O imposto mínimo começa a valer no exercício de 2027, sobre os ganhos de 2026. Quem tem renda perto desses limites pode conferir o cálculo antes de entregar a declaração.
Como fizemos: Usamos as tabelas de redução e os limites publicados pela Receita Federal, acessados em 20/10/2026, e conferimos os demais números em reportagens, análises e outras fontes listadas abaixo; não foi possível ler o texto integral da lei nesta verificação. A tabela 1 é um cálculo da redação pela fórmula da Receita, sem descontos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), de dependentes ou desconto simplificado, por isso mostra a redução teórica por renda, não o imposto de cada pessoa. Não comparamos valores de anos diferentes, e por isso não houve correção pela inflação. Não localizamos confirmação do prazo de um ano para o projeto sobre a tabela do IR, e as estimativas de beneficiados variam entre fontes.
Fontes
- Lei nº 15.270/2025 — Planalto
- Tributação de 2026 (tabelas do IRPF) — Receita Federal (acesso em 20/10/2026)
- Tributação de 2025 (tabelas do IRPF) — Receita Federal (acesso em 20/10/2026)
- Isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil entra em vigor — Agência Brasil
- Isenção de R$ 5 mil já vale para a declaração do IR deste ano? — Radioagência Nacional
- Orientação da Receita Federal sobre o cálculo da redução do IR a partir de 2026 — CRC-MS (acesso em 20/10/2026)
- Imposto de Renda 2027: preparação para tributação mínima começa agora — APET (acesso em 20/10/2026)
- Novo regime de tributação mínima para altas rendas — Migalhas (acesso em 20/10/2026)
- Brazil: income tax reduction and high-income taxation — Vialto Partners (acesso em 20/10/2026)
- Lula publica decreto que aumenta salário mínimo para R$ 1.621 em 2026 — Jovem Pan (acesso em 20/10/2026)
- Dados da tabela 1 — cálculo da redação (tabela-1.csv) (cálculo feito em 20/10/2026 a partir da fórmula publicada pela Receita Federal)



