Economia

Equipe de Flávio estudou cortar R$ 250 bi em INSS e pisos, diz Folha

Folha relatou estudo de corte de cerca de 2% do PIB em gastos obrigatórios; a campanha diz que não é posição oficial e nega cada item.

Fachada branca do prédio do Ministério da Fazenda, em Brasília, com uma faixa verde escrita Previdência
Prédio do Ministério da Fazenda, em Brasília, com faixa sobre a Previdência em protesto de março de 2017.Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Entre 7 e 8 de outubro, a Folha de S.Paulo relatou que a equipe econômica de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) estudou cortes de cerca de R$ 250 bilhões em gastos obrigatórios. O valor equivale a cerca de 2% do Produto Interno Bruto (PIB), a soma de tudo o que o país produz.

Segundo o relato, o estudo previa reajustar só pela inflação as aposentadorias do INSS e o Benefício de Prestação Continuada (BPC). Os pisos de saúde e educação, que são gastos mínimos obrigatórios, também seriam corrigidos só pela inflação.

Como funcionaria o corte

O INSS paga aposentadorias e pensões. O BPC paga um salário mínimo a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda. Uma proposta de emenda à Constituição (PEC) poderia mudar essas regras. Segundo a Folha, a equipe estudava uma “Super PEC” aprovada antes da posse.

O Forbes informa que o plano registrado de Flávio fala em um “tesouraço” de gastos e em cortes em pelo menos 10 ministérios, mas não tem valor em reais. Os R$ 250 bilhões não aparecem nele. A campanha disse que o estudo não é a posição oficial.

O que foi estudado e o que a campanha responde

O estudo da equipe e as respostas de Flávio Itens relatados pela Folha em outubro de 2026, com as declarações de Flávio e da coordenação

Tema O que foi estudado ou proposto O que Flávio disse
INSS e BPC Reajuste só pela inflação “Fake news”, e promessa de reajuste acima da inflação (8 de outubro)
Pisos de saúde e educação Reajuste pela inflação Não vai desvincular o mínimo nem alterar os pisos (16 de outubro)
Salário mínimo Não citado no estudo; a BBC calcula que corrigi-lo só pela inflação pouparia R$ 15 a 16 bi no 1º ano Manterá os ganhos reais do mínimo (16 de outubro)
Bolsa Família Transição de dois anos, proposta pela coordenadora Promete manter e ampliar o programa (8 de outubro)

Fonte: Folha (7 e 8 de outubro), via IstoÉ Dinheiro; BBC, via O Povo (19 de outubro); Poder360; InfoMoney. Elaboração: redação.

O salário mínimo é o ponto mais simples da conta. Segundo a BBC, reajustar só pela inflação o mínimo economizaria R$ 15 a 16 bilhões no primeiro ano. Isso é cerca de 6% dos R$ 250 bilhões. Nossa conta: R$ 15 bilhões divididos por R$ 250 bilhões dão 6%. O restante teria de vir de outras áreas, como as aposentadorias.

Segundo a BBC, cerca de 70% dos beneficiários do INSS recebem um salário mínimo. Por isso, um reajuste só pela inflação atinge sobretudo quem recebe o piso.

O Bolsa Família e as falas da campanha

No dia 19 de outubro, a coordenadora do programa de governo, Daniella Marques, afirmou que os beneficiários teriam dois anos de transição para buscar trabalho ou abrir um negócio. Depois, deixariam o programa, com retorno automático se a tentativa falhasse, segundo o Metrópoles.

Em 8 de outubro, Flávio prometeu manter e ampliar o Bolsa Família. Os dois anúncios apontam para direções diferentes.

Marcelo Kayath, cotado para o Ministério da Fazenda, chamou de inviável um ajuste de R$ 200 bilhões em um ano, segundo a Terra.

Flávio nega cada item. Em 8 de outubro, chamou a história de corte nas aposentadorias de “fake news”. Em 16 de outubro, disse que não vai desvincular o reajuste do mínimo nem alterar os pisos de saúde e educação, segundo o InfoMoney. No debate da Band, em 18 de outubro, chamou o “tesouraço” de corte na corrupção, segundo o Poder360.

Um ponto não se sustenta: a checagem da TMC classificou como falso o boato de que Flávio acabaria com o BPC e com o 13º salário, e elevaria a aposentadoria para 75 anos.

O que fica em aberto

O estudo mostra uma opção discutida pela equipe, e não uma proposta registrada. Os números documentados são estes: R$ 250 bilhões estudados, R$ 15 a 16 bilhões do salário mínimo, e nenhum valor no plano. A pergunta que o plano não responde é de onde viria o restante.

O que diz Flávio Bolsonaro: Em 8 de outubro, ele chamou a história de corte nas aposentadorias de “fake news” e prometeu reajuste acima da inflação para aposentados, segundo o Poder360. Em 16 de outubro, disse que não vai desvincular o reajuste do mínimo nem alterar os pisos de saúde e educação, e a campanha afirmou que o estudo não é posição oficial. No debate da Band, segundo o Poder360, chamou o “tesouraço” de corte na corrupção.

Como fizemos: Usamos o relato da Folha (7 e 8 de outubro), reproduzido pelo IstoÉ Dinheiro, a estimativa da BBC (19 de outubro) de R$ 15 a 16 bilhões e a informação de que 70% dos beneficiários do INSS recebem o mínimo, além das declarações de Flávio e da campanha listadas nas fontes, acessadas em 21 de outubro de 2026. Calculamos que R$ 15 a 16 bilhões equivalem a cerca de 6% de R$ 250 bilhões. Não tivemos acesso ao estudo original da equipe, apenas ao relato da Folha.

Fontes