Economia

Governo prevê salário mínimo de R$ 1.741 em 2027, alta de 7,4%

O projeto de Orçamento de 2027 prevê piso de R$ 1.741, alta de 7,4% sobre os R$ 1.621 atuais, com ganho real de cerca de 2,4%.

Fachada do Congresso Nacional, em Brasília, com as duas torres e as cúpulas da Câmara e do Senado, ao lado de uma placa com o nome do prédio
O Congresso Nacional, em Brasília, onde o Orçamento de 2027 será votado.Foto: Roque de Sá / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Na segunda-feira (31 de agosto), o governo enviou ao Congresso o projeto de Orçamento de 2027. O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) prevê salário mínimo de R$ 1.741 a partir de janeiro. O piso atual é de R$ 1.621, então a alta é de R$ 120, ou 7,4%.

O número é uma projeção. O valor final só é fixado no fim do ano, quando a inflação de 2026 estiver fechada. Até lá, o Congresso ainda pode alterar o texto.

De onde vem o número

A regra de reajuste combina dois fatores. O primeiro é a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado em 12 meses até novembro. O segundo é o crescimento da economia de dois anos antes, que foi de 2,3% em 2025.

O ganho real, ou seja, a parte acima da inflação, tem teto de 2,5% pela regra fiscal. Essa regra limita o crescimento dos gastos do governo. Em abril, a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) já estimava R$ 1.717 para 2027. A nova estimativa ficou R$ 24 acima.

Quanto sobe, em termos reais

Piso mensal de 2027 em cada documento do governo Em reais. Variação em relação ao piso de 2026, de R$ 1.621

Documento Piso de 2027 Alta
LDO, em abril R$ 1.717 R$ 96 (5,9%)
PLOA, em agosto R$ 1.741 R$ 120 (7,4%)

Fonte: Poder360; Agência Câmara; cálculo da redação.

O aumento de 7,4% é nominal, porque não desconta a inflação. O governo usa uma inflação de 4,93% no cálculo, atribuída à Secretaria de Política Econômica. Descontada essa inflação, o ganho real fica em cerca de 2,4%, segundo a proposta enviada ao Congresso.

Nossa conta mostra o mesmo resultado em reais. Os R$ 1.621 corrigidos por 4,93% viram cerca de R$ 1.701. O piso de R$ 1.741 fica, portanto, cerca de R$ 40 acima desse valor.

Quem depende do piso

O salário mínimo serve de referência para uma parte grande da renda do país. Segundo nota técnica do Dieese de dezembro de 2025, cerca de 61,9 milhões de pessoas têm renda ligada ao piso. Desse total, cerca de 29 milhões são beneficiários do INSS, o instituto que paga aposentadorias e pensões.

Os benefícios do INSS, o seguro-desemprego e o abono salarial acompanham o piso, segundo a CNN Brasil. Quem recebe exatamente o valor do mínimo tem o pagamento reajustado junto com ele.

Quanto custa para a União

Cada R$ 1 de aumento no piso eleva as despesas primárias da União em cerca de R$ 413,2 milhões, segundo o Poder360. Despesas primárias são os gastos do governo sem contar os juros da dívida. Com os R$ 120 de aumento, a conta chega a cerca de R$ 49,6 bilhões a mais por ano.

Esse total abrange os gastos vinculados ao piso, como os do INSS. Não localizamos, em fontes verificadas, a parte que cai só na Previdência.

O que diz o Ministério da Fazenda: O ministro Dario Durigan afirmou que o reajuste “está dentro do nosso espírito de privilegiar a população mais carente”, segundo a CNN Brasil. A Fazenda antecipou o valor de R$ 1.741 na semana anterior ao envio do Orçamento, segundo a Agência Brasil.

O que vem a seguir

O número ainda pode mudar. Se a inflação até novembro superar a projeção, o governo deve enviar uma mensagem modificativa ao Congresso no início de dezembro, segundo a Agência Brasil. O decreto final sai em dezembro, e o novo piso vale a partir de janeiro de 2027, se o Orçamento for aprovado.

Não localizamos registro de votação final da LDO de 2027 até esta data. Ou seja, a estimativa de R$ 1.717 segue como referência antiga, enquanto o número do Orçamento é o mais recente.

Como fizemos: Usamos o PLOA 2027, enviado em 31 de agosto de 2026, e o piso de 2026 (R$ 1.621), conforme reportagens da Agência Câmara, da Agência Brasil, do Poder360 e da CNN Brasil, acessadas em 22 de outubro de 2026. Não conseguimos abrir o texto oficial do PLOA nem a nota técnica do Senado, por isso os números vêm das reportagens. A variação de R$ 120 (7,4%) é nossa conta; a Agência Brasil arredonda para 7,2%. O ganho de cerca de R$ 40 acima da inflação de 4,93% e o custo de R$ 49,6 bilhões também são nossos cálculos. Os 61,9 milhões de pessoas são do Dieese e se referem à base de 2025, não a 2027; não localizamos projeção atual de inflação para 2027 em fonte oficial, por isso não a comparamos com o reajuste.

Fontes