Economia

Senado aprova teto de R$ 140 mil para MEI e perdão de dívidas

Projeto aprovado por 78 votos a 0 eleva o limite de faturamento do MEI em duas etapas e segue para sanção presidencial.

Vista geral do Plenário do Senado Federal durante uma sessão
Vista geral do Plenário do Senado, em Brasília, durante sessão em 29 de abril de 2026 (imagem de arquivo).Foto: Ton Molina/Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Na quinta-feira (15), o Senado aprovou por 78 votos a 0 o projeto que eleva o limite de faturamento do microempreendedor individual (MEI). O teto anual sobe de R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027 e para R$ 140 mil em 2028. O texto também perdoa dívidas dos MEIs com o governo federal.

A Câmara dos Deputados já havia aprovado a proposta na quarta-feira (14), por 461 votos a 4. O projeto foi enviado pelo próprio governo e agora vai à sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sancionar é o ato em que o presidente aprova o texto e o transforma em lei.

O MEI é a categoria para quem trabalha por conta própria e quer formalizar um pequeno negócio. Segundo o governo federal, o MEI paga uma única guia por mês, de valor fixo e ligado ao salário mínimo. De acordo com a Agência Senado, cerca de 17 milhões de microempreendedores podem ser beneficiados pela nova lei.

O limite atual está em vigor desde 2018 e equivale a R$ 6.750 por mês. Com o novo teto, o MEI poderá faturar cerca de R$ 11.700 por mês a partir de 2028. Segundo a Agência Brasil, o governo cita uma inflação acumulada de mais de 54% desde 2018.

O que muda para o microempreendedor

Além do teto maior, o MEI poderá ter até dois empregados, e não apenas um. Cada um deve receber exatamente um salário mínimo ou o piso da categoria, segundo a Agência Senado. O governo afirma que o aumento do teto não muda o valor da guia mensal.

O perdão vale para dívidas com a União constituídas até 13 de outubro de 2026, segundo a Agência Senado. Pelas contas do governo, cerca de 3,6 milhões de MEIs têm débitos na dívida ativa, o cadastro de devedores do governo federal. Juntas, essas dívidas somam R$ 12,6 bilhões.

Para manter o benefício, o microempreendedor precisa pagar em dia as contribuições dos seis meses seguintes à entrada em vigor da lei. Também terá de fazer um pedido e desistir de ações na Justiça sobre esses débitos. Quem deixar de pagar perde o perdão.

Custo e críticas

Segundo a Agência Brasil, o governo estima que o teto maior vai reduzir a arrecadação em R$ 1,57 bilhão em 2027. A perda sobe para R$ 3,15 bilhões em 2028 e R$ 3,38 bilhões em 2029, cerca de R$ 8 bilhões em três anos. O relator na Câmara, Rubens Pereira Júnior (PT-MA), disse que boa parte das dívidas perdoadas tem “baixa perspectiva de recuperação”.

No Senado, o relator Carlos Fávaro (PSD-MT) afirmou que o texto corrige “uma distorção histórica com os microempreendedores brasileiros”. Já os senadores Carlos Portinho (PL-RJ) e Rogério Marinho (PL-RN), da oposição, disseram que o governo usa a atualização com fins eleitorais. Segundo a Agência Senado, eles também afirmaram que a correção é uma obrigação atrasada há anos.

O projeto faz parte de um pacote para MEIs que Lula anunciou na terça-feira (13), a 12 dias do segundo turno da eleição. O pacote inclui ainda uma transferência de até R$ 5 mil para investimento, chamada Pix MEI. Segundo a Agência Brasil, o governo liga as medidas ao debate sobre o fim da escala 6x1.

O que diz o governo federal: Segundo a Agência Brasil, o governo afirma que “a ampliação não representa expansão real do regime, mas recomposição monetária do mesmo patamar fixado em 2018”. Ao anunciar o pacote, Lula disse aos microempreendedores: “Nós vamos ajudar vocês a saírem do sufoco”.

Pela Constituição, Lula tem 15 dias úteis para sancionar ou vetar o projeto. Até 2027, o limite de R$ 81 mil continua valendo, e quem passar dele corre o risco de sair do regime. Para milhões de pequenos negócios, a lei pode abrir espaço para crescer sem perder a guia simplificada e para limpar o nome com a União.

Fontes