Eleições

Abstenção sobe para 21% e 33 milhões faltam ao primeiro turno

Índice é o maior desde 1998, mas a ausência entre eleitores com mais de 70 anos caiu quase 10 pontos.

Eleitores em fila em um local de votação no dia do primeiro turno
Eleitores fazem fila para votar no primeiro turno das eleições, em 4 de outubro de 2026.Foto: Edilson Rodrigues / Agência Senado, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Cerca de 33,5 milhões de eleitores não foram votar no primeiro turno das eleições, em 4 de outubro. O número equivale a 21,08% do eleitorado, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). É quase o total de eleitores do estado de São Paulo, que tem 34,1 milhões.

Na prática, dois em cada dez brasileiros aptos a votar ficaram fora das urnas. Dos 158,7 milhões de eleitores, 125,3 milhões compareceram.

Abstenção é o nome dado à ausência do eleitor no dia da votação. O voto é opcional para quem tem mais de 70 anos, para analfabetos e para jovens de 16 e 17 anos. Para os demais, é obrigatório.

O índice ficou acima do registrado em 2022, quando 20,95% faltaram, cerca de 32,7 milhões de pessoas. Segundo a Agência Brasil, é a maior abstenção em um primeiro turno de eleição geral desde 1998, quando chegou a 21,5%.

Onde e quem faltou

O número de ausentes vem subindo a cada eleição geral. Foram 27,7 milhões em 2014 e 29,9 milhões em 2018, segundo a CNN Brasil.

Os dados do TSE mostram diferenças entre os estados. Mato Grosso do Sul teve a maior abstenção, 23,87%, seguido por Rio de Janeiro (23,32%), Minas Gerais (22,81%) e São Paulo (22,54%). O Ceará teve o menor índice, 15,52%. Entre os brasileiros que votam no exterior, 62,69% não votaram.

Entre os eleitores com mais de 70 anos, porém, a ausência caiu. Segundo o Movimento Voto 70+, que reuniu dados do TSE, a abstenção nessa faixa passou de 58,8% em 2022 para 49,1% neste ano. O grupo também cresceu, de 14,9 milhões para 17,2 milhões de eleitores.

A participação diminui conforme a idade avança. Na faixa de 70 a 74 anos, 68,77% votaram; entre 80 e 84 anos, apenas 37,12%. Uma pesquisa do movimento apontou três perfis de idosos que faltam. Há quem ache que o voto não faz diferença e quem ache que o resultado não muda sua vida. Outros querem votar, mas enfrentam barreiras físicas, como filas e distância.

Quem faltou pode votar no segundo turno

Quem não votou em 4 de outubro pode votar normalmente em 25 de outubro, desde que o título esteja regular. Segundo o TSE, cada turno é uma eleição independente.

A falta no primeiro turno, porém, continua pendente. O eleitor precisa justificá-la até 3 de dezembro, pelo site do TSE ou em um cartório eleitoral, com um documento que comprove o motivo. Quem não justificar paga multa de R$ 3,51 por turno, informou a Agência Brasil.

Para aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), votar também serve como prova de vida. Esse é o procedimento que confirma que o beneficiário está vivo. A regra vale inclusive para quem faltou ao primeiro turno.

O que diz o TSE: O presidente do tribunal, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou na noite da eleição: “Não é o ideal uma abstenção de 20%”. Segundo a Agência Brasil, ele disse que a ideia é “intensificar e aperfeiçoar todos os mecanismos disponíveis” para reduzir o índice no segundo turno. À CNN Brasil, citou os idosos como público que pode exigir mais ações.

No primeiro turno, Flávio Bolsonaro e Lula ficaram separados por cerca de 2,2 milhões de votos, segundo o TSE. Isso é menos de um décimo dos eleitores que não votaram. Por isso, quem ficou em casa em 4 de outubro tem peso real na decisão do dia 25.

Fontes