Abstenção sobe para 21% e 33 milhões faltam ao primeiro turno
Índice é o maior desde 1998, mas a ausência entre eleitores com mais de 70 anos caiu quase 10 pontos.

Cerca de 33,5 milhões de eleitores não foram votar no primeiro turno das eleições, em 4 de outubro. O número equivale a 21,08% do eleitorado, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). É quase o total de eleitores do estado de São Paulo, que tem 34,1 milhões.
Na prática, dois em cada dez brasileiros aptos a votar ficaram fora das urnas. Dos 158,7 milhões de eleitores, 125,3 milhões compareceram.
Abstenção é o nome dado à ausência do eleitor no dia da votação. O voto é opcional para quem tem mais de 70 anos, para analfabetos e para jovens de 16 e 17 anos. Para os demais, é obrigatório.
O índice ficou acima do registrado em 2022, quando 20,95% faltaram, cerca de 32,7 milhões de pessoas. Segundo a Agência Brasil, é a maior abstenção em um primeiro turno de eleição geral desde 1998, quando chegou a 21,5%.
Onde e quem faltou
O número de ausentes vem subindo a cada eleição geral. Foram 27,7 milhões em 2014 e 29,9 milhões em 2018, segundo a CNN Brasil.
Os dados do TSE mostram diferenças entre os estados. Mato Grosso do Sul teve a maior abstenção, 23,87%, seguido por Rio de Janeiro (23,32%), Minas Gerais (22,81%) e São Paulo (22,54%). O Ceará teve o menor índice, 15,52%. Entre os brasileiros que votam no exterior, 62,69% não votaram.
Entre os eleitores com mais de 70 anos, porém, a ausência caiu. Segundo o Movimento Voto 70+, que reuniu dados do TSE, a abstenção nessa faixa passou de 58,8% em 2022 para 49,1% neste ano. O grupo também cresceu, de 14,9 milhões para 17,2 milhões de eleitores.
A participação diminui conforme a idade avança. Na faixa de 70 a 74 anos, 68,77% votaram; entre 80 e 84 anos, apenas 37,12%. Uma pesquisa do movimento apontou três perfis de idosos que faltam. Há quem ache que o voto não faz diferença e quem ache que o resultado não muda sua vida. Outros querem votar, mas enfrentam barreiras físicas, como filas e distância.
Quem faltou pode votar no segundo turno
Quem não votou em 4 de outubro pode votar normalmente em 25 de outubro, desde que o título esteja regular. Segundo o TSE, cada turno é uma eleição independente.
A falta no primeiro turno, porém, continua pendente. O eleitor precisa justificá-la até 3 de dezembro, pelo site do TSE ou em um cartório eleitoral, com um documento que comprove o motivo. Quem não justificar paga multa de R$ 3,51 por turno, informou a Agência Brasil.
Para aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), votar também serve como prova de vida. Esse é o procedimento que confirma que o beneficiário está vivo. A regra vale inclusive para quem faltou ao primeiro turno.
O que diz o TSE: O presidente do tribunal, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou na noite da eleição: “Não é o ideal uma abstenção de 20%”. Segundo a Agência Brasil, ele disse que a ideia é “intensificar e aperfeiçoar todos os mecanismos disponíveis” para reduzir o índice no segundo turno. À CNN Brasil, citou os idosos como público que pode exigir mais ações.
No primeiro turno, Flávio Bolsonaro e Lula ficaram separados por cerca de 2,2 milhões de votos, segundo o TSE. Isso é menos de um décimo dos eleitores que não votaram. Por isso, quem ficou em casa em 4 de outubro tem peso real na decisão do dia 25.
Fontes
- Resultados das Eleições 2026: Presidente, 1º turno — Tribunal Superior Eleitoral
- Eleições: abstenção cresce para 21,6% e soma 33 milhões de brasileiros — Agência Brasil
- TSE vai trabalhar para diminuir a abstenção no segundo turno — Agência Brasil
- TSE vai atuar para diminuir percentual de abstenção no 2º turno, diz Kassio — CNN Brasil
- Abstenção de eleitores com mais de 70 anos cai 9,7 pontos percentuais — Agência Brasil
- Eleitor que faltou ao primeiro turno pode votar no segundo — Agência Brasil


