Eleições

Urnas auditadas por zona dobram em 2026, de 3% para 6%

Da assinatura dos programas ao boletim com QR Code, veja quem confere a urna em cada etapa de 2025 e 2026.

Urna eletrônica aberta, com a placa interna exposta, ao lado de outra urna fechada e de fios sobre uma mesa
Urna eletrônica aberta durante o Teste Público de Segurança do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, em 1º de dezembro de 2023 (foto de arquivo).Foto: Alejandro Zambrana / Secom / TSE / Wikimedia Commons (domínio público)

Em 4 de setembro, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) assinou digitalmente e lacrou os programas que rodaram nas urnas no primeiro turno, em 4 de outubro. A assinatura gera um código único para cada programa, como uma impressão digital. Assim, é possível conferir depois se a urna usada é a mesma que foi apresentada.

Essas conferências acontecem antes, durante e depois da votação. Este texto mostra cada etapa, quem a acompanha e o que mudou em 2026. Uma mudança chama atenção: a parcela de urnas auditadas em cada zona eleitoral dobrou, de 3% para 6%.

As regras estão na Resolução 23.673, de 2021, que trata de fiscalização e auditoria. O calendário da eleição está na Resolução 23.760, de 2 de março de 2026. A Lei das Eleições (Lei 9.504/1997, artigo 66) diz que partidos e coligações podem fiscalizar todas as fases da votação e da apuração.

Antes da votação

Os códigos-fonte, que são os textos com as instruções dos programas, estão disponíveis às entidades desde 2 de outubro de 2025. Entre elas estão os partidos, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o Ministério Público, a Polícia Federal e o Tribunal de Contas da União (TCU). Depois da cerimônia de assinatura, essas entidades têm cinco dias para contestar os programas.

Entre 1º e 5 de dezembro de 2025, investigadores inscritos tentaram achar falhas nos sistemas, no Teste Público de Segurança. Os casos com achados voltaram a ser testados no teste de confirmação, entre 13 e 15 de maio de 2026. Segundo o TSE, nenhum deles enfraqueceu o sigilo ou a integridade do voto. A tabela abaixo mostra as seis conferências, com datas e responsáveis.

A urna passa por seis conferências em dez meses Etapas, datas e quem acompanha cada uma, de dezembro de 2025 a 4 de outubro de 2026

Etapa Quando Quem acompanha
Teste público de segurança 1 a 5 de dezembro de 2025 Investigadores inscritos
Teste de confirmação 13 a 15 de maio de 2026 Investigadores
Assinatura e lacração dos programas 4 de setembro de 2026 Entidades fiscalizadoras
Zerésima 4 de outubro, antes da votação Mesários e fiscais de partidos
Teste de integridade 4 de outubro, no dia da votação TCU, com 55 auditores
Boletim de urna 4 de outubro, após as 17h Qualquer pessoa, pelo QR Code

Fonte: TSE, TCU, TRE-PR, Folha PE e Aos Fatos. Elaboração: redação.

No dia da votação

Antes de a votação começar, cada urna imprime a zerésima. É um relatório que comprova que não há nenhum voto registrado. O presidente da seção, os mesários e os fiscais de partidos assinam o documento, e uma cópia fica afixada em local visível.

No mesmo dia, ocorre o teste de integridade, que é uma votação paralela. Votos conhecidos de antemão são digitados na urna, e o resultado é comparado com a contagem prévia. Segundo o TSE, 55 auditores do TCU acompanharam o teste em 4 de outubro, sem intercorrências até a manhã de domingo. Há também uma versão com biometria, prevista na Resolução 23.758, de 2 de março de 2026: eleitores voluntários usam a própria digital para liberar a urna testada.

Depois da votação

Às 17h, a votação termina e cada urna imprime o boletim de urna. Ele mostra o total de votos de cada candidato naquela seção e traz um QR Code, código que o celular consegue ler. Uma via fica afixada na porta da seção.

Qualquer pessoa pode comparar esses números com os resultados publicados pelo TSE. Depois da eleição, as entidades fiscalizadoras podem pedir os logs, que são os registros internos das urnas. Também podem pedir o Registro Digital do Voto (RDV), que guarda os votos sem identificar o eleitor.

Empresas de auditoria externa também conferem parte das urnas. Pela regra aprovada pelo TSE em 2026, a parcela auditada em cada zona eleitoral subiu de 3% para 6%. Isso dobra o número de máquinas conferidas: em uma zona com 100 urnas, passam de 3 para 6. Segundo a Gazeta do Povo, a empresa tem cinco dias após a votação para entregar seu relatório.

O que diz o TSE: Na cerimônia de 4 de setembro, o presidente do tribunal, ministro Kassio Nunes Marques, disse que, depois das assinaturas, os sistemas não podem mais ser alterados. Segundo o portal do TSE, qualquer mudança exigiria uma nova cerimônia pública, com a presença das entidades fiscalizadoras.

O que isso significa

Os dados mostram que a conferência da urna não depende de um único momento. O eleitor pode checar a zerésima e o boletim de urna, e comparar os números com os publicados pelo TSE.

A parcela maior de urnas auditadas amplia a amostra checada, mas o resultado depende dos relatórios. O relatório consolidado do TCU deve chegar ao TSE em até 30 dias após o segundo turno, marcado para 25 de outubro. Até lá, não localizamos o relatório final do teste de integridade do primeiro turno.

Como fizemos: Checamos as datas e regras em comunicados do TSE e do TCU, em reportagens (CNN Brasil, Gazeta do Povo, Midiamax, Folha PE, Aos Fatos) e na publicação da Câmara sobre o artigo 66 da Lei 9.504/1997, acessados em 20 de outubro de 2026. O aumento da parcela auditada, de 3% para 6%, equivale a 3 pontos percentuais, ou seja, o dobro; o exemplo de 100 urnas é nosso cálculo. Os textos integrais das Resoluções 23.673/2021 e 23.760/2026 não foram lidos nesta checagem, e o prazo de cinco dias para contestação não foi confirmado. Os dados não mostram os resultados das auditorias de 2026, que não localizamos.

Correção: uma versão anterior deste texto informava que o TSE abriu os códigos-fonte em 4 de outubro de 2025. A data correta é 2 de outubro de 2025. O texto também dizia que os relatórios de auditoria seriam publicados até 24 de novembro e que departamentos de universidades integram as entidades fiscalizadoras. Nenhum dos dois pontos foi confirmado nas fontes consultadas, e ambos foram retirados.

Fontes