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Tarifas dos EUA atingem 23,1% das exportações brasileiras

Desde 30 de setembro, Brasil e EUA têm grupo de trabalho sobre tarifas, mas a proposta americana sobre o escopo ainda não foi localizada.

Fachada de arcos de concreto e vidro do Palácio do Itamaraty, em Brasília, refletida em espelho d'água com plantas aquáticas
Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores, em Brasília (foto de 11 de outubro de 2021).Foto: Lou Fernando / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

As novas tarifas dos Estados Unidos alcançam 23,1% das exportações brasileiras para o país. O dado é do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), em nota divulgada em 24 de julho. Desde 30 de setembro, os dois governos têm um grupo de trabalho para discutir o tema. Até a publicação desta reportagem, não localizamos registro público da proposta americana que definiria o escopo da negociação.

Como chegamos até aqui

Em julho, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) aplicou uma sobretaxa de 25% sobre alguns produtos brasileiros. A medida usa a Seção 301, uma lei comercial americana que permite investigar práticas de outros países. Uma segunda sobretaxa, de 12,5% para o Brasil, veio de uma investigação sobre trabalho forçado. Em parte dos produtos, as duas se somam e chegam a 37,5%, segundo o MDIC.

O vice-presidente Geraldo Alckmin classificou a tarifa de 12,5% como “injusta e descabida”. Ele disse, em 24 de julho, que o governo continuaria na mesa de negociação. Em 27 de julho, o Brasil pediu consultas na Organização Mundial do Comércio (OMC), órgão que arbitra disputas comerciais entre países.

O que dizem os EUA

Em 1º de junho, o USTR afirmou que seis práticas brasileiras são irrazoáveis ou discriminatórias e prejudicam o comércio americano. Entre elas estão o comércio digital e os pagamentos eletrônicos, o combate à corrupção, a proteção da propriedade intelectual, o acesso do etanol americano ao mercado brasileiro e o desmatamento ilegal.

Em comunicado, o representante de comércio Jamieson Greer afirmou: “we continue to have substantial differences in resolving the issues identified in this investigation”. Em tradução da redação, os EUA seguem com “diferenças substanciais” para resolver os problemas identificados.

Reunião em Milwaukee

Em 30 de setembro, o chanceler Mauro Vieira e o ministro Márcio Elias Rosa se reuniram com Greer em Milwaukee, nos EUA. O encontro ocorreu à margem de uma reunião do G20 sobre comércio. Os dois países decidiram criar um grupo específico para tratar das tarifas e de outros obstáculos comerciais.

Segundo o MDIC, a reunião foi “construtiva”. Rosa disse que houve um “ponto de convergência” que pode levar a um acordo. Ele também afirmou que “é necessário que tenhamos um escopo definido”, ou seja, temas claros para a negociação.

Quanto pesa para as exportações

Em 2025, as exportações brasileiras para os EUA somaram US$ 37,7 bilhões, segundo o MDIC. Em 2024, o total tinha sido de US$ 40,4 bilhões, recorde da série citada pelo ministério. Nossa conta dá queda de US$ 2,7 bilhões, ou 6,7%, em valores correntes, sem correção pela inflação.

Pouco mais da metade das exportações (52,7%) permanece sem tarifas adicionais setoriais ou específicas, segundo o MDIC. O peso das novas sobretaxas depende, portanto, do produto vendido.

O que diz o USTR: Em comunicado de 1º de junho, o órgão considera as práticas brasileiras irrazoáveis ou discriminatórias. Greer disse que os EUA seguem com “diferenças substanciais” para resolver o caso.

O que vem a seguir

O MDIC informou que o governo americano enviaria, “nas próximas semanas”, uma proposta sobre o escopo da negociação. Não localizamos esse documento nem uma data para um acordo. Em agosto, o governo abriu o processo da Lei da Reciprocidade, que permite responder a medidas unilaterais de outro país. Não localizamos decisão final da Câmara de Comércio Exterior (Camex) sobre essas medidas.

Como fizemos: Usamos o comunicado do MDIC de 24 de julho de 2026, a determinação do USTR de 1º de junho de 2026 e reportagens de O Povo, SBT News, Poder360 e ISTOÉ, acessadas em 23 de outubro de 2026. Os valores de exportação são do MDIC, em valores correntes. A queda de US$ 2,7 bilhões e a variação de 6,7% são cálculo da redação. Não localizamos a proposta americana nem decisão sobre contramedidas. Não enviamos perguntas ao USTR, ao MDIC nem ao Itamaraty para esta versão. As citações em inglês foram traduzidas pela redação.

Fontes