Pacheco pode ficar 25 anos no TCU, em vaga escolhida pelo Congresso
Ex-presidente do Senado foi aprovado por 63 a 4 e por 404 a 61; o cargo é vitalício, com aposentadoria obrigatória aos 75 anos.

Nesta quarta-feira (30), o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB-MG) tomou posse como ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). A cerimônia foi fechada ao público, na sede do tribunal, em Brasília, segundo a CNN Brasil. O vice-presidente Geraldo Alckmin esteve presente.
Com 49 anos, Pacheco pode ficar no cargo cerca de 25 anos. O posto é vitalício, com aposentadoria obrigatória aos 75 anos, segundo a Agência Brasil. Os números da votação e do prazo no cargo mostram quanto pesa essa escolha e quem a faz.
Pacheco ocupa a vaga de Bruno Dantas, que renunciou ao cargo no fim de agosto. A nomeação, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), saiu na segunda-feira (28) em edição extra do Diário Oficial da União (DOU), informou a Agência Brasil. O TCU ajuda o Congresso a fiscalizar os gastos do governo federal. Apesar do nome, o tribunal não integra o Poder Judiciário.
Seis das nove cadeiras passam pelo Congresso
A Constituição prevê nove ministros no TCU, no artigo 73. Um terço, ou três ministros, é escolhido pelo presidente da República, com aprovação do Senado. Os outros seis são escolhidos pelo Congresso Nacional.
A vaga de Dantas é uma das seis do Congresso. Por isso, o nome de Pacheco passou pelas duas Casas, em um projeto de decreto legislativo (PDL 995/2026). Segundo o Congresso em Foco, o texto foi apresentado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e outros 19 senadores. Assim, seis das nove cadeiras dependem do voto de deputados e senadores.
Quanto apoio teve a indicação
O Senado aprovou o nome em 1º de setembro, por 63 votos a 4, em votação secreta, segundo o Congresso em Foco. Um pedido de urgência permitiu pular a sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), segundo a CNN Brasil. Sabatina é a sessão em que os senadores fazem perguntas ao indicado.
No dia seguinte, a Câmara aprovou o nome por 404 votos a 61, com uma abstenção, segundo a Agência Câmara. O relator, Aécio Neves (PSDB-MG), recomendou a aprovação. Segundo a Gazeta do Povo, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse: “Não temos dúvida do preparo técnico e político de Rodrigo Pacheco.”
A tabela compara os votos a favor com o total de cadeiras de cada Casa. O cálculo usa o total de cadeiras, e não apenas os votos registrados. Entre os que votaram, o apoio foi ainda maior: 63 de 67 senadores (94%) e 404 de 466 deputados (87%).
Pacheco teve votos de cerca de 80% das cadeiras em cada Casa Votos favoráveis e total de cadeiras por Casa, em setembro de 2026
| Casa | Votos a favor | Cadeiras | Parcela das cadeiras |
|---|---|---|---|
| Câmara dos Deputados | 404 | 513 | 79% |
| Senado Federal | 63 | 81 | 78% |
Fonte: Congresso em Foco, Agência Câmara e Gazeta do Povo (votações); Lei Complementar 78/1993 (513 deputados); Constituição, art. 46 (81 senadores). Cálculo: redação.
Um cargo para cerca de 25 anos
Pela regra de aposentadoria aos 75 anos, Pacheco pode ficar no TCU por cerca de 25 anos. Esse prazo é mais de seis vezes o tempo em que ele presidiu o Senado, de fevereiro de 2021 a fevereiro de 2025. Ele deixa um mandato de senador que iria até 2027, segundo o perfil oficial do Senado.
O TCU analisa as contas anuais do presidente da República e fiscaliza a aplicação de recursos federais, segundo a Constituição (art. 71). A escolha leva para o tribunal um ex-presidente do Senado, que comandou a Casa por quatro anos.
O que diz Rodrigo Pacheco: No discurso de posse, relatado pela CNN Brasil, ele defendeu o diálogo entre as instituições: “Acredito que o diálogo institucional não enfraquece as instituições, ele as fortalece.” Segundo a mesma reportagem, ele também falou em probidade e respeito à lei.
O que isso significa
A indicação de Pacheco segue o desenho da Constituição: o Congresso escolhe seis dos nove ministros do TCU. Com aposentadoria aos 75 anos, o mandato pode durar cerca de 25 anos. Os votos mostram apoio amplo nas duas Casas, com quase 80% das cadeiras em cada uma.
As fontes consultadas não informam quais processos Pacheco vai relatar no tribunal. Também não há, até aqui, dados sobre como ele vai votar.
Como fizemos: Usamos as votações e datas publicadas pela Agência Brasil, CNN Brasil, Gazeta do Povo, Congresso em Foco e SBT News, além do perfil oficial de Pacheco no site do Senado e da Lei Complementar 78/1993, acessados em 20 de outubro de 2026. A parcela das cadeiras divide os votos a favor pelo total de cadeiras (81 no Senado e 513 na Câmara); o prazo no cargo subtrai a idade atual (49) da idade de aposentadoria (75). A página da Agência Câmara e o site do Planalto não abriram durante a checagem, e a votação e o texto constitucional foram conferidos em outros veículos. Não há valores em dinheiro, por isso não houve correção pela inflação, e os dados não mostram como Pacheco votará no tribunal.
Correção: uma versão anterior deste texto dizia que Pacheco presidiu o Senado de 2021 a 2024. O correto é de fevereiro de 2021 a fevereiro de 2025. A mesma versão dizia que ele foi deputado de 2015 a 2018; o texto agora informa apenas a eleição, em 2014, porque o período do mandato não foi confirmado.
Fontes
- Rodrigo Pacheco toma posse como ministro do TCU — Agência Brasil
- Rodrigo Pacheco é empossado novo ministro do TCU — CNN Brasil
- Câmara aprova indicação do senador Rodrigo Pacheco para ministro do TCU — Agência Câmara
- Senado aprova indicação de Pacheco à vaga de Bruno Dantas no TCU — Congresso em Foco
- Senado aprova indicação de Rodrigo Pacheco ao TCU — Gazeta do Povo
- Câmara aprova indicação de Pacheco ao TCU; escolha será promulgada pelo Congresso — Gazeta do Povo
- Câmara aprova Pacheco para vaga de ministro do TCU — SBT News
- Rodrigo Pacheco — perfil de senador, Senado Federal (acesso em 20 de outubro de 2026)
- Rodrigo Pacheco é o novo presidente do Senado — Agência Senado
- Rodrigo Pacheco é reeleito presidente do Senado — Rádio Senado
- Davi Alcolumbre é eleito presidente do Senado e assume o posto pela segunda vez — Diário do Nordeste
- Lei Complementar nº 78/1993 (número de deputados) — Câmara dos Deputados
- Constituição Federal — Planalto
- Dados da votação e cálculos — tabela-1.csv (acesso em 20 de outubro de 2026)



