Campo cresce 6,8% em um ano; consumo das famílias sobe só 0,5%
O PIB cresceu 0,5% no 2º trimestre de 2026, mas o consumo das famílias caiu 0,4% no trimestre, segundo o IBGE.

A economia brasileira cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, na comparação com os três meses anteriores. O dado foi divulgado nesta terça-feira (1º) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), segundo a Agência Brasil. O Produto Interno Bruto (PIB), a soma de tudo o que o país produz em bens e serviços, chegou a R$ 3,4 trilhões no período.
Segundo o IBGE, no campo a produção cresceu 6,8% em um ano. Já o consumo das famílias, ou seja, o gasto dos moradores com bens e serviços, subiu só 0,5% no mesmo prazo. A diferença entre os dois ritmos ajuda a entender o resultado do trimestre.
Frente ao segundo trimestre de 2025, o PIB subiu 2%, e em quatro trimestres o crescimento acumulado chegou a 1,9%, informou o IBGE. No primeiro trimestre, a economia tinha crescido 1,1%. Analistas ouvidos pela Reuters esperavam alta de 0,4%, segundo a CNN Brasil, e o resultado ficou um pouco acima.
Campo cresce, indústria quase para
A agropecuária teve a maior alta entre os setores, com 2,8% sobre o trimestre anterior, mas uma taxa não mostra o peso do setor no total. Em 12 meses, o setor acumula alta de 6,2%, segundo a Agência Brasil. Na comparação anual, a soja (+5,3%) e o café (+15,1%) puxaram o resultado, enquanto arroz e algodão caíram, segundo a Agência Gov. O gráfico abaixo compara setores e tipos de gasto no segundo trimestre de 2026, em relação ao mesmo trimestre de 2025.
Fonte: IBGE, Contas Nacionais Trimestrais, divulgação de 1º de setembro de 2026, via Agência Gov (acesso em 20 de outubro de 2026). Variação em % frente ao mesmo trimestre de 2025. Elaboração: redação.
A indústria avançou só 0,1%. Dentro dela, a extrativa, que inclui petróleo e minérios, subiu 3,4%. Já a indústria de transformação, que fabrica produtos, e a construção recuaram 0,4% cada uma, segundo a CNN Brasil. Os serviços, que respondem pela maior parte da economia, subiram 0,2%.
Famílias gastam menos e investem pouco
Pelo lado do gasto, o consumo das famílias caiu 0,4% no trimestre. Foi o pior resultado desde o quarto trimestre de 2024, quando o indicador recuou 0,6%, segundo a CNN Brasil. Em maio, o coordenador de Contas Nacionais do IBGE, Ricardo Montes de Moraes, disse que o consumo tem o maior peso entre os gastos, segundo o Jornal de Brasília.
No primeiro trimestre, o consumo tinha subido 1,0%, segundo a divulgação do IBGE de maio. A cobertura desta divulgação cita 0,8% para o mesmo período, o que pode indicar revisão do instituto. Com o consumo fraco, a economia passa a depender mais de outros motores, como o campo.
O investimento, medido pela Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que mostra quanto empresas e governo gastam com máquinas, equipamentos e construções, subiu 1,2% no trimestre. No comércio exterior, as exportações caíram 0,8% e as importações subiram 1,8%. Em um ano, porém, as importações (+5,5%) cresceram mais que as exportações (+3,8%), uma diferença de 1,7 ponto percentual.
O que esperar para o ano
As projeções para 2026 variam. O Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com analistas do mercado, previa alta de 1,92%, segundo a Agência Brasil. Uma semana antes, a estimativa era de 1,95%, segundo o Portal Tela. O Ministério da Fazenda estimava 2,3%, número mantido em maio, segundo a CNN Brasil.
O que diz o IBGE: Segundo a divulgação de 1º de setembro, o instituto informou que o PIB chegou a R$ 3,4 trilhões no segundo trimestre. A agropecuária teve a maior alta entre os setores, e o consumo das famílias recuou 0,4%, segundo a Agência Gov, que reproduz os dados. A reportagem não localizou declaração de dirigente do IBGE sobre o resultado nas fontes consultadas.
O que isso significa
Os dados mostram que o PIB cresceu no trimestre, com destaque para o campo e a indústria extrativa. As famílias, porém, gastaram menos, e o investimento desacelerou. A divulgação saiu um mês antes do primeiro turno das eleições, em 4 de outubro.
O número do terceiro trimestre só será conhecido depois das eleições. Ele vai mostrar se a queda do consumo continua ou se o gasto das famílias volta a crescer.
Como fizemos: Usamos as Contas Nacionais Trimestrais do IBGE, divulgadas em 1º de setembro (segundo trimestre de 2026) e em 29 de maio (primeiro trimestre). Conferimos os números em 20 de outubro de 2026 em reportagens que reproduzem o IBGE, porque o site oficial não abriu nesta checagem. As taxas são as divulgadas pelo IBGE, sem correção pela inflação, pois não comparamos valores em reais; as diferenças em pontos percentuais (6,3 entre campo e consumo; 1,7 entre importações e exportações) são cálculos nossos. Não localizamos a contribuição de cada setor no PIB, e a taxa de um setor não mostra seu peso no total.
Nota: a divulgação de 29 de maio apontou alta de 1,0% no consumo das famílias e de 3,5% na Formação Bruta de Capital Fixo no primeiro trimestre. A cobertura de setembro cita 0,8% e 3,4% para o mesmo período. Não conseguimos confirmar se o IBGE revisou esses números.
Atualização: em 22 de setembro, o Ministério da Fazenda reduziu de 2,3% para 2,0% sua estimativa de crescimento do PIB em 2026, segundo o Boletim Macrofiscal de setembro.
Fontes
- PIB do Brasil cresce 0,5% no segundo trimestre, mostra IBGE — Agência Brasil
- PIB cresce 0,5% no segundo trimestre, aponta IBGE — Agência Gov (conjunto de dados usado no gráfico 1: variações por setor e componente da demanda, acesso em 20 de outubro de 2026)
- PIB: economia brasileira cresce 0,5% no 2º trimestre de 2026, aponta IBGE — CNN Brasil
- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística — portal oficial (não acessado nesta checagem; números conferidos nas fontes acima)
- PIB do Brasil cresce 1,1% no primeiro trimestre de 2026 — InfoMoney
- Consumo das famílias impulsiona crescimento do PIB no primeiro trimestre — Jornal de Brasília
- Focus: mercado reduz projeção para inflação e PIB de 2026 — Portal Tela (31/08/2026)
- Projeção do Ministério da Fazenda de alta para o PIB de 2026 permanece em 2,3% — O Povo (18/05/2026)
- Fazenda: projeção de alta do PIB de 2026 cai de 2,3% para 2,0% — DGABC (22/09/2026)
- PIB do Brasil cresce 0,5% no segundo trimestre de 2026 e supera projeção do mercado — Suno (corrobora a mediana de 0,4% dos analistas)
- Calendário das Eleições 2026 é aprovado pelo TSE — O Liberal (datas dos turnos)



