Economia

Campo cresce 6,8% em um ano; consumo das famílias sobe só 0,5%

O PIB cresceu 0,5% no 2º trimestre de 2026, mas o consumo das famílias caiu 0,4% no trimestre, segundo o IBGE.

Edifício do IBGE de vários andares, com a logomarca do instituto na entrada, entre árvores
Sede do IBGE em Curitiba (PR), em foto de arquivo de março de 2016.Foto: DAR7 / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A economia brasileira cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, na comparação com os três meses anteriores. O dado foi divulgado nesta terça-feira (1º) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), segundo a Agência Brasil. O Produto Interno Bruto (PIB), a soma de tudo o que o país produz em bens e serviços, chegou a R$ 3,4 trilhões no período.

Segundo o IBGE, no campo a produção cresceu 6,8% em um ano. Já o consumo das famílias, ou seja, o gasto dos moradores com bens e serviços, subiu só 0,5% no mesmo prazo. A diferença entre os dois ritmos ajuda a entender o resultado do trimestre.

Frente ao segundo trimestre de 2025, o PIB subiu 2%, e em quatro trimestres o crescimento acumulado chegou a 1,9%, informou o IBGE. No primeiro trimestre, a economia tinha crescido 1,1%. Analistas ouvidos pela Reuters esperavam alta de 0,4%, segundo a CNN Brasil, e o resultado ficou um pouco acima.

Campo cresce, indústria quase para

A agropecuária teve a maior alta entre os setores, com 2,8% sobre o trimestre anterior, mas uma taxa não mostra o peso do setor no total. Em 12 meses, o setor acumula alta de 6,2%, segundo a Agência Brasil. Na comparação anual, a soja (+5,3%) e o café (+15,1%) puxaram o resultado, enquanto arroz e algodão caíram, segundo a Agência Gov. O gráfico abaixo compara setores e tipos de gasto no segundo trimestre de 2026, em relação ao mesmo trimestre de 2025.

Gráfico de barras horizontais mostra que a agropecuária cresceu 6,8% e o consumo das famílias apenas 0,5% no segundo trimestre de 2026 frente ao mesmo trimestre de 2025; o PIB total subiu 2% Fonte: IBGE, Contas Nacionais Trimestrais, divulgação de 1º de setembro de 2026, via Agência Gov (acesso em 20 de outubro de 2026). Variação em % frente ao mesmo trimestre de 2025. Elaboração: redação.

A indústria avançou só 0,1%. Dentro dela, a extrativa, que inclui petróleo e minérios, subiu 3,4%. Já a indústria de transformação, que fabrica produtos, e a construção recuaram 0,4% cada uma, segundo a CNN Brasil. Os serviços, que respondem pela maior parte da economia, subiram 0,2%.

Famílias gastam menos e investem pouco

Pelo lado do gasto, o consumo das famílias caiu 0,4% no trimestre. Foi o pior resultado desde o quarto trimestre de 2024, quando o indicador recuou 0,6%, segundo a CNN Brasil. Em maio, o coordenador de Contas Nacionais do IBGE, Ricardo Montes de Moraes, disse que o consumo tem o maior peso entre os gastos, segundo o Jornal de Brasília.

No primeiro trimestre, o consumo tinha subido 1,0%, segundo a divulgação do IBGE de maio. A cobertura desta divulgação cita 0,8% para o mesmo período, o que pode indicar revisão do instituto. Com o consumo fraco, a economia passa a depender mais de outros motores, como o campo.

O investimento, medido pela Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que mostra quanto empresas e governo gastam com máquinas, equipamentos e construções, subiu 1,2% no trimestre. No comércio exterior, as exportações caíram 0,8% e as importações subiram 1,8%. Em um ano, porém, as importações (+5,5%) cresceram mais que as exportações (+3,8%), uma diferença de 1,7 ponto percentual.

O que esperar para o ano

As projeções para 2026 variam. O Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com analistas do mercado, previa alta de 1,92%, segundo a Agência Brasil. Uma semana antes, a estimativa era de 1,95%, segundo o Portal Tela. O Ministério da Fazenda estimava 2,3%, número mantido em maio, segundo a CNN Brasil.

O que diz o IBGE: Segundo a divulgação de 1º de setembro, o instituto informou que o PIB chegou a R$ 3,4 trilhões no segundo trimestre. A agropecuária teve a maior alta entre os setores, e o consumo das famílias recuou 0,4%, segundo a Agência Gov, que reproduz os dados. A reportagem não localizou declaração de dirigente do IBGE sobre o resultado nas fontes consultadas.

O que isso significa

Os dados mostram que o PIB cresceu no trimestre, com destaque para o campo e a indústria extrativa. As famílias, porém, gastaram menos, e o investimento desacelerou. A divulgação saiu um mês antes do primeiro turno das eleições, em 4 de outubro.

O número do terceiro trimestre só será conhecido depois das eleições. Ele vai mostrar se a queda do consumo continua ou se o gasto das famílias volta a crescer.

Como fizemos: Usamos as Contas Nacionais Trimestrais do IBGE, divulgadas em 1º de setembro (segundo trimestre de 2026) e em 29 de maio (primeiro trimestre). Conferimos os números em 20 de outubro de 2026 em reportagens que reproduzem o IBGE, porque o site oficial não abriu nesta checagem. As taxas são as divulgadas pelo IBGE, sem correção pela inflação, pois não comparamos valores em reais; as diferenças em pontos percentuais (6,3 entre campo e consumo; 1,7 entre importações e exportações) são cálculos nossos. Não localizamos a contribuição de cada setor no PIB, e a taxa de um setor não mostra seu peso no total.

Nota: a divulgação de 29 de maio apontou alta de 1,0% no consumo das famílias e de 3,5% na Formação Bruta de Capital Fixo no primeiro trimestre. A cobertura de setembro cita 0,8% e 3,4% para o mesmo período. Não conseguimos confirmar se o IBGE revisou esses números.

Atualização: em 22 de setembro, o Ministério da Fazenda reduziu de 2,3% para 2,0% sua estimativa de crescimento do PIB em 2026, segundo o Boletim Macrofiscal de setembro.

Fontes