Consumo e investimento crescem mais que PIB de 3,4% em 2024
Revisão do IBGE confirma expansão de R$ 11,7 trilhões; famílias elevaram consumo em 5,1%, e formação de capital avançou 6,9% no ano.

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro chegou a R$ 11,7 trilhões em 2024, com alta de 3,4% sobre 2023. A revisão anual divulgada nesta sexta-feira (6) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) manteve a taxa conhecida desde março de 2025.
Os dados mostram dois motores crescendo acima da economia. O consumo das famílias avançou 5,1%, e a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) aumentou 6,9%. Esse segundo indicador mede investimentos em máquinas, equipamentos e construção, entre outros ativos.
Serviços e indústria sustentam a expansão
Os serviços cresceram 3,8% e contribuíram com 2,6 pontos percentuais para a alta do PIB. A indústria avançou 3,1% e somou 0,8 ponto. Juntos, os dois setores explicam mais de 93% do crescimento de 3,4%, segundo o IBGE.
A agropecuária seguiu na direção contrária e recuou 3,7%. Sua contribuição foi negativa em 0,3 ponto percentual. Entre os 12 grandes grupos de atividades acompanhados pelo instituto, esse foi o único que não cresceu nem ficou estável.
Investimento e consumo superam a taxa do PIB Variação real em 2024 e participação no resultado, quando informada
| Indicador | Variação em 2024 |
|---|---|
| Formação Bruta de Capital Fixo | 6,9% |
| Consumo das famílias | 5,1% |
| Serviços | 3,8% |
| PIB | 3,4% |
| Indústria | 3,1% |
| Agropecuária | -3,7% |
Fonte: Sistema de Contas Nacionais do IBGE. Elaboração: redação.
O consumo das famílias representou 64% do PIB. A despesa de consumo do governo cresceu 2%, abaixo da taxa geral. O PIB por habitante alcançou R$ 55.410,12 no ano, valor que não representa a renda disponível de cada pessoa.
Investimento se recupera, mas importações avançam mais
A FBCF somou R$ 1,9 trilhão em valores correntes. A taxa de investimento passou de 16,4% do PIB em 2023 para 16,9% em 2024. O avanço de 6,9% também reverteu a queda de 3% registrada no ano anterior.
No comércio exterior, as exportações de bens e serviços cresceram 2,8%. As importações aumentaram 15,6%, puxadas por produtos químicos, máquinas, equipamentos e veículos. O dado indica maior entrada de insumos e bens, mas não mede isoladamente seu uso produtivo.
A revisão integra novas pesquisas setoriais às Contas Nacionais. Esse procedimento é periódico e não representa, por si só, uma mudança de rumo da economia. Em 2025, a taxa atualmente conhecida é de crescimento de 2,3%, ainda sujeita a revisões futuras.
O que diz o IBGE: O instituto informa que a publicação atualiza as Contas Nacionais com resultados do sistema trimestral. A revisão incorpora novas informações setoriais e preserva as estimativas agregadas durante a transição metodológica para a nova base de 2021.
Detalhamento ficará temporariamente mais limitado
O IBGE suspendeu parte das tabelas anuais detalhadas durante a mudança da base de cálculo de 2010 para 2021. Permanecem os dados agregados e uma matriz de 12 atividades por 12 produtos. A transição limita comparações mais detalhadas com publicações anteriores.
O resultado de 2024 oferece uma fotografia consolidada, não uma previsão para 2026. Para este ano, o dado oficial disponível chega ao segundo trimestre. A próxima etapa será acompanhar as revisões de 2025 e a nova série com base 2021, que permitirá avaliar investimento e consumo com mais detalhes.
Como fizemos: Consultamos o Sistema de Contas Nacionais divulgado em 6 de novembro de 2026. Comparamos as taxas de consumo, investimento e setores com o crescimento total do PIB. Os valores correntes não foram deflacionados porque as variações reais já são calculadas pelo IBGE. A suspensão das tabelas detalhadas restringe a análise por produto.



