Justiça

Messias ficou 7 votos abaixo do necessário para ser ministro do STF

Para ser aprovado, o indicado precisa de pelo menos 41 dos 81 senadores; em abril, Messias teve 34 votos.

Senadores reunidos na mesa da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, com Alexandre de Moraes sentado à esquerda
Alexandre de Moraes entre senadores da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, na votação de sua indicação ao STF, em Brasília, em 21 de fevereiro de 2017 (foto de arquivo).Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil / Wikimedia Commons (CC BY 3.0 BR)

Em 29 de abril de 2026, o Senado rejeitou por 42 votos a 34 a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). Foi a primeira rejeição em 132 anos, segundo a Agência Senado.

Para ser aprovado, o indicado precisa de pelo menos 41 votos favoráveis. Messias teve 34, ou seja, 7 a menos que o mínimo. Este texto explica as etapas da escolha e calcula quanto faltou para a aprovação.

Messias, advogado-geral da União, foi indicado pelo presidente Lula para a vaga de Luís Roberto Barroso. Barroso se aposentou antes do prazo e deixou o tribunal em outubro de 2025. Antes de 2026, o Senado havia rejeitado cinco indicações ao STF, todas em 1894, no governo do marechal Floriano Peixoto. As regras estão nos artigos 52 e 101 da Constituição.

Quem pode ser indicado

A Constituição prevê 11 ministros, escolhidos entre cidadãos com mais de 35 e menos de 70 anos. Os indicados devem ter “notável saber jurídico e reputação ilibada”, ou seja, uma vida pública sem manchas. A regra não exige que o indicado seja juiz de carreira. A idade máxima era de 65 anos até a Emenda Constitucional (EC) 122, de 17 de maio de 2022, que a elevou para 70.

A idade da aposentadoria obrigatória também mudou. Até 2015, ela era de 70 anos. A EC 88, a chamada PEC da Bengala, elevou o limite para 75 anos. A tabela resume as duas mudanças.

Duas idades-limite de ministros do STF subiram 5 anos desde 2015 Idade em anos, antes e depois de cada emenda constitucional

Regra Antes Hoje Emenda
Idade máxima para ser indicado 65 70 EC 122, de 2022
Idade da aposentadoria obrigatória 70 75 EC 88, de 2015

Fonte: Constituição Federal e Emendas Constitucionais 88 e 122. Elaboração: redação.

Como a escolha passa pelo Senado

O presidente escolhe o nome e envia uma mensagem ao Senado, sem prazo para isso. No caso de Messias, o anúncio foi em novembro de 2025, e a mensagem só chegou em abril, segundo a Agência Senado. Na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), a sabatina é uma sessão pública de perguntas, e Messias passou com 16 votos a 11. A decisão final é do plenário, em votação secreta.

A aprovação exige maioria absoluta: 41 dos 81 senadores. Na prática, 41 votos contrários já bastam para barrar a indicação, pois sobram só 40 votos possíveis a favor. Em dezembro de 2023, Flávio Dino foi aprovado com 47 votos a favor e 31 contra, segundo a Agência Senado, como mostra o gráfico abaixo. Os 76 votos registrados em 2026 deixam 5 senadores fora da contagem divulgada, sem motivo informado.

Gráfico de barras mostra que Messias teve 34 votos favoráveis, 7 abaixo do mínimo de 41, enquanto Dino teve 47, 6 acima, em 2023 Fonte: Agência Senado (votações de 29 de abril de 2026 e de 13 de dezembro de 2023). Elaboração: redação.

O que acontece com a vaga

A cadeira de Barroso seguia vaga em 13 de outubro de 2026, segundo o Correio da Manhã, sem nova indicação relatada. Reportagens sobre o caso citam o Ato da Mesa nº 1, de 2010, do Senado. Ele veda a análise de indicação rejeitada na mesma sessão legislativa, o ano de trabalho do Congresso. Por essa regra, o mesmo nome só poderia voltar a ser votado em 2027.

Em outubro de 2026, 54 das 81 cadeiras do Senado estavam em disputa. Se a votação ficar para depois de fevereiro de 2027, os eleitos para essas cadeiras já estarão no cargo.

O que diz o Senado: Segundo a Agência Senado, o plenário rejeitou a indicação por 42 votos a 34, e ela foi arquivada. Messias respondeu à Agência Senado que “o Senado é soberano”.

O que isso significa

Os números mostram que a regra, e não o placar, decidiu o resultado. A aprovação exige 41 votos favoráveis, e não a maioria dos presentes. Com 34, Messias ficou 7 abaixo do mínimo. A escolha depende de dois Poderes, e cada indicação pode influenciar o tribunal por décadas.

Em aberto estão o envio de um novo nome e a data da votação. Enquanto isso, a cadeira de Barroso segue sem ocupante, e o STF trabalha com uma vaga a menos.

Como fizemos: Usamos reportagens da Agência Senado sobre as votações de 29 de abril de 2026 (42 contra, 34 a favor) e de 13 de dezembro de 2023 (47 a 31). Conferimos a Emenda 122 na Câmara, a Emenda 88 em artigo jurídico e o artigo 101 em textos que o reproduzem, todos acessados em 20 de outubro de 2026. Os cálculos são nossos: a diferença para o mínimo de 41 votos, a proporção de 41 em 81 senadores e os 5 que não aparecem na contagem. A vaga e o Ato da Mesa vêm de reportagens, e os dados não mostram como cada senador votou, nem por que 5 não aparecem.

Correção: uma versão anterior deste texto dizia que o STF tem 11 ministros. A Constituição prevê 11 cadeiras, mas, com a saída de Barroso em outubro de 2025 e a vaga ainda aberta, o tribunal tem 10 integrantes.

Fontes