Economia

Copom corta a Selic para 13,75% ao ano, quinto corte seguido

Por unanimidade, o Banco Central reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto e não disse o que fará em novembro.

Vista aérea do edifício-sede do Banco Central, no Setor Bancário Sul, em Brasília
Sede do Banco Central no Setor Bancário Sul, em Brasília, em foto de arquivo de janeiro de 2026.Foto: Pedro França / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Nesta quarta-feira (16), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) baixou a Selic de 14% para 13,75% ao ano. A Selic é a taxa básica de juros do país. Ela serve de referência para empréstimos, financiamentos e aplicações.

O Copom é o grupo formado pelo presidente e pelos diretores do BC. Ele se reúne oito vezes por ano para definir os juros. Segundo o comunicado do banco, os sete integrantes votaram a favor do corte. Duas diretorias estão vagas desde o fim de 2025, de acordo com a Agência Brasil.

Foi o quinto corte seguido, sempre de 0,25 ponto percentual. Os dados do BC mostram que a queda começou em março, depois de nove meses com a taxa em 15%.

Por que o BC cortou devagar

A principal tarefa do BC é controlar a inflação. A meta, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo. O teto, portanto, é de 4,5%.

Em agosto, os preços caíram 0,32%, segundo o IPCA, o índice oficial de inflação, medido pelo IBGE. Em 12 meses, a alta ficou em 4,22%, de acordo com o Poder360 e a Agência Brasil. No comunicado, o BC reconheceu que a inflação está abaixo do teto, mas ainda acima da meta.

O banco também apontou riscos. Citou os conflitos no Oriente Médio, a pressão do petróleo e efeitos do clima sobre alimentos e energia. Os analistas do mercado ouvidos no Boletim Focus, pesquisa semanal do BC, esperam inflação de 4,9% em 2026.

Efeitos no bolso e no debate eleitoral

Juros menores tendem a baratear o crédito e estimular o consumo, explica a Agência Brasil. O efeito, porém, é lento. Em julho, a inadimplência no crédito bateu recorde de 4,9%, informou a CNN Brasil.

A poupança não muda. Enquanto a Selic estiver acima de 8,5%, ela rende 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR), lembra o InfoMoney. Numa simulação da CNN Brasil, R$ 1.000 na poupança viram cerca de R$ 1.038 em seis meses.

O corte também alivia o governo. O Tesouro Nacional prevê que entre 49% e 53% da dívida pública federal termine 2026 corrigida pela Selic, segundo a Agência Brasil. Quanto menor a taxa, menor o gasto com juros dessa parte da dívida.

Os juros também entraram na campanha, e esta foi a última reunião do Copom antes das eleições. Em 27 de agosto, o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, falou sobre a taxa em sua transmissão semanal no YouTube. “A taxa de juros no Brasil, se o presidente fosse Bolsonaro, muito provavelmente ia ter a metade do que está hoje”, disse, segundo o InfoMoney. O site lembra que a Selic terminou o governo Jair Bolsonaro, em dezembro de 2022, em 13,75%.

Em 31 de agosto, o presidente Lula (PT), candidato à reeleição, jantou com empresários. Segundo relatos de convidados publicados pela Folhapress, ele prometeu fazer o possível para reduzir os juros. Também disse que o problema não depende só dele e citou a independência do BC.

O que diz o Banco Central: Em comunicado, o Copom afirmou que a decisão “é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante”. O comitê disse ainda que o cenário “demanda serenidade e cautela” e que o tamanho total dos cortes dependerá de novas informações.

A próxima reunião do Copom está marcada para 3 e 4 de novembro, já depois das eleições. O BC não deu pistas sobre o próximo passo, e a mediana do Focus prevê a Selic parada em 13,75% até dezembro. Quem vencer a eleição vai herdar juros ainda altos. Para analistas ouvidos pelo InfoMoney, cortes maiores dependem de clareza sobre as contas públicas do próximo governo.

Fontes