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Juro real brasileiro chega a 9,05% e lidera ranking

Taxa subiu 0,60 ponto percentual desde setembro e ficou mais de sete vezes acima da média de 40 países, segundo a Moneyou.

Fachada da sede do Banco Central do Brasil vista entre estruturas de concreto
Sede do Banco Central do Brasil, em Brasília, em imagem de março de 2023; a instituição manteve a Selic em 13,75%.Foto: Leonardo Sá / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O Brasil tem juro real de 9,05% ao ano e ocupa o primeiro lugar entre 40 países no ranking da consultoria Moneyou. A taxa é 7,1 vezes a média de 1,27% do grupo. O juro real desconta a inflação e mede o rendimento ou o custo do crédito acima da alta dos preços.

O resultado subiu 0,60 ponto percentual desde o levantamento anterior, de setembro, quando estava em 8,45%. O aumento é de 7,1% em termos relativos. Portanto, a liderança não apenas continua: a distância para a média internacional também cresceu.

Brasil se afasta dos demais países

A Turquia aparece na segunda posição, com 7,77%. A diferença para o Brasil é de 1,28 ponto percentual. Argentina e Rússia vêm em seguida, também com taxas acima de 6%. A Colômbia completa o grupo dos cinco primeiros.

Brasil supera a Turquia por 1,28 ponto percentual Juros reais, em % ao ano, no ranking publicado nesta semana

País ou referência Juro real
Brasil 9,05%
Turquia 7,77%
Argentina 6,80%
Rússia 6,57%
Colômbia 4,05%
Média dos 40 países 1,27%

Fonte: Moneyou, com dados reproduzidos pela Agência Brasil. Diferenças e razões: redação.

O ranking inclui economias com mercados de renda fixa relevantes. Não representa uma medição de todos os países do mundo. Ainda assim, permite comparar o custo brasileiro com um grupo amplo e mostra que nenhum integrante chega ao nível nacional.

Decisão do Banco Central interrompeu cortes

Na quarta-feira (4), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a Selic, a taxa básica de juros do país, em 13,75% ao ano. A decisão unânime interrompeu a sequência de cortes iniciada em abril.

O Copom informou que as incertezas aumentaram e que as expectativas de inflação seguem acima da meta. Não indicou o caminho dos juros nas próximas reuniões. A inflação em 12 meses passou de 4,5% para 4,62%, acima do teto de 4,5%, segundo a Agência Brasil.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) criticou a manutenção. O presidente da entidade, Ricardo Alban, classificou a decisão como “injustificável” e afirmou ser possível reduzir os juros em ritmo compatível com a convergência da inflação para a meta.

A divergência importa para famílias e empresas porque a Selic influencia o crédito e os investimentos. Juros altos podem conter preços ao reduzir a demanda, mas também encarecem empréstimos e o financiamento da produção. O efeito não é igual em todos os contratos.

Juros pressionam a dívida pública

Nos últimos 12 meses, os juros consumiram mais de R$ 1,1 trilhão do orçamento público. O valor equivale a 8,9% do Produto Interno Bruto (PIB), a soma de bens e serviços produzidos no país. Os dados são do Banco Central, reproduzidos pela Agência Brasil.

A dívida pública saiu de 71,7% do PIB em 2022 para cerca de 82,9% em agosto de 2026. São 11,2 pontos percentuais de diferença. Segundo a reportagem, os juros elevados são a principal causa desse aumento nos dados do Banco Central.

Agentes do mercado cobram cortes de gastos para estabilizar a dívida. Economistas críticos da política monetária defendem que os próprios juros precisam cair. O debate é central porque escolhas sobre juros e orçamento afetam o espaço para investimentos e serviços públicos.

O que diz o Banco Central: O Copom justificou a manutenção da Selic pelas incertezas ampliadas e pelas expectativas de inflação acima da meta. No comunicado da última reunião, não apresentou uma trajetória para as próximas decisões.

A nova medição deixa um ponto objetivo: mesmo após os cortes anteriores da Selic, o juro real brasileiro voltou a subir no ranking. A próxima decisão do Copom mostrará se a interrupção será apenas uma pausa ou o começo de um período mais longo de estabilidade.

Como fizemos: Conferimos o ranking da Moneyou e os números reproduzidos pela Agência Brasil em 7 de novembro. Calculamos a razão de 9,05% sobre 1,27%, a variação de 0,60 ponto percentual desde 8,45%, o aumento relativo de 7,1% e a diferença de 1,28 ponto para a Turquia. O ranking cobre 40 países, não o mundo inteiro.

Fontes