STJ recebeu 501 mil casos em 2024, mais de 1.300 por dia
O tribunal dá a palavra final sobre leis federais e recebeu 501.024 casos em 2024, mais de 1.300 por dia corrido.

Em 2024, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) recebeu 501.024 casos. Isso dá mais de 1.300 por dia, contando todos os dias do ano. O tribunal dá a palavra final sobre a leitura das leis federais, para que cada lei seja aplicada da mesma forma em todo o país.
Se fosse dividido igualmente pelas 33 cadeiras de ministro, esse volume daria cerca de 15 mil casos para cada uma. A conta, feita pela redação com dados do próprio tribunal, mostra a escala do trabalho. Ela ajuda a entender por que uma tese do STJ pode afetar milhares de processos de uma vez.
A Constituição de 1988 exige no mínimo 33 ministros no STJ (art. 104), nomeados pelo presidente da República após aprovação da maioria absoluta do Senado. Eles precisam ter mais de 35 e menos de 70 anos; a Emenda Constitucional (EC) 122, de 2022, elevou o limite de 65 para 70. O tribunal recebe casos de 27 Tribunais de Justiça (TJs), um por estado e um para o Distrito Federal, e de seis Tribunais Regionais Federais (TRFs). Como cada um deles pode ler a mesma lei de um jeito, cabe ao STJ dizer qual leitura vale.
Como um caso chega ao tribunal
A principal porta de entrada é o recurso especial. Ele leva ao STJ decisões de TJs e TRFs que contrariem lei federal. Também cabe quando um tribunal dá a uma lei federal interpretação diferente da de outro. A Constituição fala em causas decididas “em única ou última instância” (art. 105, III).
O STJ não reexamina provas nem refaz a análise dos fatos, regra que a Súmula 7 consolida. Súmula é um enunciado que resume a jurisprudência do tribunal. Desde julho de 2022, a EC 125 exige que quem recorre demonstre a relevância da questão federal discutida. Só com voto de dois terços dos integrantes do órgão julgador o tribunal pode recusar o recurso por esse motivo. Ações penais e de improbidade administrativa são presumidas relevantes.
Quanto trabalho cabe a cada ministro
A tabela reúne os números de 2024 apresentados pelo presidente do tribunal, ministro Herman Benjamin. O total chega a 677 mil decisões com os recursos internos, e a 493 mil sem eles. Dividido pelas 33 cadeiras, o total sem esses recursos dá cerca de 14,9 mil decisões por cadeira. Com eles, a média sobe para 20,5 mil.
Em 2024, o STJ recebeu 501 mil casos e proferiu 677 mil decisões Número de casos e de decisões no ano de 2024, em unidades, e média por cadeira de ministro (divisão por 33)
| Indicador | Total em 2024 | Média por cadeira |
|---|---|---|
| Decisões, com recursos internos | 677 mil | 20,5 mil |
| Casos recebidos | 501 mil | 15,2 mil |
| Decisões, sem recursos internos | 493 mil | 14,9 mil |
Fonte: STJ, dados apresentados pela presidência do tribunal no encerramento do ano judiciário de 2024, segundo a ConJur (20/12/2024). Média por cadeira: cálculo da redação. Elaboração: redação.
Essa média não mostra a carga real de cada gabinete, porque nem todos os casos recebidos vão para os gabinetes. Segundo a ConJur, a amplíssima maioria das 493 mil decisões foi monocrática, ou seja, tomada por um único ministro. Por isso, a média pode esconder diferenças grandes entre os gabinetes.
Casos que começam no STJ e a diferença para o STF
Alguns processos já começam no STJ, na chamada competência originária. O tribunal julga governadores acusados de crimes comuns, como corrupção, além de desembargadores dos TJs e juízes dos TRFs e dos Tribunais Regionais Eleitoral e do Trabalho. Também analisa mandados de segurança contra ministros de Estado e homologa sentenças estrangeiras.
O Supremo Tribunal Federal (STF), com 11 ministros, é o guardião da Constituição. Ele julga o presidente da República e os parlamentares federais por crimes comuns. O STJ, por sua vez, cuida das leis federais, como o Código Civil e o Código Penal. As Justiças Eleitoral, do Trabalho e Militar têm tribunais superiores próprios.
O que diz o STJ: Segundo o presidente do tribunal, ministro Herman Benjamin, o STJ recebeu 501.024 casos e proferiu 677.255 decisões em 2024, conforme a ConJur. A reportagem não localizou outra manifestação institucional do tribunal sobre esses números nas fontes consultadas.
O que isso significa
Os números mostram um tribunal com alto volume de casos para apenas 33 cadeiras de ministro. Quando o STJ fixa uma tese em recursos repetitivos, ou seja, em casos com a mesma dúvida, juízes e tribunais do país devem segui-la. É o que manda o Código de Processo Civil (CPC). Por isso, uma única decisão pode orientar milhares de casos em todo o país.
Os dados de 2024 não permitem medir o efeito do filtro de relevância, criado em 2022. A emenda remete as regras desse filtro à lei, e será preciso acompanhar os anos seguintes para medir seu impacto.
Como fizemos: Usamos os números do STJ para 2024 (casos recebidos e decisões), apresentados pela presidência do tribunal e publicados pela ConJur em 20 de dezembro de 2024, acessados em 20 de outubro de 2026. As médias por cadeira são cálculo nosso: cada total dividido por 33, número previsto na Constituição, como se todas as cadeiras estivessem ocupadas o ano inteiro. Conferimos os artigos da Constituição, das Emendas 122 e 125 e do CPC em cópias do Senado e de sites jurídicos. Por serem contagens, e não valores em dinheiro, os números não passam por correção pela inflação; eles também não mostram a carga de cada gabinete.
Fontes
- Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 — Planalto
- Emenda Constitucional nº 122, de 2022 — Senado Federal (acesso em 20/10/2026)
- Emenda Constitucional nº 125, de 2022 — Senado Federal (acesso em 20/10/2026)
- Emenda Constitucional nº 125, de 2022 — Planalto
- Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015) — Planalto
- STJ bate marca de 500 mil processos recebidos em 2024 — ConJur, 20/12/2024 (dados de 2024; acesso em 20/10/2026)
- Súmula 7 do STJ: alcance e conteúdo — Jus.com.br (acesso em 20/10/2026)
- Tribunais — Conselho Nacional de Justiça (CNJ) (número de TJs e TRFs; acesso em 20/10/2026)
- Superior Tribunal de Justiça
- Supremo Tribunal Federal



