Política

Partidos se dividem entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno

Republicanos, União Brasil, PP, Novo, Podemos e a direção do MDB apoiam Flávio; Lula mantém os aliados do 1º turno e dez diretórios do MDB.

Fachada do Palácio do Planalto, prédio branco de colunas curvas na Praça dos Três Poderes, em Brasília
Palácio do Planalto, sede da Presidência da República, em Brasília (foto de arquivo de agosto de 2025).Foto: Marcos Oliveira / Agência Senado, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Na terça-feira (13), a direção nacional do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) anunciou apoio a Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), no segundo turno. Horas antes, dez diretórios estaduais do partido declararam voto em Lula, do Partido dos Trabalhadores (PT). Diretório é a direção do partido em cada estado.

A divisão do MDB resume o quadro da eleição de 25 de outubro. No primeiro turno, Flávio teve 47,03% dos votos válidos, e Lula, 45,16%, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Votos válidos são os dados a candidatos, sem contar brancos e nulos.

Lula concorreu com o apoio de outros seis partidos: PCdoB, PV, PSB, PDT, PSOL e Rede. O PL lançou Flávio sem aliança, e vários partidos de centro ficaram neutros.

Os apoios a Flávio

A federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas (PP), confirmou apoio a Flávio em 7 de outubro, segundo a Agência Brasil. Federação é uma união de partidos que atuam juntos por pelo menos quatro anos. No mesmo dia, o Republicanos e o Novo também aderiram. O Podemos anunciou apoio no dia 8, segundo o jornal O Povo.

O presidente do Republicanos, Marcos Pereira, disse que o apoio “não é um cheque em branco”. Ele também afirmou que o partido vai respeitar “eventuais particularidades locais”, segundo o site Congresso em Foco. No MDB, 17 dos 27 diretórios acompanharam a direção nacional, entre eles os de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Ex-candidatos também escolheram lado, como Romeu Zema (Novo). Ronaldo Caiado, quinto colocado, anunciou apoio a Flávio após encontro em Goiânia, em 6 de outubro, informou a Agência Brasil. Terceiro colocado, Augusto Cury (Avante) declarou em 8 de outubro um apoio com condições, segundo o g1. “A confiança de Augusto Cury não constitui um cheque em branco”, diz o documento divulgado por ele.

Lula, neutros e divididos

Além dos aliados do primeiro turno, Lula recebeu o apoio de partidos menores de esquerda, segundo O Povo. São eles Unidade Popular (UP), Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) e Partido Comunista Brasileiro (PCB). Os diretórios do MDB que ficaram com ele são de Amazonas, Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Paraíba e Rondônia. Em nota, eles disseram que interromper o atual ciclo “seria deixar obras pela metade, recursos parados e o povo esperando”.

Outros partidos preferiram não escolher. O Partido Social Democrático (PSD), de Caiado, anunciou neutralidade na noite do primeiro turno e liberou os filiados, segundo o SBT News. O Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) fez o mesmo no dia 8, em nota assinada por seu presidente, Aécio Neves. Renan Santos (Missão), quarto colocado, não apoiou ninguém e disse que o eleitor é livre para decidir, segundo o Estadão.

Os governadores também se dividiram. Dos eleitos no primeiro turno, 12 apoiam Flávio e 5 apoiam Lula, segundo levantamento da CNN Brasil. Há exceções à linha dos partidos: Lucas Ribeiro (PP-PB) e Fábio Mitidieri (PSD-SE) estão com Lula.

O que diz a campanha de Flávio Bolsonaro: Flávio tem dito que um Congresso mais à direita pode ajudá-lo a mudar a Constituição. “O Brasil vai voltar ao normal”, afirmou em 7 de outubro, ao receber o apoio de União Brasil e PP, segundo a Bloomberg Línea.

O que diz a campanha de Lula: Lula tem defendido o fim da escala 6x1 e cobrado a posição de Flávio sobre o tema no Senado. “Na hora que o Senado começar a votar, a máscara vai começar a cair”, disse em 6 de outubro, segundo a Agência Brasil.

Flávio reuniu mais apoios formais de partidos e de governadores. Mas o PSD e o PSDB liberaram seus filiados, e MDB, PP e Republicanos têm líderes nos dois lados. Apoio de partido não garante voto, e a palavra final será dos eleitores em 25 de outubro.

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