Política

Candidatos que apoiam Flávio somam 5,4% dos votos do 1º turno

Os candidatos que declararam apoio a Flávio tiveram 5,38% dos votos válidos no 1º turno; 12 dos 21 governadores eleitos o apoiam.

Flávio Bolsonaro, de terno azul e gravata amarela, ao lado do advogado Frederick Wassef, diante de microfones de emissoras em entrevista coletiva
Flávio Bolsonaro em entrevista coletiva no Senado, em 2021 (foto de arquivo; à direita, o advogado Frederick Wassef).Foto: Pedro França / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

No primeiro turno, em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro (PL) teve 47,03% dos votos válidos. Lula (PT) teve 45,16%. Votos válidos são os votos dados a candidatos, sem contar brancos e nulos. Nenhum dos dois chegou à maioria, e ambos disputam o segundo turno em 25 de outubro.

Desde então, partidos e líderes anunciaram apoio, neutralidade ou liberaram seus filiados. Quanto esses apoios pesam em votos? Na eleição presidencial, o eleitor escolhe um candidato, não um partido. Por isso, a conta começa pelos candidatos.

Quanto pesam os apoios

Os dez candidatos que ficaram fora do segundo turno somaram 9,3 milhões de votos, ou 7,81% dos válidos. A tabela mostra como esse grupo se divide, segundo a posição que cada candidato declarou.

Votos dos candidatos fora do segundo turno, por posição declarada Número de votos e % dos votos válidos (119.300.788), primeiro turno de 4 de outubro de 2026

Posição declarada no 2º turno Votos % dos válidos
Apoio a Flávio (Cury, Caiado, Zema, Clariana Barão) 6.420.248 5,38%
Sem apoio declarado ou voto nulo (Renan Santos, Rui Costa Pimenta, Wilson Grassi) 2.707.792 2,27%
Apoio a Lula, com ressalvas (Samara Martins, Hertz Dias, Edmilson Costa) 188.707 0,16%

Fonte: TSE, conforme reproduzido pela CartaCapital em 5/10/2026. Agrupamento e percentuais: redação.

Os candidatos que declararam apoio a Flávio somaram 6,4 milhões de votos. Esse bloco concentra 69% dos votos dos dez candidatos derrotados. Augusto Cury (Avante) deu um “voto de confiança condicionado”. Ronaldo Caiado (PSD) apoia Flávio a título pessoal, porque o partido ficou neutro.

Os que declararam voto em Lula somaram 0,16%. Renan Santos (Missão), com 2,24%, não declarou apoio a nenhum dos dois, segundo O Povo.

A conta tem dois limites. O TSE conta candidatos, não partidos. Republicanos, União Progressista, MDB e Podemos não lançaram candidato à Presidência, por isso seus apoios não aparecem na tabela.

Governadores e partidos

Entre os 21 governadores eleitos no primeiro turno, 12 apoiam Flávio, 5 apoiam Lula e 4 estão neutros, segundo O Povo. Os cinco eleitos com apoio a Lula são da Bahia, do Ceará, da Paraíba, do Piauí e de Sergipe. Todos ficam no Nordeste.

O MDB formalizou apoio a Flávio em 13 de outubro, segundo o Congresso em Foco. Mas dez diretórios estaduais, todos do Norte e Nordeste, declararam voto em Lula. Os outros 17 diretórios apoiam Flávio.

O Republicanos formalizou apoio a Flávio em 7 de outubro. Tarcísio de Freitas, governador reeleito de São Paulo, disse no anúncio: “Viva Flávio Bolsonaro, vamos pra vitória”. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já havia anunciado apoio a Lula, segundo o Poder360.

O PSD, de Gilberto Kassab, ficou neutro. O PSDB liberou seus membros em 8 de outubro. Já PT, PCdoB, PV, PSB, PDT, PSOL e Rede mantiveram o apoio a Lula, segundo O Tempo. Em 20 de outubro, o senador Flávio Arns (PSB-PR) declarou apoio à reeleição de Lula.

A PCO (Partido da Causa Operária) orientou voto nulo. O PCB (Partido Comunista Brasileiro) pediu apoio a Lula. O PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado) fará “voto crítico no 13”, mas “nenhum apoio” ao governo.

O que o histórico mostra

Não encontramos levantamento verificado, feito depois da eleição de 2022, sobre para onde foram os votos de Simone Tebet (MDB) e Ciro Gomes (PDT). Encontramos apenas pesquisas feitas antes da votação.

Uma pesquisa do Instituto Atlas/Intel, divulgada em 24 de outubro de 2022, dava a Lula 69,6% dos eleitores de Tebet. Na pesquisa anterior, o índice era 54,2%. Entre os eleitores de Ciro, Lula tinha 51,13%. O instituto não informou o período de coleta.

Esses números são intenção de voto, não resultado. Eles mostram que o eleitor de um candidato derrotado se move. Não separam o efeito do apoio do efeito da campanha.

O que vem a seguir

Até a publicação, não encontramos anúncio nacional de partido posterior a 20 de outubro. A decisão está marcada para 25 de outubro. Os quatro governadores neutros estão em Alagoas, no Amapá, no Maranhão e em Pernambuco.

O que diz o PSD: Em nota de 4 de outubro, Gilberto Kassab afirmou que a “direção nacional entende como natural manter esta diretriz neste segundo turno”, ou seja, a neutralidade. A nota diz que cada diretório e filiado terá “liberdade” para escolher seu apoio.

Como fizemos: Usamos a tabela de votos por candidato do TSE, reproduzida pela CartaCapital em 5 de outubro de 2026 e acessada em 22 de outubro. O site do TSE não abriu na nossa verificação, por isso os valores vêm da reprodução. Os grupos e percentuais são nossos cálculos: somamos os votos de cada grupo e dividimos pelos 119.300.788 votos válidos. O apoio da UP (Unidade Popular) a Lula vem de uma única reportagem, do O Povo, de 14 de outubro. As posições dos partidos foram conferidas em reportagens de 5 a 20 de outubro. Decisões posteriores a essa data não estão no texto.

Fontes