ReportagemPolítica

Registro público mostra quem impulsiona a tese de fraude nas urnas

Decisões do TSE, pedidos do MP Eleitoral e reportagens mostram quem impulsiona a tese de fraude nas urnas em 2026 e em que fase está cada caso.

Homem de camisa cinza carrega caixa de papelão com a inscrição 'Urna Eletrônica UE 2013' pela porta de uma escola; eleitores aguardam ao lado
Caixa com urna eletrônica é carregada na porta de uma escola do Gama (DF), no dia do segundo turno de 2022.Foto: Pedro França / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Lula foi reeleito no domingo (25) com 51,79% dos votos válidos. Naquela noite, Flávio Bolsonaro (Partido Liberal, PL) disse que é “impossível reconhecer o resultado das eleições”, segundo o Jovem Pan. A tese de fraude nas urnas, porém, circula há meses.

Políticos que levantaram a suspeita

Em 21 de julho, numa reunião com diplomatas, Flávio disse que as máquinas brasileiras têm “a mesma origem dessa empresa venezuelana”, a Smartmatic, segundo o DGABC. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) respondeu que a empresa “não forneceu nem fornece urnas eletrônicas para as eleições brasileiras”. Em 22 de julho, a Federação Brasil da Esperança, que reúne o Partido dos Trabalhadores (PT), pediu multa de R$ 30 mil contra Flávio no TSE, segundo o Brasil de Fato.

Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal, também foi alvo. Em decisão provisória de fim de agosto, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, mandou remover em 24 horas posts que ligavam a Smartmatic às urnas. Para ele, a associação “reveste-se de caráter enganoso”. O plenário do TSE ainda vai analisar a decisão.

Plataformas, perfis e influenciadores

Em 10 de outubro, a pedido do Ministério Público Eleitoral (MP Eleitoral), o TSE deu decisão provisória para remover posts no Instagram, no Threads e no X. Os conteúdos falavam em fraude e em servidores da Justiça Eleitoral. Segundo o MP Eleitoral, há quase 10 mil links semelhantes.

A decisão prevê multa de R$ 100 mil por hora e obriga as plataformas a informar quem publicou. As contas não foram nomeadas no comunicado.

Uma reportagem da Agência Pública, de agosto, republicada pelo Aos Fatos, listou dez influenciadores ligados à desinformação ou à tentativa de golpe. Entre eles:

  • Oswaldo Eustáquio: denunciado por associação criminosa no inquérito sobre a tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023.
  • Allan dos Santos: considerado foragido pela Justiça brasileira. Há ordem de prisão preventiva do Supremo Tribunal Federal (STF) contra ele desde outubro de 2021.
  • Léo Índio (Leonardo Rodrigues de Jesus): alvo de inquérito sobre a tentativa de golpe. A Justiça determinou prisão em 2025, segundo a reportagem.
  • Enzo Momenti: alvo da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News e do inquérito das fake news. Ele disse que “todas as redes foram desbloqueadas e meu nome limpo”.

Segundo a reportagem, o PT denunciou ao TSE uma rede de ao menos 31 páginas, com 1,4 milhão de seguidores, que publica conteúdo feito com inteligência artificial (IA). O Google disse que cumpre ordens judiciais válidas. A Meta afirmou que intensifica ações contra o uso indevido de imagens de candidatos e figuras públicas.

O que o TSE e as checagens desmentiram

O TSE mantém o Fato ou Boato, plataforma criada em 2020 com parceiros como AFP, Agência Lupa, Aos Fatos, Boatos.org, Comprova e E-farsas.

Em 6 de outubro, o TSE negou fraude ligada a uma pausa de 50 minutos na divulgação do resultado do primeiro turno. “O erro foi apenas na divulgação e não na contabilização dos votos”, disse o tribunal, segundo a Agência Brasil. Em 15 de outubro, o Boatos.org classificou como falsa a informação de que o TSE cortou 4.384 seções. O número se referia ao Tocantins.

Nenhuma dessas checagens identifica quem publicou as mensagens. Um estudo do Projeto Confia, do Pacto pela Democracia, analisou 716 mensagens selecionadas de 2022 e 2024. Dessas, 326, ou mais de 45%, miravam as urnas.

O que diz Flávio Bolsonaro: No domingo (25), disse que é “impossível reconhecer o resultado das eleições”, segundo o Jovem Pan. Em agosto, admitiu que pode ter se expressado mal sobre a Smartmatic e afirmou que pediu “mais segurança e transparência, nada além disso”, segundo o InfoMoney.

O que segue em aberto

As decisões sobre posts são provisórias. A de Eduardo Bolsonaro ainda depende do plenário do TSE. Não há decisão de mérito sobre a representação do PT contra Flávio. Os processos dos influenciadores estão em sigilo, então não é possível confirmar se as retiradas de páginas seguem válidas.

Nenhuma das fontes aponta fraude na contagem dos votos. O registro público mostra decisões, pedidos e reportagens sobre quem impulsionou a narrativa, nos termos de cada fonte citada.

Como fizemos: Usamos a decisão do TSE divulgada pelo MP Eleitoral em 13/10/2026, reportagens da Agência Pública e do Aos Fatos (19/08/2026), da Agência Brasil, da InfoMoney, do Brasil de Fato, do DGABC, do Bahia Notícias, do O Hoje e do Boatos.org, acessados em 26/10/2026, antes da publicação. Os números de links, seguidores, seções e mensagens vêm das fontes citadas. A proporção do Projeto Confia (326 de 716) é nossa conta sobre os números publicados. Não conseguimos abrir o site do TSE para conferir a decisão original. As pessoas citadas não foram contatadas diretamente nesta versão; as posições vêm de manifestações públicas.

Fontes