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Relatório da Defesa de 2022 não achou fraude, mas apontou riscos

Militares entregaram ao TSE, em 9 de novembro de 2022, relatório sem fraude comprovada, mas que não descartou código malicioso nas urnas.

Urna eletrônica modelo UE2020, de cor clara, com tela escura, teclado numérico com as teclas BRANCO, CORRIGE e CONFIRMA, e uma tela menor ao lado, sobre uma base branca
Urna eletrônica modelo UE2020, usada nas eleições brasileiras, em foto de dezembro de 2021.Foto: Antonio Augusto / TSE / Wikimedia Commons (domínio público)

O Ministério da Defesa enviou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na quarta-feira (9) de novembro de 2022, o relatório de técnicos militares sobre o sistema eletrônico de votação. O documento não apontou fraude. Mas disse que não é possível afirmar que as urnas estejam livres de um eventual código malicioso, ou seja, um programa escondido capaz de alterar seu funcionamento.

O TSE criou em setembro de 2021 a Comissão de Transparência das Eleições (CTE), para ampliar a fiscalização do processo eleitoral. Os militares foram convidados a integrar o grupo, segundo a Folha de Pernambuco. Em junho de 2022, o então ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, escreveu que as Forças Armadas “não se sentem devidamente prestigiadas” por atender ao convite.

O que o relatório encontrou

Segundo o Poder360, a equipe não encontrou inconformidade ao comparar os boletins de urna com os resultados divulgados pelo TSE. O boletim de urna é o documento impresso por cada urna, com a contagem de votos da seção.

O ponto de maior alerta é a compilação. Compilar é transformar o código-fonte, o texto do programa escrito por pessoas, em código binário, que a máquina executa. Segundo a Agência Brasil, o ministro escreveu que o acesso à rede nessa etapa “pode configurar relevante risco à segurança do processo”.

Os militares também tiveram limites. Segundo a Jovem Pan, “foram autorizadas somente análises estatísticas, ou seja, foi impossibilitada a execução dos códigos-fonte”. Por isso, a pasta pediu ao TSE uma “investigação técnica” sobre a compilação.

Nota, PGR e auditorias

No dia seguinte, 10 de novembro, o ministério divulgou nota sobre o relatório. O TSE respondeu no mesmo dia. Em nota, o tribunal disse ter recebido “com satisfação” o documento e afirmou que ele “não apontou a existência de nenhuma fraude ou inconsistência nas urnas eletrônicas e no processo eleitoral de 2022”. As sugestões seriam analisadas no momento oportuno.

Em 14 de novembro, a Procuradoria-Geral da República (PGR) afirmou que as observações eram “apenas possíveis pontos de aperfeiçoamento futuro para as urnas eletrônicas”. Segundo a CartaCapital, senadores aliados de Jair Bolsonaro tinham pedido investigação com base no relatório.

Em dezembro de 2023, o Tribunal de Contas da União (TCU) concluiu sua auditoria sobre as eleições de 2022. Foram conferidos 4.577 boletins de urna, sorteados ao acaso. O resultado foi “a confirmação sem divergências” entre os dados das urnas e os resultados oficiais, segundo O Imparcial.

A fala de Mauro Cid

Em 2025, a delação do ex-ajudante de ordens Mauro Cid trouxe o tema de volta ao debate. Em depoimento gravado em 21 de novembro de 2024, Cid disse que Bolsonaro “queria que escrevesse que tivesse fraude”, segundo o Poder360. Ele afirmou que o texto final foi “um meio termo” entre o que o ex-presidente queria e o trabalho técnico do general.

Trata-se de relato em delação, não de conclusão técnica. As reportagens consultadas não trazem resposta da defesa de Bolsonaro. Também não ligam a fala a denúncia ou decisão judicial sobre o relatório.

O que diz o Ministério da Defesa: Em nota de 10 de novembro de 2022, a pasta afirmou que o relatório “não tenha constatado indícios de fraude nas eleições deste ano, também não descarta a possibilidade”. A nota foi publicada pelo O Povo; não localizamos o texto no site oficial do ministério.

O que isso significa

O relatório não apontou fraude. Também não afastou a possibilidade de código malicioso e pediu uma investigação técnica sobre a compilação. As duas coisas estão no mesmo documento, e uma leitura honesta precisa citar as duas.

A PGR não viu indícios para investigar o sistema, e o TCU não encontrou divergências em 2022. Não encontramos, nas fontes consultadas, detalhamento público da resposta técnica do TSE às sugestões.

Como fizemos: Usamos reportagens de 9 e 10 de novembro de 2022 que citam o texto do relatório, a nota do TSE, a posição da PGR de 14/11/2022, a auditoria do TCU de dezembro de 2023 e a reportagem sobre a delação de Mauro Cid de 20/02/2025. O relatório integral não foi localizado, então as citações vêm das reportagens. Acessos em 26/10/2026. Não há cálculos próprios.

Fontes