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Bolsa se recuperou em 1987 e 2020, mas em 2008 caiu ainda mais

Quedas da bolsa em 1987, 2008 e 2020 tiveram desfechos diferentes. Estudos mostram que acertar o fundo é quase impossível e que ativos podem perder valor.

Fachada de pedra do prédio da Bovespa, com três portões de ferro e letras douradas com o nome Bovespa
Fachada do prédio da Bovespa, no centro de São Paulo, em foto de arquivo de 2017.Foto: Wilfredor / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Nesta segunda-feira (26), logo no início do pregão, a B3, bolsa de valores de São Paulo, acionou o circuit breaker. É um mecanismo que para os negócios quando o Ibovespa, principal índice de ações da bolsa, cai 10% em relação ao fechamento anterior. As negociações foram suspensas por 30 minutos, segundo o Seu Dinheiro. O movimento segue a reeleição de Lula, no domingo (25). Às 10h15, o dólar já subia 12,21%, a R$ 5,602, segundo a Suno.

A pergunta que surge em dias assim é o que aconteceu depois de quedas parecidas. A história não dá uma regra. Ela mostra recuperações e também quedas que continuaram depois do pânico.

Três quedas, três desfechos

Em 19 de outubro de 1987, o S&P 500, índice das 500 maiores empresas listadas nos Estados Unidos, caiu 20,47%. Foi a maior queda diária da história do índice, segundo a Wikipedia. O índice voltou à máxima anterior em 26 de julho de 1989, cerca de 21 meses depois.

No Brasil, o Ibovespa caiu 13,92% em 16 de março de 2020, para 71.168 pontos. Foi o quinto circuit breaker da B3 em duas semanas, segundo a InfoMoney. Em março inteiro, o índice perdeu 29,91% e fechou o mês aos 73.019 pontos.

Nos Estados Unidos, o S&P 500 voltou a fechar em máxima histórica em 18 de agosto de 2020. Foi cerca de seis meses após o tombo, segundo a emissora pública americana NPR.

Em 2008, a história foi outra. O Ibovespa chegou a 73.517 pontos em 20 de maio e fechou o ano com perda de 41,22%, segundo uma coluna do InfoMoney. Nos Estados Unidos, o Dow Jones, que reúne 30 grandes empresas, teve sua pior semana da história entre 6 e 10 de outubro, com queda de 18,2%.

A queda não parou ali. Em 6 de março de 2009, o Dow chegou a 6.469,95 pontos, o menor nível do período, segundo a Wikipedia. Em anos de eleição, a bolsa também pode cair. O Poder360 registrou quedas do Ibovespa em 1998, 2002 e 2014, e em 1998 a queda foi de 33,5%.

Por que acertar o fundo é quase impossível

Hendrik Bessembinder, professor da Arizona State University (ASU), estudou ações americanas desde 1926. Ele mostrou que 86 ações responderam por US$ 16 trilhões de criação de riqueza, metade do total do mercado. Os outros 96% das ações, juntas, renderam o mesmo que os Treasury bills, títulos de curto prazo do governo dos EUA.

Um estudo relacionado, sobre 1991 a 2020, mostra que 55,2% das ações americanas e 57,4% das estrangeiras ficaram abaixo dos Treasury bills de um mês. Já a gestora J.P. Morgan Asset Management afirma que perder os 10 melhores dias do mercado, nos últimos 20 anos, teria reduzido em quase 50% o retorno anualizado de uma carteira. Esse retorno é o ganho médio por ano, com juros compostos.

Os melhores dias, porém, costumam cair perto dos piores. O raciocínio é simples: quem vende no pior momento pode ficar fora da recuperação.

O que diz a J.P. Morgan Asset Management: Em comunicado de 4 de março de 2025, a gestora afirma que reações emocionais às quedas podem prejudicar carteiras, porque os melhores dias tendem a ocorrer perto dos piores. O texto original está em inglês; a tradução é nossa.

O contraponto é igualmente claro. Pânicos podem se aprofundar, como mostrou o Dow entre outubro de 2008 e março de 2009. Ativos também podem perder valor. Uma ação pode não se recuperar nunca, e a maioria delas rendeu menos que títulos do governo ao longo da vida, segundo o estudo de Bessembinder.

Os casos mostram recuperações, mas em prazos muito diferentes. Mostram também que a queda pode continuar depois do primeiro susto. Nenhum desses dados diz o que a bolsa fará nos próximos dias. Este texto não recomenda comprar, vender nem esperar. Ativos podem perder valor, e pânicos podem se aprofundar.

Como fizemos: Usamos reportagens da InfoMoney (16/03/2020, fechamento de março de 2020 e uma coluna de 2010), do Poder360 (2022), da Wikipedia (1987 e 2008), da NPR (2020), a página da ASU sobre o estudo de Bessembinder, o comunicado da J.P. Morgan Asset Management (4/3/2025) e as reportagens da Suno e do Seu Dinheiro de 26/10/2026, acessadas nesse mesmo dia. Os números de 26/10 são do início do pregão e vêm atribuídos. Não usamos o fechamento do dia, porque esta versão foi publicada antes do fim do pregão. Calculamos o intervalo de 19/10/1987 a 26/07/1989, cerca de 21 meses. Os dados de 2008 vêm de fontes não oficiais, e a B3 deve ser consultada antes de qualquer uso formal. Não encontramos estudo que meça o resultado médio de quem manteve posições após pânicos, por isso o texto não faz essa afirmação. Não lemos o estudo completo de Bessembinder, apenas a página da universidade.

Fontes