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Ibovespa levou 18 anos para voltar ao recorde real de maio de 2008

O Ibovespa caiu cerca de 60% entre maio e outubro de 2008, e só em 2026 superou o recorde de maio corrigido pela inflação.

Três portões de ferro em arco na fachada de pedra do antigo prédio da Bovespa, com a palavra BOVESPA em letras douradas nos portões laterais
Entrada do antigo prédio da Bovespa, hoje sede da B3, no centro de São Paulo.Foto: Wilfredor / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Em 20 de maio de 2008, o Índice Bovespa (Ibovespa) fechou aos 73.517 pontos, no recorde histórico da época. Pouco mais de cinco meses depois, em 27 de outubro, o índice chegou a 29.435 pontos. A queda foi de cerca de 60%.

O Ibovespa reúne as ações mais negociadas da B3, a bolsa de valores brasileira. Quando um mercado cai forte, a pergunta sobre o fundo aparece logo. Os casos abaixo mostram que a resposta pode levar anos.

Este texto não é recomendação de investimento. Ativos podem perder valor, e uma queda pode se aprofundar depois de começar.

Cinco quedas e o tempo de espera

  1. Ibovespa, 2008. O índice fechou 2008 com perda de 41,22%, segundo a InfoMoney. Só em 15 de abril de 2026, 18 anos depois, superou o pico de maio de 2008 corrigido pela inflação, segundo o Poder360.

  2. S&P 500, 2000 a 2002. O índice das 500 grandes empresas dos Estados Unidos caiu 49,1%, de 1.527,46 pontos em 24 de março de 2000 para 776,76 em outubro de 2002. Só em 30 de maio de 2007 voltou a fechar acima do topo antigo, cerca de sete anos depois, segundo a Stacker, empresa de dados que publicou a série.

  3. S&P 500, 2007 a 2009. A queda foi de 56,8%, do pico de 9 de outubro de 2007 ao fundo de 9 de março de 2009, segundo a Stacker. A máxima anterior só foi superada em 28 de março de 2013, mais de cinco anos depois, segundo a NPR, rádio pública dos Estados Unidos.

  4. Brasil, 2013 a 2015. O Ibovespa fechou em queda por três anos seguidos. Em 2013, a perda foi de cerca de 15%, segundo o Jornal do Brasil (JB). Em 2015, caiu 13,31%, para 43.349 pontos, enquanto o dólar subiu 48,5% no ano, segundo a InfoMoney.

  5. Americanas, 2023 e 2024. Em 11 de janeiro de 2023, último pregão antes do anúncio de inconsistências contábeis de pelo menos R$ 20 bilhões, as ações valiam R$ 12, segundo a Forbes Brasil. Em 26 de agosto de 2024, chegaram a R$ 0,05 durante o pregão, a mínima histórica, pouco antes de um grupamento de ações, em que várias viram uma só. Isso equivale a uma queda de 99,58% em relação a R$ 12.

Por que a queda se aprofunda

Três mecanismos ajudam a explicar por que uma queda pode crescer. O primeiro é a alavancagem, que é usar dinheiro emprestado para aplicar mais do que o próprio capital. Segundo a Forbes Brasil, a operação pode multiplicar os ganhos e, da mesma forma, “também pode multiplicar as perdas”.

Quando a garantia do empréstimo acaba, a corretora pode encerrar a posição à força. Nesse caso, o investidor continua obrigado a devolver o valor tomado, segundo a mesma reportagem.

O segundo mecanismo é a concentração. Um índice reúne muitas empresas, e a queda de uma pode ser compensada pelas outras. Uma ação isolada depende de uma única companhia. No caso da Americanas, a perda se acumulou ao longo de 19 meses.

O terceiro é a venda no pânico. Quem vende no fundo transforma uma perda no papel em perda definitiva. A conta é simples: uma queda de 50% exige uma alta de 100% para voltar ao ponto de partida.

Nenhum desses casos teve um aviso claro do ponto mais baixo. O fundo só é reconhecido depois que a queda termina. A história mostra quanto a espera pode durar, mas não mostra quando ela termina.

O que diz a Clear Corretora: Roberto Indech, da corretora, afirmou que “a operação do cliente poderá ser encerrada compulsoriamente pelo time de risco”, segundo a Forbes Brasil (27/5/2022). Não encontramos manifestação recente da corretora sobre os casos de 2008, 2015 ou 2023.

Os cinco casos não preveem o que acontece agora. Cada mercado tem sua história, e o Brasil de 2008 não é o de 2026. O padrão, porém, se repete: quedas fortes podem durar meses ou anos, e a volta ao topo pode levar mais tempo do que muitos esperam.

O que segue em aberto é quanto dura a queda atual, e quanto cada investidor consegue suportar perdas. Ativos podem perder valor. Nenhum número deste texto garante retorno, para quem espera ou para quem compra.

Como fizemos: Usamos dados da InfoMoney (coluna de 4/8/2010 e reportagens de 30/12/2015), do Poder360 (15/4/2026), da Stacker, republicada pela KEYT (12/8/2026), da NPR (28/3/2013), do JB (30/12/2013) e da Forbes Brasil (27/5/2022, 19/1/2023 e 26/8/2024), acessados em 26/10/2026. As quedas de 60% (de 73.517 para 29.435 pontos), de 99,58% (de R$ 12 para R$ 0,05) e a conta de 50% e 100% são cálculos da redação. Não verificamos se os níveis de 2008 são de fechamento ou intradiários. Fontes diferem em um dia em algumas datas, como a mínima do S&P 500 em 2002. Não usamos cotações do pregão de 26/10/2026.

Fontes