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Sheinbaum, Orsi e Peña parabenizam Lula; Milei fica em silêncio

Presidentes de México, Uruguai, Paraguai e Chile reconheceram a vitória de Lula. Argentina e Estados Unidos ficaram sem manifestação até a madrugada.

Cinco pessoas sorriem ao ar livre, sob árvores. Claudia Sheinbaum é a segunda da esquerda para a direita, e Lula é o último à direita.
Lula (à direita) com Gustavo Petro e os presidentes Claudia Sheinbaum e Yamandú Orsi, em almoço oferecido por Petro em 18 de abril de 2026.Foto: Ricardo Stuckert/PR / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

No domingo (25), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente com 51,79% dos votos válidos, ou seja, os que não são brancos nem nulos. Flávio Bolsonaro (PL) teve 48,21%, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Logo depois, governos estrangeiros começaram a reagir.

Até a madrugada desta segunda-feira (26), a maior parte das manifestações oficiais veio da América Latina. As ausências mais notadas são as da Argentina e dos Estados Unidos. O mapa dessas reações mostra com quem o governo encontra apoio imediato e onde a relação ainda não está definida.

Na vitória, Lula disse que “esse país não aceita ser quintal de ninguém”, segundo O Povo. Em política, “quintal” é a área de influência de uma potência. A frase repete o que ele disse na ONU em setembro: “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”. Na ocasião, a fala foi lida como referência aos Estados Unidos, segundo o Jornal do Comércio.

Quem já se manifestou

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, escreveu: “Viva a democracia, ganhou o povo do Brasil.” O presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, disse ter falado com Lula. Ele afirmou: “Acabo de falar com o presidente eleito do Brasil.”

No Paraguai, Santiago Peña escreveu: “Continuaremos trabalhando juntos pelo bem-estar de nossos povos.” O boliviano Rodrigo Paz disse: “Parabenizo o presidente Lula por sua vitória.” No Chile, José Antonio Kast afirmou ter conversado com Lula, e a chancelaria chilena reconheceu o resultado.

Também houve mensagens do Equador, do Peru, do Panamá, da República Dominicana e de Cuba. O cubano Miguel Díaz-Canel chamou Lula de “caro irmão” e falou em “vitória histórica”. Segundo a Bloomberg Línea, o governo venezuelano elogiou em comunicado a participação dos eleitores.

Reações oficiais até a madrugada de 26/10

País Reação registrada
México Sheinbaum parabenizou Lula nas redes
Uruguai Orsi conversou com Lula por telefone
Paraguai Peña escreveu nas redes sociais
Chile Kast disse ter conversado com Lula
Argentina Milei em silêncio; governo evitou parabenizar
Estados Unidos Sem declaração de Trump encontrada

Fonte: InfoMoney, CNN Brasil, Bloomberg Línea, CBS News. Elaboração: redação.

Quem ficou de fora

O presidente argentino, Javier Milei, ficou em silêncio até a noite. Segundo a Bloomberg Línea, citando o jornal La Nación, o governo argentino evitou parabenizar o vencedor. Dias antes da votação, Milei havia chamado Lula de “esquerdista ladrão”, também segundo a reportagem.

Donald Trump disse no domingo que acompanhava a eleição, sem apoiar nenhum candidato, segundo a CBS News. Até a publicação, não encontramos declaração dele sobre o resultado. Um site brasileiro atribuiu a Trump uma frase sobre a eleição, citando a agência EFE. Não confirmamos essa fala em outras fontes, e por isso não a reproduzimos.

China, União Europeia e Mercosul também não aparecem com manifestação nas reportagens consultadas. Até o fechamento desta edição, não encontramos posição pública deles sobre o resultado.

O que diz Lula: Na noite da vitória, disse que “esse país não aceita ser quintal de ninguém” e que a eleição exigiu vencer a “intromissão de fora para dentro” (O Povo, 25/10/2026).

O que isso significa

Governos de direita e centro-direita estão entre os que se manifestaram, como os de Chile, Equador, Paraguai, Bolívia e Panamá, segundo o Metrópoles. O apoio vem de campos políticos diferentes, o que indica disposição de manter a cooperação regional.

A ausência de Milei é o ponto mais sensível. Brasil e Argentina integram o Mercosul, e o silêncio de Buenos Aires deixa em aberto o tom da relação no novo mandato. Sobre os Estados Unidos, não há manifestação oficial registrada até agora.

O que está em aberto é a disputa interna. Flávio Bolsonaro disse: “É impossível reconhecer o resultado dessa eleição no contexto em que essas coisas aconteceram.” Segundo a InfoMoney, ele afirmou que vai pedir a anulação da eleição ao TSE. As respostas de Argentina e Estados Unidos dirão muito sobre a política externa de Lula a partir de 2027.

Como fizemos: Reunimos reportagens publicadas entre 25 e 26/10/2026 pela InfoMoney, CNN Brasil, Brasil de Fato, Bloomberg Línea, Metrópoles, Seu Dinheiro, O Povo e CBS News, acessadas em 26/10/2026. O percentual do segundo turno vem de dados do TSE divulgados pela Bloomberg Línea, porque o portal do tribunal não abriu na consulta. As ausências valem até a madrugada de 26/10 e podem mudar. Uma fala de Trump citada pelo Brasil 247 não foi confirmada e ficou de fora.

Fontes