Zanin prorroga votação até as 19h e TSE pausa apuração
Liminar atendeu a pedido da campanha de Lula por falhas no transporte. Opositores criticam a medida, que ficou limitada às seções ainda abertas.

Por volta das 17h de domingo (25), o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), prorrogou por duas horas a votação do segundo turno. O encerramento, previsto em lei para as 17h, passou para as 19h, segundo o Poder360.
A decisão atendeu a um pedido da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por meio da coligação Brasil Pronto Pra Mais, segundo a CNN Brasil. A campanha disse que prefeituras da Bahia e de São Paulo reduziram a frota de ônibus, o que dificultou o voto. A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) também pediu mais tempo, por causa de chuvas e alagamentos em cidades do Sul e do Sudeste, segundo o Metrópoles.
Base legal e alcance da decisão
O caso chegou ao STF como reclamação, ação que pede à Corte que cobre o cumprimento de decisão anterior. Segundo o Poder360, a campanha alegou descumprimento de decisão do próprio STF que garante transporte gratuito a eleitores no dia da votação. O processo foi sorteado a Zanin às 16h33, segundo o mesmo site.
Na liminar, decisão provisória tomada antes do julgamento final, Zanin escreveu que determinava a prorrogação “por duas horas, até as 19h, horário de Brasília”. Ele citou “a gravidade dos fatos narrados” e a “urgência evidente na medida”. Coube ao TSE cumprir a ordem.
A contagem parou e a medida foi limitada
A totalização, ou seja, a soma dos votos, foi suspensa às 17h20. A informação é do Centro de Divulgação das Eleições, segundo a InfoMoney. O TSE não informou, naquele momento, quando a contagem seria retomada.
Depois da primeira ordem, Zanin esclareceu que a extensão valeria só para as urnas que ainda estavam abertas. Os votos já registrados nas urnas fechadas, disse, seriam computados. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, orientou os tribunais regionais a manter em funcionamento apenas as seções ainda abertas até as 19h.
Quem criticou
O Ministério Público Eleitoral (MPE) se manifestou contra a prorrogação. O vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa Bravo Barbosa, defendeu o fechamento às 17h. Para ele, “o horário de votação fixado por lei deve se manter inalterado”, segundo o NDmais.
Ministros do TSE, ouvidos pela CNN Brasil em caráter reservado, disseram que Zanin interferiu em atribuição do tribunal. Kassio Nunes Marques declarou, após o segundo turno: “Não é uma decisão convencional. Prorrogar uma eleição é possível, mas tem que ser pensada e calculada”, segundo O Tempo.
Na oposição, o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) classificou a medida como “surreal”. Ele anunciou que vai protocolar pedido de impeachment de Zanin por “atuação desidiosa”. Até agora, não encontramos registro do protocolo. O senador Rogério Marinho (PL-RN) chamou a decisão de “intempestiva”, segundo a Exame. O Metrópoles informa que Flávio Bolsonaro vai à Justiça pedir a anulação das eleições presidenciais.
Van Hattem e outros opositores lembram que Zanin foi advogado pessoal de Lula antes de chegar ao STF. Para eles, isso afeta a imparcialidade do ministro.
Defesas e a situação em Salvador
Lula disse, na tarde de domingo, que a campanha pediu a prorrogação para que eleitores prejudicados pudessem votar. Ele citou problemas em São Paulo, Salvador, Feira de Santana e outras cidades, segundo a Agência Brasil.
Em Salvador, o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) determinou a volta da frota completa, com multa de R$ 1 milhão por hora em caso de descumprimento. A prefeitura disse ter liberado todos os ônibus das garagens. O prefeito Bruno Reis atribuiu os problemas a questões operacionais e a mobilizações. A Semob registrou 75 ônibus retidos em uma garagem, segundo a Agência Brasil. O governo da Bahia afirmou que fiscais encontraram ônibus aptos parados nas garagens.
O que diz Cristiano Zanin: Na decisão, ele cita “a gravidade dos fatos narrados” e a “urgência evidente na medida”. Em nota posterior, afirmou que a medida vale para as urnas que ainda estavam abertas, segundo o Poder360.
O que fica em aberto
A contagem foi retomada às 19h. Segundo a Bloomberg Línea, com dados do TSE e 100% das seções apuradas, Lula teve 51,79% dos votos válidos (64.256.232) e Flávio Bolsonaro, 48,21% (59.826.041).
Ficam em aberto o pedido de anulação anunciado por Flávio Bolsonaro e o pedido de impeachment de Zanin. Pedidos de impeachment de ministros do STF são analisados pelo Senado. Também não encontramos decisão final sobre o mérito da reclamação.
Como fizemos: Reunimos reportagens de Poder360, CNN Brasil, InfoMoney, O Tempo, NDmais, Gazeta do Povo, Exame, Metrópoles, Agência Brasil e Bloomberg Línea, acessadas em 26/10/2026. Não lemos o texto integral da decisão, que está em PDF; citamos trechos publicados pela imprensa. As horas são aproximadas, porque as cronologias das reportagens diferem em minutos.
Fontes
- Íntegra da decisão de Zanin que prorroga votação até as 19h — Poder360
- Zanin prorroga votação do 2º turno até as 19h — Poder360
- Zanin prorroga eleição até 19h deste domingo em todo o país — CNN Brasil
- Decisão de Zanin constrange TSE, e ministros descartam 3º turno — CNN Brasil
- TSE pausa totalização dos votos após Zanin prorrogar votação até as 19h — InfoMoney
- Nunes Marques rebate críticas, diz que extensão da votação não é convencional — O Tempo
- MPE foi contra prorrogação da votação, mas Zanin estendeu horário até as 19h — NDmais
- Oposição pede impeachment de Cristiano Zanin após votação ser prorrogada — Exame
- Oposição critica Zanin por prorrogar votação até as 19h no Brasil — Gazeta do Povo
- Flávio critica decisão de Zanin, mas PL também pediu prorrogação da votação — Metrópoles
- TRE-BA determina retomada integral da frota de ônibus em Salvador — Agência Brasil
- Lula pede prorrogação de votação em cidades com falhas no transporte — Agência Brasil
- Resultado do 2º turno por estado: veja onde Lula e Flávio Bolsonaro venceram — Bloomberg Línea



