Copom interrompe cortes e mantém Selic em 13,75% ao ano
Decisão surpreendeu parte do mercado e preserva juros altos enquanto a inflação em 12 meses segue acima do teto de 4,5%.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve na quarta-feira (4) a Selic em 13,75% ao ano. A taxa básica de juros serve de referência para o crédito e para a remuneração de títulos públicos. A decisão unânime interrompeu uma sequência de cinco cortes iniciada em abril.
O colegiado citou mais incertezas, expectativas de inflação elevadas e desaceleração econômica mais forte. Não indicou o que fará na próxima reunião. A escolha contrariou a parcela do mercado que esperava redução de 0,25 ponto percentual.
Juros continuam altos enquanto a inflação supera o teto Indicadores divulgados pelo Banco Central, IBGE e boletim Focus
| Indicador | Valor | Referência |
|---|---|---|
| Selic | 13,75% ao ano | Decisão de 4 de novembro |
| IPCA-15 em 12 meses | 4,62% | Outubro de 2026 |
| Teto da meta de inflação | 4,5% | Meta contínua |
| Projeção do BC para o PIB de 2026 | 1,8% | Relatório de setembro |
Fonte: Banco Central e IBGE, reproduzidos pela Agência Brasil. Elaboração: redação.
Ciclo de cortes perde força
A Selic permaneceu em 15% ao ano entre junho de 2025 e março de 2026. Os cinco cortes posteriores reduziram a taxa em 1,25 ponto percentual até o nível atual. A manutenção preserva um juro elevado, embora abaixo do pico recente.
O Banco Central avalia que a taxa está em campo contracionista. Isso significa que ela tende a conter consumo e investimento ao encarecer financiamentos e estimular aplicações financeiras. O objetivo é reduzir a pressão da demanda sobre os preços.
O comunicado também registrou uma desaceleração mais acentuada da atividade. Esse diagnóstico mostra o dilema da decisão: conter a inflação sem ampliar o custo sobre produção e emprego. O Copom optou por esperar mais informações antes de retomar os cortes.
Inflação segue acima do limite
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), prévia da inflação oficial, acumulou 4,62% em 12 meses até outubro. O resultado supera o teto de 4,5%. A meta central é de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para cada lado.
O BC relacionou as incertezas à guerra no Oriente Médio, ao El Niño e à instabilidade cambial. Esses fatores podem afetar combustíveis, alimentos e preços importados. O comunicado não garante que os juros ficarão estáveis nem antecipa uma redução em dezembro.
No relatório de setembro, o Banco Central projetou crescimento de 1,8% para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. O PIB reúne a produção de bens e serviços do país. Instituições financeiras ouvidas pelo boletim Focus estimavam expansão menor, de 1,76%.
Governo e setor produtivo pedem redução
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, classificou a taxa como muito alta nesta quinta. Ele defendeu condições estruturais para uma queda sustentável e afirmou que o governo buscará superávit, quando receitas superam despesas primárias.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) chamou a decisão de equivocada e excessivamente conservadora. Em nota, pediu retomada dos cortes na reunião de dezembro. Centrais sindicais também criticaram o efeito dos juros sobre o endividamento e os recursos públicos.
O que diz o Banco Central: No comunicado de 4 de novembro, o Copom afirmou que o cenário exige serenidade e cautela. O colegiado destacou incertezas maiores, inflação esperada acima da meta e atividade doméstica mais fraca.
A próxima reunião está marcada para 8 e 9 de dezembro. Até lá, novos dados de inflação e atividade ajudarão a definir se a pausa será curta. Para famílias e empresas, a decisão desta semana mantém o crédito sob pressão por mais algumas semanas.
Como fizemos: Conferimos o comunicado do Copom e as reportagens da Agência Brasil publicadas entre 4 e 5 de novembro. Calculamos a redução de 1,25 ponto percentual entre 15% e 13,75%. A tabela reúne indicadores com períodos diferentes e não os trata como uma mesma série temporal.
Fontes
- Copom mantém a taxa Selic em 13,75% ao ano — Banco Central
- Banco Central surpreende e mantém juros básicos em 13,75% — Agência Brasil
- Setor produtivo critica manutenção da Selic — Agência Brasil
- Durigan defende condições para queda dos juros — Agência Brasil
- Sede do Banco Central — Wikimedia Commons


