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Copom fixa a Selic, mas o rotativo do cartão chegou a 444,89% ao ano

Selic, juros futuros e taxas do cartão medem coisas diferentes, e o crédito de agosto de 2026 mostra a distância entre elas.

Fachada do edifício-sede do Banco Central do Brasil, em Brasília, com torres de vidro escuro, colunas claras e árvores em primeiro plano
Edifício-sede do Banco Central do Brasil, em Brasília.Foto: Jefferson Rudy / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Em 16 de setembro, o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), reduziu a Selic de 14% para 13,75% ao ano. A Selic é a taxa básica de juros do país. Mesmo com o corte, o rotativo do cartão de crédito chegou a 444,89% ao ano em agosto, último mês divulgado pelo BC.

A taxa que aparece na tela não é a taxa que chega ao boleto. Um banco cobra do cliente conforme o risco, o produto e o custo de operar. A Selic é só uma parte dessa conta.

O que é a Selic e quem decide

O Copom reúne o presidente do BC e os oito diretores da instituição. O comitê se reúne oito vezes por ano. A meta de inflação é de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo.

A próxima reunião é em 3 e 4 de novembro, com decisão no dia 4. As datas constam do calendário que o BC divulgou em 2025, segundo reportagens que citam o comunicado.

Depois de cada decisão, o BC compra e vende títulos públicos no mercado para que a taxa do dia fique perto da meta. Em setembro, o comitê descreveu a inflação como desacelerada, mas ainda acima da meta.

Juros futuros: o que aparece na tela

Os juros futuros são contratos negociados na B3, a bolsa de valores brasileira. Eles têm como referência a taxa média diária dos Depósitos Interfinanceiros (DI), empréstimos de um dia entre bancos, calculada pela própria B3. Essa taxa anda muito próxima da Selic.

Cada contrato tem valor nocional de R$ 100 mil na data de vencimento. Seu preço hoje é esse valor descontado pela taxa negociada. O contrato com vencimento em janeiro de 2031 segue a mesma regra.

Quando a taxa de um vencimento longo sobe, o mercado espera juros mais altos por mais tempo, ou pede mais prêmio por risco. Os juros futuros já reagiam ao resultado da eleição presidencial antes da abertura desta segunda-feira (26).

Por que o crédito custa mais que a Selic

Para emprestar, o banco precisa cobrir o que paga para captar o dinheiro, as perdas com quem não paga, os impostos e os custos de operação. A diferença entre esse custo e a taxa cobrada do cliente se chama spread.

Juros do crédito para pessoa física, agosto de 2026 Taxa média, em % ao ano e ao mês

Modalidade Ao ano Ao mês
Cartão rotativo 444,89% 15,18%
Cheque especial 136,41% 7,43%
Crédito pessoal não consignado 110,22% 6,39%

Fonte: Banco Central, Sistema Gerenciador de Séries Temporais (SGS), séries 22022, 20741 e 20742 (ao ano) e 25477, 25463 e 25464 (ao mês). Elaboração: redação.

O rotativo é a dívida que sobra quando o cliente paga só uma parte da fatura do cartão. Em agosto, sua taxa média foi mais de quatro vezes a do crédito pessoal não consignado, que não tem desconto em folha. Um saldo de R$ 1.000 no rotativo, à taxa média mensal de 15,18%, gera cerca de R$ 152 de juros em um mês.

Pela Lei 14.690, de 2023, se as regras do BC não saíssem em 90 dias, o total de juros e encargos do rotativo não poderia passar do valor original da dívida. As regras do BC passaram a valer em janeiro de 2024. O teto vale para o total cobrado, e não para a taxa mensal.

O que fica em aberto

A Selic só muda nas reuniões do Copom. Os juros futuros mudam a cada negócio, conforme chegam notícias e dados. O Custo Efetivo Total (CET) reúne juros, tarifas e impostos da operação, e é o número a conferir antes de assinar.

Títulos e contratos ligados a juros podem perder valor antes do vencimento, e movimentos de pânico podem se aprofundar. Esta reportagem explica mecanismos. Não recomenda a compra nem a venda de nenhum ativo.

O que diz o Banco Central: No comunicado de 16 de setembro, o Copom afirmou que a inflação segue acima da meta, mesmo desacelerando. Disse também que os riscos para os preços continuam maiores que o usual, com assimetria para cima. A informação vem do resumo do comunicado publicado pela imprensa.

Como fizemos: Usamos as séries do Banco Central no SGS: meta da Selic (série 432) e as taxas de cartão rotativo, cheque especial e crédito pessoal não consignado, ao ano e ao mês, de agosto de 2026, acessadas em 26/10/2026. As taxas são médias das operações novas, e contratos individuais podem ter preço diferente. Calculamos a razão entre o rotativo e o crédito pessoal (444,89 ÷ 110,22) e o juro de R$ 1.000 a 15,18% ao mês. Não usamos dados de setembro. A data da reunião de novembro vem de reportagens que citam o calendário do BC, que não conseguimos abrir diretamente nesta data.

Fontes