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Governo prioriza nove minerais na faixa mais alta de investimento

Lista reúne 27 minerais em três níveis e orientará até R$ 7 bilhões em incentivos para processamento e transformação no Brasil.

Raul Jungmann fala ao microfone ao lado de Renan Calheiros e Rodrigo Cota em audiência no Senado
Audiência no Senado sobre minerais críticos, em julho de 2025, com representantes do governo e da mineração.Foto: Geraldo Magela / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

O Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos aprovou nesta quinta-feira (5) uma lista com 27 minerais prioritários. Nove receberam classificação alta, oito média e dez baixa. A relação orientará políticas públicas e recursos de fomento.

O objetivo declarado é ampliar o processamento e a transformação desses recursos no Brasil. A lei que institui a política nacional prevê até R$ 7 bilhões em incentivos para projetos. A prioridade não representa uma autorização automática de investimento nem um repasse imediato.

Um terço da lista recebe prioridade alta Distribuição dos 27 minerais por nível de investimento aprovado nesta quinta

Prioridade Quantidade Minerais
Alta 9 Terras raras, grafita, lítio, níquel, cobalto, cobre, manganês, silício e urânio
Média 8 Tungstênio, cromo, vanádio, tântalo, titânio, fosfato, potássio e enxofre
Baixa 10 Nióbio, estanho, ferro, zinco, ouro, magnésio, molibdênio, tório, alumínio e grupo da platina

Fonte: Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, divulgado pela Agência Brasil. Elaboração: redação.

Classificação usa cinco critérios

O conselho considerou risco geopolítico, concentração da oferta e possibilidade de substituição de cada mineral. Também avaliou a posição brasileira na cadeia produtiva e a dependência do país em relação a fornecedores estrangeiros.

Quanto mais desenvolvimento a cadeia brasileira exigir, maior poderá ser a prioridade. A regra explica a presença de terras raras, grafita e lítio no primeiro grupo. Esses materiais são usados em baterias, ímãs permanentes e sistemas de armazenamento de energia.

A lista não é definitiva. Outros minerais poderão entrar conforme a aplicação dos mesmos critérios. A classificação baixa também não significa ausência de importância econômica. Ela indica uma ordem de prioridade para os instrumentos previstos na política nacional.

Plano busca mais do que exportar matéria-prima

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, criticou o ciclo de exportar recursos brutos e importar produtos com maior valor agregado. Segundo ele, a estratégia pretende desenvolver no país as etapas de transformação e industrialização.

O raciocínio tem consequência direta para o uso dos incentivos. Projetos de processamento podem criar atividades industriais diferentes da simples extração. O resultado dependerá dos projetos selecionados, da infraestrutura disponível e da capacidade de produzir tecnologia e empregos qualificados no Brasil.

O governo informa que o país tem a segunda maior reserva mundial de grafita, a terceira de níquel e a quarta de manganês. Reserva, porém, não equivale a produção industrial. Transformar esse potencial em baterias e outros produtos exige etapas que a lista, sozinha, não executa.

Parcerias externas continuam no desenho

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da reunião e defendeu parcerias com outros países. Ele afirmou que o governo não pretende fazer do Estado o controlador exclusivo da exploração, transformação e industrialização.

A declaração mostra que a estratégia combina prioridade nacional e capital privado ou estrangeiro. O ponto central será o conteúdo dos acordos: onde ocorrerá o processamento, como a tecnologia será compartilhada e quais benefícios ficarão nas regiões produtoras.

O que diz o MDIC: Márcio Elias Rosa afirmou que o governo quer romper o ciclo de exportar riqueza bruta e importar o produto pronto. Segundo o ministro, a lista define uma estratégia de desenvolvimento industrial no Brasil.

A política foi criada por lei sancionada em 16 de setembro, após aprovação no Congresso. Agora, a definição dos projetos e das condições de fomento mostrará se a prioridade resultará em industrialização ou apenas ampliará a extração para exportação.

Como fizemos: Conferimos a lista e os critérios divulgados pela Agência Brasil nesta quinta-feira. Somamos nove, oito e dez itens para conferir o total de 27 e identificar que a faixa alta reúne um terço da lista. Não tratamos os R$ 7 bilhões como valor já contratado ou executado.

Fontes