Famílias respondem por 76% dos R$ 674 bi pagos em juros
Levantamento da FecomercioSP aponta R$ 515,4 bilhões pagos por famílias no primeiro semestre; inadimplência longa chegou a 7,37%.

Famílias e empresas brasileiras pagaram R$ 674 bilhões em juros no primeiro semestre de 2026, segundo levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). As famílias responderam por R$ 515,4 bilhões.
Nossa conta mostra que elas concentraram 76,5% do total. As empresas pagaram R$ 158,6 bilhões, ou 23,5%. O levantamento foi divulgado nesta terça-feira (27) pela CNN Brasil e pelo Valor Econômico.
O peso recai principalmente sobre as famílias
O valor das famílias cresceu 9,8% em relação ao primeiro semestre de 2025, segundo o estudo. Para as empresas, a despesa aumentou 0,3%. Somando os dois grupos, a alta foi de 7,4% no mesmo período.
Três de cada quatro reais de juros partiram das famílias Pagamentos no primeiro semestre de 2026, em R$ bilhões e participação no total
| Grupo | Juros pagos | Participação |
|---|---|---|
| Famílias | 515,4 | 76,5% |
| Empresas | 158,6 | 23,5% |
| Total | 674,0 | 100% |
Fonte: FecomercioSP. Participações calculadas pela redação.
A diferença não significa que toda família tenha a mesma despesa. O estudo apresenta totais nacionais, sem detalhar a distribuição por faixa de renda. Os números também incluem modalidades diferentes de empréstimo e financiamento.
Crédito cresce mesmo com custo maior
A taxa nominal ponderada acumulada passou de 24,3% para 25,3%, informou a FecomercioSP. O avanço foi de 1 ponto percentual, medida usada para comparar duas taxas. Nominal significa que o indicador não desconta a inflação.
Mesmo assim, o saldo real do crédito livre às pessoas físicas subiu 6,1%, para R$ 2,353 trilhões. Saldo real é o valor corrigido pela inflação. Crédito livre reúne operações sem as regras de destinação dos programas direcionados. As novas concessões aumentaram 5,1%, segundo a CNN.
Os dados indicam procura maior por crédito mesmo com custo elevado. Eles não permitem afirmar o motivo de cada empréstimo. Uma família pode buscar crédito para consumo, investimento ou para cobrir outras despesas.
Atrasos acima de 90 dias aumentaram
A inadimplência das famílias acima de 90 dias passou de 6,5% para 7,37%. Foi uma alta de 0,87 ponto percentual. O volume de dívidas de pessoas físicas em atraso subiu 20,3%, para R$ 186,9 bilhões, segundo o levantamento.
No conjunto de famílias e empresas, as dívidas com atraso superior a 90 dias somaram R$ 251,4 bilhões. O aumento foi de 17,7% em 12 meses. Esses números mostram que o custo alto coincide com maior dificuldade de pagamento, sem demonstrar sozinho a causa de cada atraso.
Entre as empresas, o saldo real do crédito recuou 2,4%. A despesa com juros ficou quase estável, com alta de 0,3%. Para a FecomercioSP, o encarecimento das concessões sustentou o gasto mesmo com menos crédito em circulação.
O que diz a FecomercioSP: A federação afirma, em nota de pesquisa reproduzida pela CNN, que houve deterioração expressiva da capacidade de pagamento em dois anos. A entidade também destaca que os lares com dívidas permanecem em patamar elevado.
Os próximos dados mostrarão se a inadimplência continuará subindo no segundo semestre. Por ora, o retrato é de maior procura por crédito, custo mais alto e atrasos crescentes. Essa combinação pressiona principalmente o orçamento das famílias, que concentram mais de três quartos dos juros pagos.
Como fizemos: Usamos os números do estudo da FecomercioSP publicados por CNN Brasil, Valor Econômico e Portal Papo Aberto em 27/10/2026. Calculamos as participações dividindo R$ 515,4 bilhões e R$ 158,6 bilhões pelo total de R$ 674 bilhões. As variações anuais são as divulgadas pelo estudo; não fizemos nova correção pela inflação. Os dados não detalham renda, modalidade ou perfil dos devedores.



