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Famílias respondem por 76% dos R$ 674 bi pagos em juros

Levantamento da FecomercioSP aponta R$ 515,4 bilhões pagos por famílias no primeiro semestre; inadimplência longa chegou a 7,37%.

Edifício de fachada escura do Banco Central entre outros prédios comerciais
Edifício do Banco Central, autoridade monetária que acompanha as condições de crédito, em foto de arquivo de 2023.Foto: FG fotos / Wikimedia Commons (CC0 1.0)

Famílias e empresas brasileiras pagaram R$ 674 bilhões em juros no primeiro semestre de 2026, segundo levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). As famílias responderam por R$ 515,4 bilhões.

Nossa conta mostra que elas concentraram 76,5% do total. As empresas pagaram R$ 158,6 bilhões, ou 23,5%. O levantamento foi divulgado nesta terça-feira (27) pela CNN Brasil e pelo Valor Econômico.

O peso recai principalmente sobre as famílias

O valor das famílias cresceu 9,8% em relação ao primeiro semestre de 2025, segundo o estudo. Para as empresas, a despesa aumentou 0,3%. Somando os dois grupos, a alta foi de 7,4% no mesmo período.

Três de cada quatro reais de juros partiram das famílias Pagamentos no primeiro semestre de 2026, em R$ bilhões e participação no total

Grupo Juros pagos Participação
Famílias 515,4 76,5%
Empresas 158,6 23,5%
Total 674,0 100%

Fonte: FecomercioSP. Participações calculadas pela redação.

A diferença não significa que toda família tenha a mesma despesa. O estudo apresenta totais nacionais, sem detalhar a distribuição por faixa de renda. Os números também incluem modalidades diferentes de empréstimo e financiamento.

Crédito cresce mesmo com custo maior

A taxa nominal ponderada acumulada passou de 24,3% para 25,3%, informou a FecomercioSP. O avanço foi de 1 ponto percentual, medida usada para comparar duas taxas. Nominal significa que o indicador não desconta a inflação.

Mesmo assim, o saldo real do crédito livre às pessoas físicas subiu 6,1%, para R$ 2,353 trilhões. Saldo real é o valor corrigido pela inflação. Crédito livre reúne operações sem as regras de destinação dos programas direcionados. As novas concessões aumentaram 5,1%, segundo a CNN.

Os dados indicam procura maior por crédito mesmo com custo elevado. Eles não permitem afirmar o motivo de cada empréstimo. Uma família pode buscar crédito para consumo, investimento ou para cobrir outras despesas.

Atrasos acima de 90 dias aumentaram

A inadimplência das famílias acima de 90 dias passou de 6,5% para 7,37%. Foi uma alta de 0,87 ponto percentual. O volume de dívidas de pessoas físicas em atraso subiu 20,3%, para R$ 186,9 bilhões, segundo o levantamento.

No conjunto de famílias e empresas, as dívidas com atraso superior a 90 dias somaram R$ 251,4 bilhões. O aumento foi de 17,7% em 12 meses. Esses números mostram que o custo alto coincide com maior dificuldade de pagamento, sem demonstrar sozinho a causa de cada atraso.

Entre as empresas, o saldo real do crédito recuou 2,4%. A despesa com juros ficou quase estável, com alta de 0,3%. Para a FecomercioSP, o encarecimento das concessões sustentou o gasto mesmo com menos crédito em circulação.

O que diz a FecomercioSP: A federação afirma, em nota de pesquisa reproduzida pela CNN, que houve deterioração expressiva da capacidade de pagamento em dois anos. A entidade também destaca que os lares com dívidas permanecem em patamar elevado.

Os próximos dados mostrarão se a inadimplência continuará subindo no segundo semestre. Por ora, o retrato é de maior procura por crédito, custo mais alto e atrasos crescentes. Essa combinação pressiona principalmente o orçamento das famílias, que concentram mais de três quartos dos juros pagos.

Como fizemos: Usamos os números do estudo da FecomercioSP publicados por CNN Brasil, Valor Econômico e Portal Papo Aberto em 27/10/2026. Calculamos as participações dividindo R$ 515,4 bilhões e R$ 158,6 bilhões pelo total de R$ 674 bilhões. As variações anuais são as divulgadas pelo estudo; não fizemos nova correção pela inflação. Os dados não detalham renda, modalidade ou perfil dos devedores.

Fontes