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Dólar e juros recuam, mas alívio apaga só parte do choque

Dólar caiu 1,07% e DI para 2031 recuou 34 pontos-base; Ibovespa perdeu mais 0,51% e acumula queda de 14,32% em dois pregões.

Operadores sentados diante de computadores e de painéis com cotações na Bolsa de São Paulo
Operadores no pregão da Bolsa de Valores de São Paulo, em foto de arquivo de abril de 2007.Foto: Rafael Matsunaga / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O dólar fechou esta terça-feira (27) em queda de 1,07%, a R$ 5,3488. Os juros futuros também recuaram. Já o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, perdeu mais 0,51% e terminou aos 175.710,05 pontos.

O movimento aliviou parte da reação de segunda-feira à reeleição de Lula, mas não a reverteu. Em dois pregões, o dólar ainda acumula alta de 7,20%. O Ibovespa acumula queda de 14,32%, segundo cálculo da redação com as variações diárias.

O recuo de terça apagou apenas parte do choque Variações diárias e acumulado em dois pregões, encerrados em 27 de outubro de 2026

Indicador Segunda-feira Terça-feira Acumulado
Dólar +8,36% -1,07% +7,20%
Ibovespa -13,88% -0,51% -14,32%

Fonte: CNN Brasil. Acumulado calculado pela redação.

Juros caem, mas seguem elevados

O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 fechou a 14,41%. O recuo foi de 41 pontos-base ante a véspera. Cem pontos-base equivalem a 1 ponto percentual.

No DI para janeiro de 2031, a taxa caiu 34 pontos-base, para 14,935%. Esses contratos registram as taxas negociadas no mercado para os próximos anos. Eles influenciam as condições de financiamento e investimento.

Apesar da queda, as taxas continuam acima dos níveis anteriores ao primeiro turno, segundo a CNN. Na véspera, os DIs haviam subido mais de 250 pontos-base. Portanto, o recuo desta terça foi bem menor que a disparada anterior.

Tesouro recomprou R$ 16,8 bilhões em títulos

O Tesouro Nacional realizou outro leilão de recompra, operação em que o governo compra títulos que já estavam com investidores. Foram 3,815 milhões de Notas do Tesouro Nacional Série B (NTN-B), papéis corrigidos pela inflação.

A operação somou cerca de R$ 16,8 bilhões. Com a recompra de R$ 14,8 bilhões feita na segunda, o Tesouro alcançou R$ 31,6 bilhões em dois dias. A CNN informou que a medida contribuiu para acomodar as taxas, ainda em níveis elevados.

O Tesouro também cancelou o leilão de Letras Financeiras do Tesouro (LFT), títulos ligados à Selic, a taxa básica de juros. As intervenções buscam corrigir instabilidades, conforme explicação oficial divulgada pela Agência Brasil.

Governo e mercado divergem sobre os próximos passos

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, atribuiu a pressão de segunda a uma mudança de posições após o resultado eleitoral. Ele disse esperar menos oscilação e reafirmou a intenção de buscar o centro da meta fiscal com diálogo no Congresso.

Parte dos investidores continua cobrando detalhes sobre contas públicas e a futura equipe econômica. Citigroup e BCA Research rebaixaram recomendações para ativos brasileiros, segundo a CNN. As empresas citaram a relação entre risco e retorno após a eleição.

O que diz Dario Durigan: O ministro afirmou que a pressão de segunda representou uma “troca de posição, porque o mercado estava apostando em outro candidato”. Em entrevista no Ministério da Fazenda, disse que o governo buscará o centro da meta fiscal em negociação com o Congresso.

O fechamento mostra acomodação no câmbio e nos juros, mas não apaga o aumento de custo nem as perdas da Bolsa. Os próximos sinais dependerão das decisões do Tesouro, das declarações do Banco Central e da composição da equipe econômica.

Como fizemos: Usamos os fechamentos e os valores das recompras publicados pela CNN Brasil e pela Agência Brasil, acessados em 27/10/2026. Calculamos o acumulado multiplicando os fatores das duas variações diárias: 1,0836 × 0,9893 para o dólar e 0,8612 × 0,9949 para o Ibovespa. O método evita somar percentuais de bases diferentes. Os dados não indicam como cada investidor posicionou sua carteira.

Fontes