ReportagemEconomia

Indústria cai 0,8%; bens de capital recuam 5% no ano

Queda alcançou 18 dos 25 ramos na comparação anual; extração de petróleo e minério avançou, mas não evitou o recuo geral.

Rodovia em primeiro plano e instalações da refinaria Replan ao fundo, em Paulínia
Refinaria Replan, em Paulínia (SP); petróleo e biocombustíveis lideraram a queda industrial de setembro.Foto: Marco Aurélio Esparz… / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

A produção industrial brasileira recuou 0,8% em setembro ante agosto, informou nesta quinta-feira (5) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi o quarto resultado negativo em cinco meses desde maio. No acumulado de 2026, o setor ainda cresce 0,4%.

Na comparação com setembro de 2025, a queda foi mais forte: 2,5%. O recuo atingiu 18 dos 25 ramos pesquisados, equivalentes a 72% do total. Também alcançou 59,3% dos 789 produtos acompanhados pela Pesquisa Industrial Mensal (PIM).

Bens de capital acumulam a pior entre as grandes categorias Variação da produção em setembro de 2026, em percentual

Categoria Ante agosto No acumulado do ano
Indústria geral -0,8% +0,4%
Bens de capital -1,9% -5,0%
Bens semiduráveis e não duráveis -1,2% -0,7%
Bens intermediários -0,7% +1,2%
Bens de consumo duráveis +0,7% +2,5%

Fonte: Pesquisa Industrial Mensal, IBGE. Dados com ajuste sazonal na comparação mensal. Elaboração: redação.

Petróleo, biocombustíveis e alimentos pesaram

A atividade de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis caiu 4,2% ante agosto. Produtos alimentícios recuaram 1,7%. Segundo o IBGE, a menor produção de álcool etílico e derivados de petróleo exerceu as principais pressões negativas.

A queda dos alimentos interrompeu dois meses de crescimento. O gerente da pesquisa, André Macedo, relacionou parte do resultado à menor produção de açúcar e ao processamento reduzido da cana. O maior volume de chuvas contribuiu para esse movimento, segundo a análise do instituto.

As indústrias extrativas avançaram 1,7% no mês e interromperam quatro quedas consecutivas. A maior extração de petróleo bruto, gás natural e minério de ferro impulsionou o segmento. Produtos químicos também subiram 1,7%, mas o avanço não compensou os recuos nas outras atividades.

Máquinas e equipamentos indicam fraqueza

Os bens de capital são máquinas e equipamentos usados na produção e na expansão das empresas. A categoria caiu 1,9% em setembro e acumula recuo de 5% no ano. É o pior desempenho entre as quatro grandes categorias econômicas da pesquisa.

No acumulado, máquinas e equipamentos recuaram 7,8%. O IBGE citou menor produção de tratores agrícolas, máquinas de colheita, aparelhos de ar-condicionado e equipamentos de transporte. Produtos químicos caíram 3,3% no mesmo período.

O resultado contrasta com o crescimento de 6,2% da indústria automobilística no acumulado do ano. As indústrias extrativas avançaram 5,9%. O desempenho geral positivo de 0,4%, portanto, convive com perdas concentradas em segmentos ligados a investimento e insumos industriais.

Comparação anual mostra queda disseminada

Na comparação com setembro de 2025, produtos alimentícios caíram 5,9%, e petróleo e biocombustíveis recuaram 4,3%. Farmoquímicos e farmacêuticos tiveram queda de 17%. Máquinas e equipamentos recuaram 8,9%.

Entre os sete ramos que cresceram nessa base de comparação, veículos automotores avançaram 7,3%, e indústrias extrativas subiram 4,4%. O desempenho mensal da indústria é volátil e pode ser revisto. Por isso, os três períodos apresentados na tabela e no texto medem fenômenos diferentes.

O que diz o IBGE: André Macedo atribuiu o resultado mensal principalmente à menor produção de álcool etílico e derivados do petróleo. O instituto também apontou efeito das chuvas sobre o processamento da cana-de-açúcar.

A pesquisa de outubro indicará se a chuva e a safra continuam pressionando alimentos e biocombustíveis. O desempenho de máquinas e equipamentos será outro ponto de atenção, porque o acumulado negativo mostra fraqueza mais persistente do que uma oscilação isolada.

Como fizemos: Consultamos a PIM de setembro divulgada pelo IBGE em 5 de novembro de 2026. Calculamos que 18 de 25 ramos equivalem a 72%. Comparamos variações mensais, anuais e acumuladas sem somá-las; a série passou por reformulação metodológica em março de 2023.

Fontes