ReportagemEconomia

CNI corta PIB para 1,6% e prevê transformação em queda

Projeção para a indústria de transformação passa de alta de 0,6% para recuo de 0,7%; agropecuária tem estimativa elevada a 2,5%.

Prédio antigo de fábrica de tecidos com janelas quebradas e chaminé de tijolos
Antiga fábrica de tecidos em Petrópolis (RJ), fotografada em 2021, após o local ser convertido em estacionamento.Foto: Just a Brazilian man / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reduziu nesta quarta-feira (28) sua projeção para o crescimento brasileiro em 2026 de 2% para 1,6%. A revisão foi de 0,4 ponto percentual para baixo. O informe mostra um país com desempenhos setoriais muito diferentes.

A agropecuária teve estimativa elevada de 1,8% para 2,5%. A indústria extrativa deve crescer 9,1%. Em sentido contrário, a indústria de transformação passou de alta prevista de 0,6% para retração de 0,7%.

Revisão atinge setores ligados ao mercado interno Projeções da CNI para 2026, variações em relação ao ano anterior

Setor Projeção anterior Nova projeção
Indústria de transformação +0,6% -0,7%
Serviços +1,9% +1,6%
PIB +2,0% +1,6%
Indústria total +2,0% +1,3%
Agropecuária +1,8% +2,5%

Fonte: Informe Conjuntural do 3º Trimestre da CNI.

Juros pressionam produção e consumo

A CNI atribui a piora à demanda interna mais fraca, ao crédito caro e ao aumento dos custos de produção. Também cita a concorrência de produtos importados na indústria de transformação.

O diretor de Desenvolvimento Industrial da entidade, Mario Sergio Telles, afirmou que os setores dependentes do mercado interno sofrem mais com os juros. Extrativa e agropecuária aparecem menos expostas a esse ciclo doméstico.

O Produto Interno Bruto (PIB) é a soma dos bens e serviços finais produzidos no país. Uma revisão de poucos décimos altera a trajetória esperada, mas ainda é projeção. Os números finais serão conhecidos nas contas nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Emprego resiste, mas inflação limita o alívio

Apesar da desaceleração, a CNI prevê aumento de 1,2% da população ocupada. A taxa de desemprego recuaria de 5,3% para 5% no fim do ano. A massa de rendimentos reais, que desconta a inflação, teria alta de 4,6%.

Esse contraponto ajuda a explicar por que a economia não apresenta um quadro uniforme. O emprego e a renda sustentam parte do consumo. Ainda assim, os segmentos mais dependentes de financiamento perdem força.

A inflação projetada é de 5,15% em 2026, acima dos 4,26% de 2025. A CNI espera que o Banco Central corte a Selic, a taxa básica de juros, em duas etapas de 0,25 ponto percentual. Ela terminaria o ano em 13,25%.

O que diz a CNI: A entidade considera que os juros elevados desestimulam fortemente o crescimento e defende uma redução mais rápida da Selic. Ao mesmo tempo, projeta inflação maior e avalia que o mercado de trabalho continuará sustentando parte da demanda.

O novo informe descreve uma economia sustentada por agropecuária, extração e emprego, mas com fraqueza na produção voltada ao mercado interno. As próximas medições do IBGE indicarão se a retração da transformação se confirmará e com qual intensidade.

Como fizemos: Comparamos as projeções atuais e anteriores no informe divulgado pela CNI e na cobertura da Agência Brasil. As variações são pontos percentuais, não percentuais relativos. A tabela não inclui a indústria extrativa porque ela não teve revisão divulgada nesta comparação. Projeções não são resultados observados.

Fontes