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Confiança nas urnas acompanha o voto, mostram Quaest e Meio/Ideia

Quaest e Meio/Ideia medem 53% e 57,5% de confiança nas urnas em 2026; em março de 2022, o Datafolha registrou 82% de confiança.

Mão de uma pessoa pressiona a tecla verde CONFIRMA em uma urna eletrônica branca, com telas pretas ao fundo
Urna eletrônica do modelo usado nas eleições de 2022, fotografada pelo TSE em dezembro de 2021.Foto: Tribunal Superior Eleitoral (TSE) / Wikimedia Commons (domínio público)

Lula foi reeleito no domingo (25) com 51,79% dos votos válidos, segundo a totalização do TSE publicada pelo ABC+. No mesmo dia, Flávio Bolsonaro (PL) disse que “é impossível reconhecer o resultado das eleições”, segundo a Jovem Pan. Antes da votação, pesquisas já mediam quanto os brasileiros confiam nas urnas eletrônicas, a máquina que registra e conta os votos.

Queda desde 2022, com ressalvas de método

Em março de 2022, o Datafolha mediu 82% de confiança no sistema de votação, contra 69% em dezembro de 2020. Em maio, o índice caiu para 73%. Em julho, voltou a 79%.

Em 2026, a Genial/Quaest ouviu 2.004 pessoas entre 5 e 9 de fevereiro. Desse total, 53% concordam que “as urnas eletrônicas são confiáveis” e 43% discordam. A Meio/Ideia ouviu 1.500 pessoas entre 31 de julho e 3 de agosto. Nela, 57,5% confiam em algum grau, 24,3% não confiam e 18,1% não souberam ou não quiseram opinar.

Confiança nas urnas em pesquisas nacionais Percentual de entrevistados, por período de coleta

Pesquisa Período Confia Não confia
Datafolha 22 e 23/3/2022 82% 17%
Datafolha 25 e 26/5/2022 73% 24%
Datafolha 27 e 28/7/2022 79% 20%
Genial/Quaest 5 a 9/2/2026 53% 43%
Meio/Ideia 31/7 a 3/8/2026 57,5% 24,3%

Fonte: reportagens sobre Datafolha, Genial/Quaest e Meio/Ideia (ver Fontes). Elaboração: redação. Os institutos usam perguntas e métodos diferentes.

Pesquisas de opinião entrevistam uma amostra, não a população inteira. Por isso informam a margem de erro, a faixa em que o número real pode estar. A Quaest tem margem de 2 pontos percentuais, e a Meio/Ideia, de 2,5 pontos, ambas com 95% de confiança. Isso significa que, repetida a pesquisa, o resultado cairia nessa faixa em 95 de cada 100 vezes.

A divisão segue o voto

Na Quaest, 75% dos eleitores de Lula em 2022 concordam que as urnas são confiáveis. Entre os de Jair Bolsonaro, 26% concordam e 69% discordam. Na Meio/Ideia, 56,5% dos eleitores de Lula dizem confiar muito nas urnas. Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, 41,6% dizem não confiar.

O que as pesquisas não medem

Não encontramos pesquisa registrada em 2026 que pergunte se os eleitores aceitariam uma derrota. Também não localizamos medição de confiança no resultado da eleição feita pela AtlasIntel, pelo Datafolha ou pela Quaest. Não achamos estudo de pesquisador brasileiro que meça o efeito da desconfiança sobre o comparecimento ou a aceitação de resultados. Por isso, este texto não estima esses efeitos.

Em 2 de agosto, no programa Canal Livre, da Band News, Flávio disse: “Eu vou aceitar, vou concorrer com essas regras”. No domingo, após a derrota, ele afirmou que não reconhece o resultado.

O que diz Flávio Bolsonaro: Segundo a Jovem Pan, ele disse que é “impossível reconhecer o resultado das eleições” e que vai pedir a anulação. Não enviamos perguntas a ele antes da publicação; a posição vem de declarações públicas.

O que isso significa

Os dados disponíveis mostram maioria de brasileiros que confia nas urnas, mas com divisão clara entre eleitores de Lula e de Flávio. Até a publicação, não localizamos decisão do TSE sobre o pedido de anulação anunciado por Flávio. Pesquisas futuras, registradas no TSE, podem medir se a confiança mudou depois da eleição.

Como fizemos: Reunimos os resultados de pesquisas do Datafolha (março, maio e julho de 2022), da Genial/Quaest (fevereiro de 2026) e da Meio/Ideia (agosto de 2026), a partir de reportagens que publicaram os números, acessadas em 26/10/2026. Não consultamos os relatórios completos; o registro no TSE da Quaest (BR-00249/2026) e da Meio/Ideia (BR-04579/2026) vem das reportagens. A queda do Datafolha de março a maio de 2022 foi de 9 pontos percentuais (82% para 73%), cálculo nosso. Os números entre institutos mostram tendência, não variação exata. Um Datafolha de 15/10/2026 foi consultado em PDF, mas o arquivo não trouxe texto legível; por isso não verificamos se ele tem pergunta sobre urnas ou sobre o resultado.

Fontes