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Comissão aprova apoio a educadores vítimas de violência

Programa prevê assistência jurídica e psicológica, canais sigilosos e afastamento remunerado; texto ainda passa por três comissões.

Professora escreve no quadro-negro diante de estudantes sentados em uma sala de aula
Professora de Matemática do CIEP Ministro Salgado Filho, em Nova Iguaçu (RJ), em imagem de novembro de 2014.Foto: Sergio Amaral / Ministério do Desenvolvimento Social / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

A Comissão de Cultura da Câmara aprovou o Projeto de Lei (PL) 7.114/2025, que cria um programa nacional de apoio a profissionais da educação. O parecer passou na quarta-feira (4) e foi publicado nesta sexta (6). A proposta alcança violência, perseguição e censura relacionadas ao exercício da função.

O texto prevê assistência jurídica, psicológica e de segurança gratuita e imediata. Também inclui proteção da remuneração quando houver afastamento temporário da vítima. As medidas ainda não estão disponíveis porque o projeto continua em tramitação.

A proposta combina quatro frentes de proteção Medidas previstas no Programa Nacional de Apoio Jurídico, Psicológico e de Segurança

Frente Medida prevista
Assistência Apoio jurídico, psicológico e de segurança
Denúncia Canais sigilosos e acessíveis, com acompanhamento de órgãos de controle
Proteção no trabalho Afastamento temporário sem perda de remuneração e direitos
Prevenção Formação de gestores e metas nos planos de educação

Fonte: PL 7.114/2025 e Agência Câmara. Elaboração: redação.

Proteção vai além da violência física

O projeto abrange violências física, psicológica e moral. Também menciona perseguição e censura em razão das funções profissionais. Os episódios podem ocorrer dentro ou fora do ambiente escolar, desde que tenham relação com o trabalho.

Essa abrangência altera o foco da resposta institucional. O problema não aparece apenas como conflito individual ou caso de polícia. O texto prevê suporte à saúde, orientação jurídica e condições de segurança para permanência ou afastamento do profissional.

Os canais de denúncia deverão registrar censura e intimidação à liberdade de cátedra. Esse termo se refere à liberdade de ensinar dentro dos princípios constitucionais e das regras educacionais. Os órgãos de controle deverão acompanhar os registros, o que cria uma camada de responsabilização.

Afastamento preserva salário e direitos

Quando necessário para proteger a integridade física ou mental, o profissional poderá ser afastado temporariamente. O texto determina manutenção da remuneração e dos direitos trabalhistas. A medida não deve ser confundida com punição ou demissão.

A proposta também exige formação continuada de gestores e equipes escolares. Os temas incluem manejo de conflitos, cultura de paz e legislação sobre liberdade de cátedra. A intenção é preparar as instituições antes que a resposta dependa somente da denúncia individual.

Os planos estaduais e municipais de educação deverão incluir metas e indicadores para reduzir violência e censura. Os conselhos de educação farão a fiscalização. O projeto, porém, não apresenta metas nacionais nem um indicador de referência já calculado.

Execução dependerá de cada sistema de ensino

A proposta acrescenta a obrigação à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). União, estados, Distrito Federal e municípios deverão instituir o programa em seus sistemas de ensino. Isso distribui a responsabilidade, mas também exige estruturas administrativas diferentes.

O texto aprovado não informa custo estimado, número de profissionais a serem contratados ou prazo de implantação. Por isso, não é possível prever a capacidade de atendimento. A gratuidade prevista em lei precisará ser acompanhada de equipes e financiamento nas próximas etapas.

O que diz o relator, Tarcísio Motta: O deputado afirmou que muitos docentes enfrentam riscos com limitado amparo institucional. Ele defendeu tratar a violência contra profissionais da educação como problema institucional, e não apenas individual, segundo a Agência Câmara.

Três comissões ainda analisarão o texto

O projeto tramita em caráter conclusivo, com decisão possível nas comissões, salvo recurso ao plenário. As próximas análises serão nas comissões de Educação, de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Depois da Câmara, o texto ainda precisará avançar no Senado.

A etapa de Finanças será relevante para examinar os custos da política. O debate seguinte deverá mostrar como a obrigação legal se transformará em atendimento real. Sem equipes, canais funcionais e fiscalização, a proteção prometida permanecerá incompleta.

Como fizemos: Comparamos a reportagem da Agência Câmara e a ficha oficial do PL 7.114/2025, acessadas em 6 de novembro de 2026. Organizamos as medidas em quatro frentes para mostrar seu alcance. Não estimamos custo, cobertura ou redução da violência porque o projeto não fornece esses dados.

Fontes