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Câmara amplia acesso a obras adaptadas para deficiência intelectual

Texto permite reprodução sem fins comerciais em Linguagem Simples; regra ainda depende do Senado e não libera qualquer uso de obras.

Deputados circulam pelo plenário da Câmara durante sessão deliberativa
Plenário da Câmara dos Deputados em sessão de março de 2026; a proposta foi aprovada nesta quinta.Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (5) o Projeto de Lei (PL) 5.974/2023, que permite adaptar obras literárias, artísticas e científicas para pessoas com deficiência intelectual. A reprodução poderá usar Linguagem Simples ou procedimento semelhante, desde que não tenha fins comerciais.

A proposta altera a Lei de Direitos Autorais e segue para o Senado. Portanto, a nova permissão ainda não está em vigor. O texto aprovado cria uma exceção específica, sem eliminar a proteção autoral para usos comerciais ou fora das condições previstas.

A proposta acrescenta uma exceção limitada aos direitos autorais Comparação entre a regra atual e o texto aprovado pela Câmara

Ponto Situação
Regra já existente Reprodução sem fins comerciais para pessoas com deficiência visual
Nova possibilidade Adaptação para uso exclusivo de pessoas com deficiência intelectual
Forma prevista Linguagem Simples ou procedimento semelhante
Exploração comercial Não autorizada pela exceção
Próxima etapa Análise pelo Senado Federal

Fonte: Agência Câmara e PL 5.974/2023. Elaboração: redação.

Linguagem Simples reduz barreiras de leitura

A Linguagem Simples organiza a informação de forma objetiva e inclusiva. A técnica evita expressões desnecessariamente difíceis e favorece a compreensão direta. Também pode exigir adaptações na estrutura do texto, na apresentação e nos recursos visuais.

A cartilha de acessibilidade do governo digital recomenda cuidado com metáforas, abreviações e expressões não literais. Esses recursos podem dificultar a leitura por pessoas com deficiência intelectual ou neurológica. Adaptar uma obra, portanto, não significa apenas substituir algumas palavras.

O objetivo é permitir acesso ao conteúdo sem exigir que o leitor dependa sempre de um intermediário. A proposta trata de autonomia cultural e educacional. Seu alcance prático dependerá da produção efetiva de versões acessíveis por editoras, bibliotecas, escolas e outras organizações.

Exceção não libera reprodução comercial

A Lei de Direitos Autorais já permite a reprodução para uso exclusivo de pessoas com deficiência visual quando feita sem fins comerciais. Isso inclui o sistema braile ou outro procedimento adequado. O projeto amplia esse modelo para outra barreira de acesso.

O relator, deputado Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ), apresentou a comparação entre as duas situações no parecer da Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência. A Comissão de Cultura ajustou a redação final aprovada pelo plenário.

A exceção não autoriza vender adaptações nem reproduzir obras para o público geral sem permissão. Também não transfere a autoria para quem faz a versão acessível. As condições de finalidade e destinatário delimitam o uso que deixará de ser considerado ofensa aos direitos autorais.

O PL 5.974/2023 foi apresentado pela Comissão de Legislação Participativa, que recebe sugestões de cidadãos. O texto passou pelas comissões temáticas antes de chegar ao plenário. A Agência Câmara não divulgou o placar nominal da aprovação desta quinta.

No Senado, os parlamentares poderão manter ou alterar a proposta. Se houver mudanças de mérito, o texto poderá retornar à Câmara, conforme o percurso legislativo aplicável. Depois da aprovação final, ainda haverá a etapa de sanção presidencial.

O que diz o relator, Aureo Ribeiro: No parecer, ele comparou a proposta à exceção já existente para pessoas com deficiência visual. O deputado defendeu a reprodução adaptada, sem fins comerciais, como instrumento de acesso para pessoas com deficiência intelectual.

A próxima decisão cabe ao Senado. Até lá, permanece a legislação atual. Se a proposta virar lei, o desafio seguinte será formar profissionais e ampliar o acervo acessível, para que a permissão jurídica se converta em livros e materiais realmente disponíveis.

Como fizemos: Comparamos a regra atual e o substitutivo descrito pela Agência Câmara nesta quinta-feira. Consultamos a cartilha de acessibilidade do governo digital para explicar a Linguagem Simples. A tabela separa a exceção aprovada de usos comerciais e registra que o projeto ainda não virou lei.

Fontes