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Projeto garante transporte e falta abonada a conselheiros da merenda

Comissão aprovou apoio ao trabalho voluntário dos CAEs; presidente e vice poderão ser cedidos ao conselho com salário do órgão de origem.

Trabalhadora prepara merenda em panelas grandes na cozinha de um centro educacional
Preparo de merenda no Centro Educacional Carneiro Ribeiro, em 2011; conselhos fiscalizam contratos, estoques e cardápios.Foto: Adenilson Nunes / Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Salvador / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

A Comissão de Educação da Câmara aprovou nesta sexta-feira (6) regras para apoiar os Conselhos de Alimentação Escolar (CAEs). O texto determina transporte para as fiscalizações e falta abonada com justificativa para conselheiros do serviço público e da iniciativa privada.

O trabalho continuará sendo voluntário e não remunerado. A mudança busca reduzir custos e conflitos com o emprego que podem dificultar a participação social. O CAE acompanha contratos de merenda, estoques, comprovantes de gastos e cardápios.

O apoio muda a rotina da fiscalização

O Projeto de Lei 2.268/2023, da deputada Socorro Neri (PP-AC), recebeu parecer favorável da relatora Luciene Cavalcante (Psol-SP). Ela recomendou o texto já aprovado na Comissão de Administração e Serviço Público.

O projeto permite que servidores na presidência ou vice-presidência sejam cedidos ao conselho. Nesse caso, trabalharão exclusivamente no CAE e continuarão recebendo do órgão de origem. A regra atual do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) não prevê essa possibilidade.

Apoio ao conselheiro não transforma mandato em emprego Condições atuais e mudanças previstas no PL 2.268/2023

Aspecto Regra atual Proposta aprovada
Mandato quatro anos, não remunerado mantém quatro anos, não remunerado
Transporte não há garantia nacional no texto citado estados e municípios devem garantir condições
Faltas ao trabalho não há regra nacional descrita abonadas com justificativa
Presidência e vice cessão exclusiva não prevista servidor poderá ser cedido com remuneração de origem

Fonte: Agência Câmara e Lei 11.947/2009. Elaboração: redação.

Conselho reúne pais, trabalhadores e governo

Os CAEs acompanham os recursos federais repassados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Os conselhos reúnem representantes do Executivo, trabalhadores da educação, professores, pais e sociedade civil.

A composição permite que quem convive com a escola acompanhe a compra e a entrega dos alimentos. O transporte é necessário para verificar estoques e unidades atendidas. A falta abonada facilita participar das reuniões e inspeções durante o expediente.

“Os CAEs constituem instâncias fundamentais de controle social”, afirmou Luciene. Segundo ela, a atuação é decisiva para garantir a qualidade da alimentação escolar e fiscalizar contratos e comprovantes.

O projeto não altera o valor repassado para a alimentação nem cria um novo programa. Seu foco são as condições de trabalho dos conselheiros. Os custos de transporte deverão ser organizados por estados e municípios se a proposta virar lei.

O que diz a relatora: Luciene Cavalcante defende que o CAE exerce controle social sobre a qualidade da merenda. Segundo ela, cabe ao conselho fiscalizar contratos, verificar estoques, analisar gastos e avaliar os cardápios oferecidos aos estudantes.

Texto ainda passará por duas comissões

A tramitação é conclusiva. A proposta seguirá para as comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Se concluir essas etapas, poderá ir diretamente ao Senado, sem votação no plenário da Câmara.

Para virar lei, o texto precisa ser aprovado pelas duas Casas e sancionado pelo presidente. Até lá, permanecem as regras atuais dos conselhos. A proposta não determina pagamento automático de salário a todos os conselheiros.

As próximas análises mostrarão se a cessão remunerada das presidências será preservada. Também será necessário detalhar como estados e municípios organizarão transporte e comprovação das faltas. Para as escolas, o efeito esperado é uma fiscalização mais regular.

Como fizemos: Consultamos a aprovação da Comissão de Educação divulgada em 6 de novembro de 2026. Comparamos as condições do mandato com as três formas de apoio propostas. A análise distingue trabalho voluntário, cessão remunerada e custeio de deslocamento. Não estimamos custos porque a fonte não apresenta valores nem o número de conselheiros atingidos.

Fontes