Fórmula 1 fica em Interlagos até 2035 após nova prorrogação
Contrato ganha cinco anos; prefeitura informa R$ 500 milhões em obras e prevê novos investimentos, ainda sem detalhar os próximos valores.

A Fórmula 1 e a Prefeitura de São Paulo anunciaram neste sábado (7) a permanência do Grande Prêmio em Interlagos até 2035. O novo acordo acrescenta cinco anos ao contrato, que terminaria em 2030. A prorrogação garante ao menos mais nove edições no Autódromo José Carlos Pace.
O anúncio também prevê continuidade dos investimentos municipais no autódromo. A Fórmula 1 classificou os aportes como “significativos”, mas não divulgou valores nem um cronograma. Até agora, a prefeitura informa ter destinado R$ 500 milhões à modernização do equipamento e de seu entorno.
Nova prorrogação soma cinco anos ao contrato Prazo confirmado e principais dados do evento e do equipamento público
| Item | Valor ou período |
|---|---|
| Contrato anterior | até 2030 |
| Novo prazo | até 2035 |
| Investimento municipal já informado | R$ 500 milhões |
| Público em 2024 | 291.717 pessoas |
| Público em 2025 | 303.627 pessoas |
| Impacto econômico estimado em 2025 | R$ 2,3 bilhões |
Fonte: Fórmula 1, Prefeitura de São Paulo e estudo da FGV divulgado pelo município. Elaboração: redação.
O acordo dá previsibilidade ao equipamento público
A renovação antecipada permite planejar melhorias por um período mais longo. Também mantém São Paulo como a única etapa sul-americana do campeonato. A edição de 2027 já tem data: de 5 a 7 de novembro.
Interlagos é um equipamento público. Em 2025, Ricardo Nunes afirmou que a administração optou por não conceder o autódromo à iniciativa privada. Segundo o prefeito, a escolha buscou preservar o espaço como gerador de emprego, renda e atividade turística.
O investimento informado alcançou pista, instalações, infraestrutura e mobilidade no entorno. Parte das melhorias permanece após os três dias de corrida. O autódromo também recebe outros eventos, o que amplia o uso do patrimônio municipal.
A origem do público ajuda a medir esse alcance. Em 2025, 75% dos espectadores vieram de fora da capital. Outros estados responderam por 40%, e o exterior, por 17%. Interior e Região Metropolitana somaram 18%. Residentes na capital foram 25%.
Essa circulação de visitantes sustenta a demanda por hospedagem, alimentação e transporte. Os percentuais mostram de onde vieram os espectadores, mas não revelam quanto cada grupo gastou. Também não medem como a renda foi distribuída entre trabalhadores e empresas.
Impacto econômico não é lucro nem arrecadação
Um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), usando dados do turismo municipal, estimou R$ 2,3 bilhões de impacto em 2025. O valor teve alta real de 9,7% sobre 2024. O cálculo considera gastos diretos e efeitos indiretos na cadeia produtiva.
Do total, R$ 1,4 bilhão correspondeu ao impacto direto. Outros R$ 894,2 milhões foram classificados como indiretos. A prefeitura também informou R$ 324,4 milhões em tributos federais, estaduais e municipais.
Esses números medem coisas diferentes. Impacto econômico é movimentação estimada, não lucro do evento. Também não representa dinheiro que retorna integralmente aos cofres municipais. Por isso, os R$ 2,3 bilhões não devem ser comparados diretamente com os R$ 500 milhões de obras.
O público cresceu 4,1% entre 2024 e 2025, com 11.910 pessoas a mais. O estudo registrou 23,7 mil profissionais envolvidos na edição de 2025. Esse dado não significa 23,7 mil empregos permanentes criados.
O que diz a Prefeitura de São Paulo: Ricardo Nunes afirmou que a renovação garante continuidade a um evento que movimenta hotéis, restaurantes, comércio e serviços. Segundo ele, o acordo dá previsibilidade ao investimento e fortalece o calendário de grandes eventos da cidade.
Os próximos aportes ainda precisam de detalhes
O comunicado não separa quanto será gasto pela prefeitura e pelo promotor do Grande Prêmio. Também não apresenta o custo total do novo contrato nem os projetos que receberão os recursos futuros. Essas informações serão necessárias para avaliar o compromisso público até 2035.
A permanência consolida uma política de grandes eventos apoiada em patrimônio municipal. O histórico de público e a estimativa da FGV sustentam a relevância econômica da corrida. A prestação de contas sobre os próximos investimentos definirá o custo dessa escolha para São Paulo.
Como fizemos: Conferimos os comunicados da Fórmula 1 e da Prefeitura de São Paulo publicados neste sábado. Para o histórico, usamos o estudo da FGV apresentado pelo município em 2025. Calculamos a diferença de público entre os dois anos. Separamos impacto econômico, tributos, gasto público e empregos temporários ou permanentes.



