ReportagemEstados

Bombeiros veem menor chance de vítimas sob escombros no Brás

Equipes resgataram 29 pessoas e seguem com dois cães de busca; quatro tiveram escoriações leves, e outras 13 provavelmente não estavam no local.

Ambulância vermelha e amarela do Corpo de Bombeiros paulista estacionada em Salto
Ambulância do Corpo de Bombeiros paulista em Salto, em 2023; a imagem não registra a ocorrência no Brás.Foto: Renkrenk1 / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O Corpo de Bombeiros retomou neste sábado (7) as buscas no prédio cujo teto desabou na noite anterior no Brás, centro de São Paulo. Ao todo, 29 pessoas foram resgatadas. A corporação afirma que diminuíram consideravelmente as chances de haver alguém sob os escombros, mas ainda não descarta a possibilidade.

Duas equipes cinotécnicas, com cães treinados para localizar pessoas, participam do trabalho. Máquinas continuam retirando o material do imóvel na Rua Maria Joaquina, 192. O prédio de quatro andares abrigava uma loja de roupas. Trabalhadores descarregavam mercadorias no momento do desabamento.

Buscas seguem apesar da avaliação mais favorável Balanço divulgado pelo Corpo de Bombeiros neste sábado

Item Informação
Pessoas resgatadas 29
Pessoas encaminhadas à UPA com escoriações leves 4
Estimativa inicial de pessoas no local, segundo testemunhas 36
Pessoas que provavelmente não estavam no imóvel na chegada das equipes 13
Cães de salvamento em atuação 2

Fonte: Corpo de Bombeiros e Agência Brasil. Os grupos informados não devem ser somados, pois a atualização não detalha a relação entre todas as contagens.

A mudança está na localização das pessoas

Testemunhas haviam estimado 36 pessoas no imóvel. Segundo a corporação, as informações reunidas depois indicam que outras 13 não estavam no local quando o salvamento chegou. Essa apuração reduziu a preocupação com possíveis vítimas remanescentes.

A atualização não explica detalhadamente como as contagens se relacionam. Por isso, os números não devem ser combinados para produzir um total de desaparecidos. A única conclusão segura é a dada pelos Bombeiros: a chance diminuiu, mas a verificação continua.

Quatro pessoas foram levadas a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) com escoriações sem gravidade. As demais saíram antes da chegada das equipes. Um homem resgatado teria entrado na loja apenas para usar o banheiro, segundo relato colhido pela corporação.

A operação começou na noite de sexta-feira

Os Bombeiros foram acionados por volta das 18h40 de sexta, segundo o Diário do Grande ABC. A primeira mobilização reuniu 51 agentes e 17 viaturas. As informações iniciais apontavam cerca de 20 pessoas retidas em um cômodo cuja laje não cedeu.

O trabalho deste sábado mudou de etapa, não de objetivo. Os cães ajudam a indicar pontos que precisam ser verificados. A retirada mecânica dos escombros prosseguirá até que as equipes tenham certeza de que não há vítimas no local.

A causa do desabamento não foi informada nas atualizações consultadas. Também não há, nas fontes, avaliação técnica conclusiva sobre a estrutura. Atribuir responsabilidade agora seria especulação.

Imóvel não tinha vistoria regular dos Bombeiros

O prédio não possuía Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) regular, segundo a corporação. O documento registra a vistoria das condições de segurança contra incêndio. Sua ausência não comprova a causa do colapso nem substitui uma perícia estrutural.

O prefeito Ricardo Nunes e o secretário estadual de Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, citaram o excesso de peso de tecidos como principal hipótese. Ambos ressalvaram que a perícia ainda confirmará a causa. A Agência Estado informou não ter localizado os proprietários do imóvel.

Foi o segundo desmoronamento grave na capital em menos de 60 dias. Em 12 de setembro, seis pessoas morreram após a queda de um prédio em construção sobre uma casa na Penha. Os casos têm circunstâncias diferentes, mas mantêm a fiscalização urbana na agenda pública.

O que diz o Corpo de Bombeiros: “O trabalho de retirada de material com o uso dos maquinários continuará até termos certeza que não há vítimas sob os escombros”. A corporação afirmou que as chances diminuíram consideravelmente, mas que não podem ser totalmente excluídas.

O próximo marco é a conclusão da varredura

A redução da estimativa não encerra a ocorrência. O ponto decisivo será a confirmação de que toda a área atingida foi examinada. Até lá, a presença das equipes e das máquinas seguirá necessária.

Também será preciso esclarecer a dinâmica do desabamento e a situação estrutural do prédio. Essas respostas dependem de apuração técnica. O balanço deste sábado responde à prioridade imediata: localizar pessoas e descartar, com segurança, qualquer vítima remanescente.

Como fizemos: Conferimos as atualizações do Corpo de Bombeiros publicadas pela Agência Brasil e pela Agência Estado em 7 de novembro. Separamos resgatados, feridos, estimativas e pessoas localizadas fora do imóvel. Não somamos categorias cuja relação não foi explicada. Também distinguimos a falta de AVCB, a hipótese oficial e a conclusão ainda pendente da perícia.

Fontes