Polícia indicia Milton Leite e pede prisão preventiva
Inquérito sobre o PCC no transporte paulistano tem 104 páginas e 13 indiciados; ex-vereador nega acusações e segue preso temporariamente.

A Polícia Civil de São Paulo indiciou o ex-presidente da Câmara Municipal, Milton Leite, e outras 12 pessoas na Operação Vectura Corrupta. A corporação concluiu o inquérito e pediu a prisão preventiva do grupo, segundo reportagem de Josmar Jozino, no UOL.
Todos foram indiciados por associação à organização criminosa. A investigação apura a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte público paulistano. O indiciamento não representa denúncia nem condenação.
Relatório de 104 páginas sustenta o pedido
O relatório final tem 104 páginas. De acordo com o UOL, a polícia afirma que Leite ocultou e destruiu provas. O documento também cita o poder econômico e a influência política do ex-vereador para justificar a prisão sem prazo definido.
Segundo a corporação, ele teria mantido contato com pessoas alheias à investigação enquanto estava na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes. Leite negou todas as acusações em depoimento e declarou ser inocente.
Indiciamento encerra etapa policial, mas não abre ação penal Etapas e situação documentada após a conclusão do inquérito
| Etapa | Quem decide | Situação neste caso |
|---|---|---|
| Indiciamento | Polícia Civil | concluído para 13 investigados |
| Prisão preventiva | Justiça, após análise do pedido | pedida pela polícia |
| Denúncia | Ministério Público | ainda não apresentada nesta etapa |
| Ação penal | Justiça | depende do recebimento de eventual denúncia |
Fonte: UOL. Elaboração: redação.
Leite está preso temporariamente desde 18 de setembro. A prisão temporária tem prazo e ocorre durante a investigação. A preventiva pode ser mantida enquanto houver fundamentos legais, mas também depende de decisão judicial.
No dia 20 de outubro, o ex-vereador foi transferido para o Centro de Detenção Provisória 2 de Guarulhos. A transferência ocorreu após suspeita de que ele recebia regalias de policiais civis na unidade de Mogi, conforme a reportagem.
Investigação cita controle de empresas de ônibus
A polícia aponta Leite como responsável direto pela operação de empresas que estariam sob controle do PCC. O relatório também o identifica como dono de fato da Transwolff. Essas são conclusões da investigação policial, não fatos confirmados por sentença.
O ex-vereador negou essas acusações. A posição dele foi registrada em depoimento e repetida por sua assessoria quando ele se apresentou à polícia, em setembro. Na ocasião, afirmou que não havia fugido e que colaboraria com as autoridades.
Entre os outros indiciados estão Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans, e Danilo Marco Morgado Silva, ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande. Também aparece Carla de Paula Muller, mulher de Antônio José Muller Júnior, apontado pelo Ministério Público paulista como líder do PCC.
A operação reúne investigações sobre relações entre a organização criminosa, agentes públicos e empresas de transporte. A conclusão do inquérito organiza as provas reunidas até agora. Cabe ao Ministério Público avaliar se os elementos sustentam uma acusação formal na Justiça.
O que diz Milton Leite: O ex-vereador negou todas as acusações em depoimento e disse ser inocente, segundo o UOL. Em setembro, sua assessoria também divulgou nota negando fuga e reafirmando inocência, informação registrada pela Agência Brasil.
Ministério Público analisará o pedido
O Ministério Público do Estado de São Paulo deve analisar o pedido de prisão preventiva no começo da próxima semana. Se oferecer denúncia e a Justiça aceitá-la, os acusados passarão à condição de réus. Isso ainda não aconteceu.
A próxima etapa é decisiva para definir quais provas serão levadas a uma ação penal. Até uma eventual condenação definitiva, vale a presunção de inocência. O caso também permite acompanhar como o poder público responde à suspeita de captura do transporte por uma organização criminosa.
Como fizemos: Conferimos o relatório jornalístico do UOL publicado neste sábado e a cobertura anterior da Agência Brasil sobre a apresentação de Leite à polícia. Reorganizamos as etapas do processo para não confundir indiciamento, denúncia e condenação. Não tivemos acesso direto às 104 páginas do relatório; por isso, suas conclusões estão atribuídas à Polícia Civil e à reportagem.



