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PT resiste à entrada do PL no bloco que disputa a CCJ

Com 70 deputados, o PT perderia a prioridade para os 121 do PL na divisão de comissões; Motta já reúne 361 apoios à reeleição.

Hugo Motta discursa em uma tribuna do Congresso Nacional, ao lado da bandeira do Brasil
O presidente da Câmara, Hugo Motta, em sessão no Congresso em 16 de outubro de 2026.Foto: Edilson Rodrigues / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), fez uma declaração neste sábado (7). Ele classificou como “incompatível” a entrada do PL no bloco de apoio à reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB). A resistência envolve a divisão da Mesa Diretora e das comissões permanentes. O principal alvo é a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ).

Motta já reúne 361 apoios declarados, segundo levantamento do Poder360. São 104 votos acima dos 257 necessários para vencer. A entrada do PL não decidiria, portanto, a sobrevivência política do atual presidente. Mudaria, porém, o equilíbrio na distribuição dos cargos legislativos.

PL elevaria o bloco a 482 deputados Bancadas e apoios considerados nas negociações deste sábado

Grupo ou item Número de deputados
Bloco atual de apoio a Motta 361
Votos necessários para eleger o presidente 257
Bancada do PL 121
Bancada do PT 70
Bloco hipotético com o PL 482

Fonte: Poder360. Soma do bloco hipotético e diferença sobre a maioria: redação.

A diferença está na proporção, não só no apoio

O PT reúne 19,4% dos 361 integrantes do bloco atual. A sigla já declarou apoio à recondução de Motta. É a maior bancada entre os partidos que já apoiam Motta. Essa posição fortalece a sigla na escolha das comissões, embora não crie um direito automático a nenhuma presidência.

Com a entrada do PL, o grupo passaria a 482 deputados. O PL teria 25,1% desse total, e o PT ficaria com 14,5%. A legenda de Flávio Bolsonaro assumiria a primeira posição e ganharia força para reivindicar os espaços mais disputados.

A CCJ examina a constitucionalidade, a legalidade e a adequação regimental das propostas. Pode barrar um projeto antes do plenário. Por isso, seu comando interfere na capacidade do governo e da oposição de fazer pautas avançarem.

Na Mesa Diretora, o PT negocia ficar com a 1ª Secretaria. Uma vice-presidência deve ser destinada ao Centrão, e não ao PL, segundo o arranjo relatado. O desenho mostra que o apoio a Motta foi construído com contrapartidas. A chegada do PL exigiria rever espaços reservados aos demais partidos. Nenhum desses cargos estava formalmente confirmado no relato.

A divisão também depende de negociação. As regras de proporcionalidade orientam a composição das comissões, mas os partidos podem trocar vagas e firmar acordos. Maior bancada não significa controle garantido da CCJ.

O PL ainda não decidiu entrar no bloco

A bancada do PL se reunirá na quarta-feira (11). Integrantes ouvidos pelo Poder360 afirmam que a maioria quer candidatura própria. Outros temem perder espaço nas comissões caso o partido fique fora do acordo.

Há resistência a Motta dentro do PL porque ele apoiou a reeleição de Lula. Um integrante da sigla também reclamou que projetos do partido avançaram nas comissões, mas não chegaram ao plenário. A cobrança mostra que a disputa inclui a pauta, além dos cargos.

Uczai disse que a eventual entrada de novas siglas será decidida coletivamente, conforme relato atribuído a Motta. O petista também afirmou que não pretende excluir o PL de todas as articulações. Segundo ele, o isolamento ocorreria nas votações de propostas consideradas “reacionárias”.

O que diz o PT: Uczai chamou de “incompatível” a participação do PL no bloco de Motta. Ao Poder360, também afirmou: “O que vai isolar com o PL vai ser a pauta legislativa”. O líder citou como exemplo as propostas que classificou como “retrocessos” e “pautas reacionárias”.

A próxima definição cabe à bancada do PL

O cenário abre duas possibilidades. Dentro do bloco, o PL teria mais força numa aliança majoritária, mas precisaria apoiar Motta. Fora dele, poderia lançar candidato próprio e negociar cargos separadamente, sem garantia de vitória na presidência da Casa.

Para o PT, o apoio a Motta busca preservar influência na Mesa e nas comissões. Para o PL, a escolha combina oposição ao governo e sobrevivência institucional. A reunião de quarta-feira indicará qual desses objetivos prevalecerá.

Como fizemos: Conferimos as declarações publicadas pelo Poder360 em 7 de novembro de 2026 e as atribuições da CCJ no portal da Câmara. Calculamos as participações dividindo cada bancada pelo total do bloco, com e sem o PL. Os percentuais medem peso numérico, não o resultado de acordos ainda abertos.

Fontes