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Fundo Rio Doce começa a liberar R$ 433,8 milhões para projetos

Fundação Banco do Brasil iniciou repasses a 1.464 projetos de reparação em comunidades atingidas pelo rompimento de Mariana.

Trecho do Rio Doce visto de cima, com água marrom seguindo em direção à foz
Trecho do Rio Doce em imagem de arquivo; o fundo financia projetos de reparação nos territórios atingidos.Foto: Eurico Zimbres / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

A Fundação Banco do Brasil começou a liberar R$ 433,8 milhões para 1.464 projetos aprovados no Edital Rio Doce Participativo e Comunitário. O desembolso começou menos de uma semana após a divulgação do resultado final, informou a Secretaria-Geral da Presidência em 26 de outubro.

Os recursos vêm do Fundo de Participação Social da Bacia do Rio Doce e do Litoral Norte Capixaba. O edital atende comunidades afetadas pelo rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana (MG), ocorrido em 2015.

Indicador do edital Resultado
Projetos aprovados 1.464
Recursos em desembolso R$ 433,8 milhões
Estados envolvidos Minas Gerais e Espírito Santo
Ano do rompimento 2015

Dinheiro para renda e reconstrução

A lista de projetos inclui geração de renda, economia popular e solidária, reabilitação territorial e reconstrução de modos de vida. Também há ações de resiliência comunitária, transição climática e autonomia de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais.

O governo não divulgou, na nota, o valor de cada projeto nem um calendário detalhado de parcelas. Por isso, o total de R$ 433,8 milhões não significa que todo o recurso já tenha chegado às organizações. O anúncio trata do início dos repasses.

A reparação é diferente de uma obra isolada. Ela envolve recuperar renda, serviços e autonomia em territórios que perderam atividades econômicas e qualidade ambiental. O resultado depende da execução local e de acompanhamento público.

Conselho tem metade da sociedade civil

O Conselho Federal de Participação Social da Bacia do Rio Doce e do Litoral Norte Capixaba ajudou a construir o edital. A Secretaria-Geral informou que o colegiado tem 36 membros: metade da sociedade civil da região atingida e metade da administração federal.

Essa composição permite que as comunidades acompanhem decisões e cobrem resultados. Participação social não substitui auditoria. Ela acrescenta conhecimento local e cria um canal permanente para registrar problemas na execução.

O edital integra o Acordo do Rio Doce, firmado pela União, pelos governos de Minas Gerais e do Espírito Santo e pelas empresas responsáveis pela barragem. O instrumento prevê reparação com participação social, desenvolvimento sustentável e fortalecimento da autonomia dos territórios.

O que diz o governo: A Secretaria-Geral afirma que os projetos foram selecionados com “escuta ativa” das populações atingidas e que o conselho acompanhará a execução dos compromissos do acordo.

O desafio agora é transformar o repasse inicial em obra, renda e recuperação ambiental verificável. Publicar projetos, valores pagos e indicadores de resultado será essencial para que a reparação não termine apenas no anúncio do dinheiro.

Como fizemos: Consultamos a Secretaria-Geral em 27/10/2026 e conferimos o edital divulgado pelo governo. Mantivemos o valor total e o número de projetos informados oficialmente. A nota não detalha cronograma de parcelas por município.

Fontes