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Lula venceu por 4,4 milhões: a prova do mandato está em SP e no Sul

Com 51,79% dos votos válidos, Lula precisa governar também para São Paulo, o Sul e o Centro-Oeste, onde Flávio Bolsonaro venceu.

Ponto de vista. A posição exposta neste texto é de quem assina e não representa necessariamente a linha editorial do Meridiano.

Telão no Palácio do Planalto mostra Lula com a faixa presidencial, diante de público sentado no saguão
Telão no Palácio do Planalto exibe Lula com a faixa presidencial diante de público sentado.Foto: Wilson Dias / Agência Brasil / Wikimedia Commons (CC BY 3.0 BR)

Ponto de vista. Texto de opinião, separado da reportagem.

Lula (PT) foi reeleito no domingo (25) com 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro (PL) teve 48,21%. São 64.256.232 votos contra 59.826.041, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com 100% das seções totalizadas.

A diferença foi de 4.430.191 votos, pouco mais de 3 pontos percentuais. A vitória é clara na conta, mas apertada no mapa. Em boa parte do país, Flávio Bolsonaro venceu.

Na posse de 1º de janeiro de 2023, Lula disse: “Vou governar para os 215 milhões de brasileiros e brasileiras, e não apenas para quem votou em mim”. A frase é uma boa régua para o novo mandato. Ela cobra mais do que discurso.

Quem votou contra, e o que pede

Flávio Bolsonaro venceu em São Paulo, no Sul e no Centro-Oeste Percentual dos votos válidos no 2º turno, por estado, em 25 de outubro de 2026

Estado Vencedor % dos votos válidos
Santa Catarina Flávio 69,42%
Mato Grosso Flávio 66,06%
Paraná Flávio 62,58%
Goiás Flávio 59,66%
Rio Grande do Sul Flávio 57,84%
São Paulo Flávio 53,85%
Rio de Janeiro Flávio 53,10%
Minas Gerais Lula 50,43%

Fonte: TSE, republicado por eleicoes2026brasil.com (acesso em 26/10/2026). Elaboração: redação.

Em São Paulo, Flávio teve 53,85% dos votos válidos. No Paraná, teve 62,58%. Esses eleitores não somem do mapa só porque o resultado nacional favoreceu Lula.

Quem votou em Flávio tem razões documentadas. O plano dele, “Para o Brasil Vencer o Atraso”, foi entregue ao TSE em agosto. Um dos eixos se chama “Brasil Mais Barato”. Segundo a Agência Brasil, o plano prevê um “tesouraço” nos gastos públicos e uma reforma que corta dez ministérios.

Uma coluna do SBT News resume a promessa como “reduzir a carga tributária e baratear itens essenciais, como comida, energia e transporte”. Essas propostas respondem a uma queixa real. Conta de luz, combustível e comida pesam no orçamento de quem ganha pouco e de quem ganha mais.

Entregar onde o voto foi contra

A resposta ao eleitor de Flávio não pode ser a frase de 2023. Precisa ser entrega visível, com número, em cada estado. Já existe uma medida que alcança todo o país.

O Congresso promulgou na sexta-feira (16) a Emenda Constitucional 141, que acaba com a escala 6x1, em que o trabalhador cumpre seis dias de trabalho para um de folga. Pelo texto, a jornada máxima cai para 42 horas semanais em 16 de dezembro e para 40 horas um ano depois. A regra vale para quem votou em Flávio e para quem votou em Lula.

Outros temas exigem o mesmo cuidado. Preço dos alimentos, espera no Sistema Único de Saúde (SUS), desempenho das escolas e dados de segurança precisam sair com recorte estadual. Sem isso, o debate fica no slogan.

O argumento contrário também merece resposta com dados. Quem defende um Estado menor precisa mostrar onde cortar. Quem defende mais serviço público precisa mostrar onde ele chega.

O que diz o plano de Flávio Bolsonaro: Segundo o documento “Para o Brasil Vencer o Atraso”, entregue ao TSE, a proposta é reduzir impostos sobre energia e combustíveis e cortar gastos públicos, o “tesouraço”. Não localizamos declaração pública de Flávio sobre o resultado até esta publicação.

O que isso significa

Lula venceu com 51,79% e 4.430.191 votos de vantagem. A vitória dá o direito de governar, mas não encerra a conta. As regiões que disseram não fazem parte do país que o governo precisa governar.

A prova do mandato será a conta de luz, o prato de comida, a fila do SUS, a escola e a segurança de quem votou em Flávio. Governar para 215 milhões começa aí.

Como fizemos: Usamos o resultado do 2º turno do TSE, republicado por eleicoes2026brasil.com com dados das 4h06 de 26/10/2026 e 100% das seções totalizadas, acessados em 26/10/2026. Os percentuais são sobre os votos válidos (124.082.273). A diferença de 4.430.191 votos é cálculo nosso (64.256.232 menos 59.826.041). Outras reportagens mostram parciais entre 51,75% e 51,77%. As propostas de Flávio vêm da cobertura da Agência Brasil, pois não tivemos o texto integral do plano. Não entramos em contato com as campanhas para este texto.

Fontes