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Quatro camadas de conferência protegem o seu voto até o resultado

Amanhã, no segundo turno, o voto passa por quatro camadas de conferência, e quem perder deve aceitar o resultado que elas confirmarem.

Ponto de vista. A posição exposta neste texto é de quem assina e não representa necessariamente a linha editorial do Meridiano.

Urna eletrônica brasileira modelo UE2020, com tela, teclado numérico com braille e teclas BRANCO, CORRIGE e CONFIRMA, ao lado do terminal do mesário com leitor de digital
Urna eletrônica modelo UE2020, usada pela Justiça Eleitoral, com o terminal do mesário (foto de arquivo, dezembro de 2021).Foto: Antonio Augusto / Secom / TSE / Wikimedia Commons (domínio público)

Amanhã, domingo (25), os eleitores decidem o segundo turno da eleição presidencial entre Flávio Bolsonaro e Lula. As seções eleitorais funcionam das 8h às 17h, no horário de Brasília. Quem estiver na fila às 17h ainda pode votar.

Uma eleição segura não depende de confiança cega. Depende de conferências que qualquer pessoa pode acompanhar. Entre o programa instalado na urna e o total divulgado, o voto passa por quatro camadas de checagem.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) coordena uma operação com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a Polícia Federal (PF), a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e o Ministério da Defesa. Segundo a Agência Brasil, a operação começou no sábado (24) e segue até domingo (25). No primeiro turno, foram 321.352 profissionais, entre eles 6.565 da PF e 2.726 da PRF. O total do segundo turno ainda não foi divulgado.

Quatro camadas, do programa ao total

A primeira camada é o programa. Em 4 de setembro, o TSE concluiu a assinatura digital e o lacre dos sistemas de 2026, em cerimônia na sede do tribunal. Segundo o Jornal do Comércio, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, disse que, a partir das assinaturas, não é mais possível alterar o sistema.

A segunda camada acontece no dia da votação. Urnas são sorteadas e passam por testes de integridade, que rodam no mesmo horário da votação oficial. Segundo o promotor Vinícius Bigonha, do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), partidos, o Ministério Público e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) acompanham o teste.

No primeiro turno, 55 auditores do Tribunal de Contas da União (TCU) acompanharam esses testes, segundo o TSE citado pela BPMoney. Até essa divulgação, os fiscais não tinham identificado nenhuma ocorrência.

A terceira camada fica dentro da seção. Ao fim da votação, a urna imprime o boletim de urna (BU), com os votos de cada candidato, os brancos e os nulos. Uma via fica afixada no local de votação, e os fiscais dos partidos recebem cópias.

A quarta camada é a conta final. No Portal Resultados do TSE, qualquer eleitor escolhe estado, município, zona e seção na área “Arquivos de Urna” e abre o boletim daquela urna. O sistema também compara esse boletim com a totalização, a soma de todas as seções.

Quem perde também precisa aceitar

Nenhuma dessas camadas vale se quem perde não aceitar o resultado que elas confirmam. Por isso, o compromisso dos candidatos pesa tanto quanto o lacre. Segundo o InfoMoney, em 2 de agosto Flávio Bolsonaro disse ao Canal Livre, da BandNews, que aceitará o resultado de 2026 e disputará dentro das regras da Justiça Eleitoral.

Lula também se manifestou. Em entrevista à revista alemã Der Spiegel, publicada em abril, ele ainda não havia confirmado a candidatura. Ele disse: “Quando o povo toma uma decisão, seja de direita, de esquerda ou do centro, temos que aceitar esse resultado.” A frase foi publicada pela Folha PE.

Houve também um ponto de atrito. Em 21 de julho, Flávio Bolsonaro disse, em reunião com embaixadores, que muitas urnas brasileiras têm “a mesma origem” da empresa venezuelana Smartmatic. Ele citou documentos do governo dos Estados Unidos sobre sistemas de votação na Venezuela. Em 2 de agosto, admitiu que pode ter errado ao associar a empresa às urnas do Brasil, segundo o InfoMoney.

O que diz o TSE: Ao responder a jornalistas em julho de 2026, o tribunal enviou uma matéria de 2020, na qual afirma que a Smartmatic “não forneceu nem fornece urnas eletrônicas para as eleições brasileiras”. Segundo esse texto, a empresa atuou apenas no treinamento de profissionais de suporte técnico e operacional.

O que isso significa

Pedir transparência é legítimo. Segundo o InfoMoney, Flávio Bolsonaro afirmou: “O que sempre pedi foi mais segurança e transparência, nada além disso.” As quatro camadas respondem a esse pedido, porque cada uma pode ser conferida, de fiscais de partido a qualquer eleitor.

A segurança do voto é patrimônio de todos. Ela depende de técnicos que lacram o programa, de policiais que protegem as seções e de fiscais que conferem as urnas. Os dois candidatos já disseram publicamente que aceitam o resultado. Essa promessa vale para quem vencer e para quem perder.

O que ainda está em aberto é o efetivo do segundo turno, que deve ser divulgado no fim de semana, segundo a Agência Brasil. O total final reúne todas as seções, e cada boletim pode ser conferido separadamente.

Como fizemos: Usamos a Agência Brasil (24/10/2026), a Bloomberg Línea (4 e 5/10/2026), o Jornal do Comércio (4/9/2026), a BPMoney (4/10/2026), o Investnews (8/10/2026), o MPMG (20/10/2026), o InfoMoney (3/8/2026), o Diário do Grande ABC (22/7/2026) e a Folha PE (17/4/2026), todos acessados em 24/10/2026. Os sites do TSE e dos TREs bloquearam nosso acesso automatizado, então as informações do tribunal vêm de reportagens que as citam. A soma das quatro categorias de segurança listadas pela Agência Brasil no primeiro turno dá 314.788, e não 321.352. A diferença de 6.564 é cálculo nosso, e a notícia não a explica.

Fontes