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BPC e medicamentos concentram 99% de crédito de R$ 5,2 bilhões

Portaria remaneja R$ 5,166 bilhões; assistência a pessoas com deficiência fica com 91,5%, e farmácias do SUS recebem R$ 387,6 milhões.

Fachada de farmácia com placa indicando participação no programa Farmácia Popular
Farmácia conveniada ao programa Farmácia Popular em São João do Oeste (SC), em junho de 2023.Foto: Dalton Scavassa / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O governo federal autorizou nesta quarta-feira (28) um crédito suplementar de R$ 5,166 bilhões para despesas do Executivo. Benefícios assistenciais e medicamentos do Sistema Único de Saúde (SUS) concentram R$ 5,114 bilhões, ou 99% do total, segundo cálculo da redação.

A Portaria 485/2026, do Ministério do Planejamento e Orçamento, usa o cancelamento de outras dotações para reforçar os programas. Portanto, a medida remaneja recursos do Orçamento. Ela não representa aumento de mesmo valor na despesa total já autorizada.

Benefícios e assistência farmacêutica ficam com quase todo o crédito Destinação dos R$ 5,166 bilhões autorizados pela Portaria 485/2026

Destino Valor Participação
BPC e Renda Mensal Vitalícia por invalidez R$ 4,726 bilhões 91,5%
Assistência farmacêutica do SUS R$ 387,6 milhões 7,5%
Demais ações R$ 52,3 milhões 1,0%

Fonte: Ministério do Planejamento e Orçamento. Percentuais e agrupamento calculados pela redação.

Assistência recebe a maior parcela

O Fundo Nacional de Assistência Social terá R$ 4,726 bilhões para o Benefício de Prestação Continuada (BPC) pago a pessoas com deficiência e para a Renda Mensal Vitalícia por invalidez. O BPC é destinado a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda.

O reforço equivale a 91,5% do crédito. A fatia foi calculada pela divisão do valor destinado aos dois benefícios pelo total da portaria. Os dados publicados não detalham quantos pagamentos serão cobertos nem por quanto tempo o reforço será suficiente.

Medicamentos chegam a pelo menos cinco estados

A assistência farmacêutica receberá R$ 387,6 milhões. O dinheiro financiará aquisição e distribuição de remédios da atenção básica e do componente especializado, que reúne medicamentos de uso específico e dispensação monitorada.

São Paulo terá R$ 66 milhões, o maior valor entre os estados listados. Paraná, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Goiás aparecem em seguida. Juntos, os cinco receberão R$ 227,9 milhões, equivalentes a 58,8% do reforço farmacêutico.

Cinco estados concentram 58,8% do reforço farmacêutico Valores destinados por estado, em R$ milhões

Estado Valor
São Paulo 66,0
Paraná 56,9
Rio Grande do Sul 48,2
Minas Gerais 30,4
Goiás 26,4

Fonte: Portaria 485/2026, segundo a Agência Brasil. Soma e participação calculadas pela redação.

De onde vem o dinheiro

A portaria cancela dotações de subvenções agropecuárias, transferências do setor energético, despesas de pessoal e programas de saúde. Também remaneja valores de aposentadorias e pensões de instituições federais, benefícios previdenciários e outras ações.

O documento não permite concluir que todos esses programas terão cortes de mesmo montante em suas atividades finais. O remanejamento pode corrigir dotações entre ações. O efeito concreto depende da execução orçamentária de cada órgão.

O que diz o Ministério do Planejamento e Orçamento: A Portaria 485/2026 estabelece que o crédito será viabilizado pela anulação de dotações já existentes. Os valores e as unidades beneficiadas estão discriminados no ato publicado no Diário Oficial da União.

Os números mostram a prioridade imediata dada a benefícios e medicamentos. A execução indicará quando os recursos chegarão aos pagamentos e às farmácias. Também será preciso acompanhar os efeitos dos cancelamentos nas ações de origem.

Como fizemos: Somamos os valores do BPC, da Renda Mensal Vitalícia e da assistência farmacêutica e dividimos pelo crédito total. Repetimos o método para os cinco estados. Os demais destinos foram agrupados. Os dados não mostram o cronograma de pagamentos nem o impacto final dos remanejamentos em cada programa.

Fontes