Uruguai encerra último embargo nacional às aves brasileiras
Decisão conclui reversão das restrições em 19 dias, 74% menos que em 2024; limites continuam para Santa Catarina e quatro municípios.

O Uruguai decidiu retomar as importações de produtos avícolas das unidades da Federação brasileiras não afetadas pela doença de Newcastle. A medida encerrou nesta sexta-feira (6) a última restrição comercial aplicada a todo o território nacional.
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou que o país reverteu os embargos nacionais em 19 dias. Na ocorrência de 2024, o processo levou 74 dias. A redução foi de 55 dias, ou 74%, e mostra uma resposta quase quatro vezes mais rápida.
A regionalização evitou restrição a toda a produção
O novo foco foi confirmado em 18 de outubro, em uma granja comercial de perus de Nova Itaberaba, Santa Catarina. Os parceiros que reconheceram a regionalização deixaram de restringir todo o Brasil e concentraram medidas no estado.
Regionalização sanitária é o reconhecimento de que uma ocorrência localizada não apresenta necessariamente risco para toda a produção nacional. A avaliação considera localização, vigilância e medidas de controle. Na ocorrência deste ano, a China reviu sua restrição em menos de 24 horas. Segundo o Mapa, o compartilhamento de evidências técnicas permitiu avaliações de risco mais rápidas e medidas proporcionais.
Prazo para reverter restrições nacionais caiu 74% Comparação entre as ocorrências da doença de Newcastle
| Ocorrência | Confirmação | Fim das restrições nacionais | Prazo |
|---|---|---|---|
| Rio Grande do Sul, 2024 | 18 de julho | 30 de setembro | 74 dias |
| Santa Catarina, 2026 | 18 de outubro | 6 de novembro | 19 dias |
| Diferença | — | — | 55 dias a menos |
Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária. Redução percentual calculada pela redação.
Restrições remanescentes afetam 3% das exportações
Com a decisão uruguaia, nenhum parceiro mantém suspensão contra produtos de todo o país. As limitações atingem Santa Catarina. O impacto estimado pelo Mapa é de aproximadamente 15 mil toneladas mensais, ou 3% da média exportada de 500 mil toneladas.
Onze países ainda restringem produtos avícolas catarinenses. O governo negocia para delimitar as medidas à área efetivamente afetada, seguindo os princípios da Organização Mundial de Saúde Animal.
O Mapa não autoriza exportações originadas de Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim. A regra permanece mesmo depois do fim dos embargos nacionais. Portanto, a retomada não libera toda a produção catarinense.
A resposta reuniu investigação epidemiológica, contenção e vigilância. As equipes da Defesa Agropecuária trabalharam com a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina. Os ministérios da Agricultura e das Relações Exteriores conduziram negociações com os importadores.
O que diz o Ministério da Agricultura: O ministro André de Paula atribuiu o prazo menor à confiança e à capacidade de demonstrar que um foco localizado não precisa comprometer o comércio nacional. O Mapa afirma que produtos avícolas submetidos à inspeção oficial permanecem seguros para consumo.
O próximo passo é reduzir os limites territoriais
A retomada preserva a maior parte do volume exportado e reduz o efeito de uma ocorrência localizada sobre produtores de outros estados. Também mantém controles sobre os municípios considerados de restrição.
A negociação agora busca ampliar a regionalização para os 11 parceiros que ainda limitam Santa Catarina. O objetivo é concentrar as regras na área afetada. O consumo de itens inspecionados não tem contraindicação, segundo o ministério.
Como fizemos: Conferimos as notas do Mapa publicadas entre 5 e 7 de novembro de 2026. Calculamos a diferença de 55 dias e a redução de 74% na comparação com 2024. Os 3% e a média mensal de exportação são estimativas do ministério. A análise separa o fim dos embargos nacionais das restrições que continuam para Santa Catarina e quatro municípios.



