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Uruguai encerra último embargo nacional às aves brasileiras

Decisão conclui reversão das restrições em 19 dias, 74% menos que em 2024; limites continuam para Santa Catarina e quatro municípios.

Auditores fiscais agropecuários reunidos em frente ao Ministério da Agricultura em Brasília
Auditores do Ministério da Agricultura em ato pela fiscalização, em 2017; equipes técnicas conduziram a resposta sanitária deste ano.Foto: Wilson Dias / Agência Brasil / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O Uruguai decidiu retomar as importações de produtos avícolas das unidades da Federação brasileiras não afetadas pela doença de Newcastle. A medida encerrou nesta sexta-feira (6) a última restrição comercial aplicada a todo o território nacional.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou que o país reverteu os embargos nacionais em 19 dias. Na ocorrência de 2024, o processo levou 74 dias. A redução foi de 55 dias, ou 74%, e mostra uma resposta quase quatro vezes mais rápida.

A regionalização evitou restrição a toda a produção

O novo foco foi confirmado em 18 de outubro, em uma granja comercial de perus de Nova Itaberaba, Santa Catarina. Os parceiros que reconheceram a regionalização deixaram de restringir todo o Brasil e concentraram medidas no estado.

Regionalização sanitária é o reconhecimento de que uma ocorrência localizada não apresenta necessariamente risco para toda a produção nacional. A avaliação considera localização, vigilância e medidas de controle. Na ocorrência deste ano, a China reviu sua restrição em menos de 24 horas. Segundo o Mapa, o compartilhamento de evidências técnicas permitiu avaliações de risco mais rápidas e medidas proporcionais.

Prazo para reverter restrições nacionais caiu 74% Comparação entre as ocorrências da doença de Newcastle

Ocorrência Confirmação Fim das restrições nacionais Prazo
Rio Grande do Sul, 2024 18 de julho 30 de setembro 74 dias
Santa Catarina, 2026 18 de outubro 6 de novembro 19 dias
Diferença — — 55 dias a menos

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária. Redução percentual calculada pela redação.

Restrições remanescentes afetam 3% das exportações

Com a decisão uruguaia, nenhum parceiro mantém suspensão contra produtos de todo o país. As limitações atingem Santa Catarina. O impacto estimado pelo Mapa é de aproximadamente 15 mil toneladas mensais, ou 3% da média exportada de 500 mil toneladas.

Onze países ainda restringem produtos avícolas catarinenses. O governo negocia para delimitar as medidas à área efetivamente afetada, seguindo os princípios da Organização Mundial de Saúde Animal.

O Mapa não autoriza exportações originadas de Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim. A regra permanece mesmo depois do fim dos embargos nacionais. Portanto, a retomada não libera toda a produção catarinense.

A resposta reuniu investigação epidemiológica, contenção e vigilância. As equipes da Defesa Agropecuária trabalharam com a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina. Os ministérios da Agricultura e das Relações Exteriores conduziram negociações com os importadores.

O que diz o Ministério da Agricultura: O ministro André de Paula atribuiu o prazo menor à confiança e à capacidade de demonstrar que um foco localizado não precisa comprometer o comércio nacional. O Mapa afirma que produtos avícolas submetidos à inspeção oficial permanecem seguros para consumo.

O próximo passo é reduzir os limites territoriais

A retomada preserva a maior parte do volume exportado e reduz o efeito de uma ocorrência localizada sobre produtores de outros estados. Também mantém controles sobre os municípios considerados de restrição.

A negociação agora busca ampliar a regionalização para os 11 parceiros que ainda limitam Santa Catarina. O objetivo é concentrar as regras na área afetada. O consumo de itens inspecionados não tem contraindicação, segundo o ministério.

Como fizemos: Conferimos as notas do Mapa publicadas entre 5 e 7 de novembro de 2026. Calculamos a diferença de 55 dias e a redução de 74% na comparação com 2024. Os 3% e a média mensal de exportação são estimativas do ministério. A análise separa o fim dos embargos nacionais das restrições que continuam para Santa Catarina e quatro municípios.

Fontes