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Mortalidade por câncer de mama é 3,8 vezes maior entre negras

Mulheres brancas têm mais diagnósticos, mas negras morrem mais; Inca aponta menos rastreamento e defende acesso equânime ao SUS.

Palácio do Buriti iluminado de rosa e refletido em espelho d'água
Palácio do Buriti iluminado durante campanha do Outubro Rosa de ampliação das mamografias, em outubro de 2023.Foto: Tony Oliveira / Agência Brasília / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Mulheres negras têm taxa de mortalidade por câncer de mama 3,8 vezes maior que a registrada entre mulheres brancas no Brasil. O dado foi apresentado pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) durante o Outubro Rosa. Ele revela uma desigualdade que não aparece quando se observa apenas o número de diagnósticos.

Segundo o Inca, a incidência é maior entre mulheres brancas. Isso significa que elas apresentam mais casos da doença. A mortalidade, porém, é maior entre as negras. Incidência e mortalidade medem coisas diferentes e não devem ser confundidas.

Mais diagnósticos entre brancas não significam mais mortes Principais dados apresentados pelo Inca no Outubro Rosa de 2026

Indicador Resultado
Mortalidade entre mulheres negras 3,8 vezes a taxa das mulheres brancas
Incidência Maior entre mulheres brancas
Diagnósticos a partir dos 50 anos Cerca de 4 em cada 5 casos
Casos potencialmente evitáveis por hábitos saudáveis Aproximadamente 17%

Fonte: Instituto Nacional de Câncer, segundo a Agência Brasil.

Acesso ao diagnóstico ajuda a explicar a diferença

O Inca aponta menor realização de exames de rastreamento entre mulheres negras de 50 a 69 anos. Rastreamento é a realização de exames em pessoas sem sintomas para identificar a doença precocemente.

A coordenadora da divisão de detecção precoce, Renata Maciel, relacionou o resultado ao acesso ao diagnóstico e aos tratamentos. Ela também informou maior incidência do subtipo triplo-negativo entre mulheres negras. Esse tipo de tumor é considerado mais grave.

O diretor-geral Roberto Gil afirmou que fatores biológicos e barreiras de acesso podem levar a diagnósticos mais tardios. A publicação também cita desigualdades socioeconômicas e condições de vida como possíveis contribuintes.

O número de 3,8 vezes é uma comparação entre taxas populacionais. Ele não determina o risco de uma pessoa específica nem explica sozinho a causa da diferença.

Prevenção precisa incluir equidade

O Inca recomenda políticas de prevenção e promoção da saúde voltadas às populações mais vulneráveis. Entre os fatores de risco modificáveis estão obesidade e consumo de bebidas alcoólicas. Alimentação saudável, atividade física e aleitamento materno aparecem como práticas protetoras.

A artesã Solange Barbosa de Freitas contou no evento que descobriu a doença em exame de rotina no Outubro Rosa de 2019. Ela não apresentava sintomas. Passou por três cirurgias, retirada de uma mama e reconstrução.

O caso ilustra a importância do rastreamento, mas não substitui orientação individual. A frequência e a indicação de exames devem ser discutidas com profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente diante de sintomas ou histórico familiar.

O que diz o Inca: O diretor-geral Roberto Gil afirmou que o estudo mostra a necessidade de políticas públicas com equidade. Ele defendeu acesso uniforme de todas as populações aos serviços de saúde e destacou a importância do diagnóstico precoce.

A publicação coloca a desigualdade racial no centro do debate sobre câncer de mama. O próximo desafio é transformar o diagnóstico em acesso efetivo a exames e tratamento. O segundo volume da série abordará mortalidade e sobrevida, segundo o Inca.

Como fizemos: Conferimos a apresentação dos dados na Agência Brasil e a descrição da série no site do Inca. A tabela separa incidência, mortalidade e fatores de prevenção. Não calculamos risco individual porque as fontes não apresentam as taxas absolutas nem os dados necessários para essa interpretação.

Fontes