Governador também decide saúde e escola: o voto de domingo pesa
No domingo (25), cinco estados e o DF escolhem governador no 2º turno. As leis obrigam esses governos a aplicar percentuais mínimos em saúde e escola.
Ponto de vista. A posição exposta neste texto é de quem assina e não representa necessariamente a linha editorial do Meridiano.

No domingo (25), eleitores de cinco estados e do Distrito Federal voltam às urnas para escolher governador. A disputa vai ao segundo turno no Acre, no Amazonas, no Espírito Santo, no Rio Grande do Norte, no Tocantins e no DF. A votação acontece no mesmo dia da eleição presidencial.
Pela regra constitucional, há segundo turno quando nenhum candidato chega a mais da metade dos votos válidos, segundo a Agência Brasil. O Rio de Janeiro ficou de fora por outro caminho. O TSE anulou 274.411 votos de Anthony Garotinho, e o TRE-RJ proclamou Douglas Ruas (PL) governador eleito no primeiro turno, com 50,88%, em 15 de outubro.
Este texto defende que o voto para governador merece a mesma atenção que o voto para presidente. O governo estadual administra uma parte importante do dinheiro da saúde e da escola. Por isso, a pergunta certa para domingo é quanto cada candidato vai gastar nessas duas áreas.
O piso que a lei obriga a gastar
Piso é o mínimo que a lei manda aplicar. Na saúde, a Lei Complementar 141, de 2012, obriga os estados e o Distrito Federal a aplicar pelo menos 12% da arrecadação de impostos em ações e serviços públicos de saúde. Entram nessa base impostos estaduais e parte das transferências federais, descontada a parte repassada aos municípios.
Na educação, o artigo 212 da Constituição exige que estados, Distrito Federal e municípios apliquem pelo menos 25% da receita de impostos no ensino. Para a União, o mínimo é de 18%. São percentuais mínimos, não um teto. Um governo pode gastar mais, e esse “mais” é justamente o que está em disputa.
Na escola, a maior parte das matrículas já é estadual. Segundo reportagem da Folha sobre o Censo Escolar 2025, divulgado pelo Inep, as redes estaduais tinham 82% das matrículas do ensino médio no país em 2025. Eram cerca de 6 milhões de alunos. Esse número caiu 6,62% em um ano, de 6,475 milhões para 6,047 milhões. A reportagem diz que não foram divulgados dados de abandono e reprovação que expliquem a queda.
Por que o voto estadual pesa tanto
O SUS é um sistema comum à União, aos estados e aos municípios. Quem governa o estado decide quanto do orçamento vai para os serviços de saúde sob sua responsabilidade. Essa decisão chega à fila de consulta e à sala de aula, não só ao gabinete.
Em outras palavras, quem vota para governador escolhe quem gere a maior parte das vagas do ensino médio no país. O peso dessa escolha é grande demais para ficar fora da conversa.
O argumento contrário tem peso. Os pisos são obrigatórios, e o governador não pode simplesmente ignorá-los. Mas o piso garante só o mínimo. A diferença entre um piso cumprido no limite e uma rede bem atendida está no que o governo decide gastar acima dele.
Saúde e escola pública são conquistas do país, e não apenas linhas de orçamento. Quando o piso é cumprido no limite, qualquer queda de receita ou de prioridade atinge o atendimento primeiro. Cabe ao eleitor cobrar que o candidato diga o número.
O lugar para esse número é o plano de governo. A Lei 9.504/1997 exige o plano no registro da candidatura para governador e para o DF. Os documentos ficam no DivulgaCandContas, sistema da Justiça Eleitoral. Três perguntas servem para qualquer candidato. Quanto a saúde terá acima de 12%? Quanto a educação terá acima de 25%? Quantas matrículas e atendimentos serão ampliados, e em que prazo?
O que diz o Tribunal Superior Eleitoral (TSE): O plano de governo é exigido no registro da candidatura a governador e ao DF, e fica disponível no DivulgaCandContas. A informação vem de reportagem do BPMoney de 6/10/2026; a redação não consultou o tribunal para este texto.
No domingo, a eleição para governador define quem administra o orçamento estadual de saúde e de escola pelos próximos quatro anos. O piso existe porque o país decidiu que esses serviços não podem depender só da vontade de cada governo. O voto de domingo decide se o piso será apenas cumprido ou ultrapassado. Quem ainda não leu o plano do próprio estado pode começar por ele.
Como fizemos: Usamos o texto da Lei Complementar 141/2012 e da Constituição (artigo 212), a reportagem da Agência Brasil de 21/10/2026 sobre os estados com segundo turno, a reportagem da Agência Brasil de 15/10/2026 sobre o Rio de Janeiro, e a reportagem da Folha sobre o Censo Escolar 2025, acessados em 24/10/2026. A queda de 6,62% e a participação de 82% são cálculos sobre os números publicados. Os percentuais de 12% e 25% são mínimos legais, não o gasto efetivo de cada estado, que não foi consultado.
Fontes
- Constituição Federal de 1988 — Planalto (acesso em 24/10/2026)
- Lei Complementar 141/2012 — Câmara dos Deputados (acesso em 24/10/2026)
- Cinco estados e o DF terão segundo turno para governador — Agência Brasil, via Diário de Pernambuco (21/10/2026) (acesso em 24/10/2026)
- TRE-RJ proclama Douglas Ruas eleito para o governo do Rio de Janeiro — Agência Brasil, via Diário de Pernambuco (15/10/2026) (acesso em 24/10/2026)
- Planos de governo: como consultar online — BPMoney (6/10/2026) (acesso em 24/10/2026)
- Reportagem da Folha de S.Paulo sobre o Censo Escolar 2025, republicada pelo Correio da Manhã (27/02/2026) (acesso em 24/10/2026)



